sábado, 23 de novembro de 2013

TRAIPU TERRA DA GENTE COISAS DE TRAIPU 006- COISAS DE TRAIPU FESTA DE MUMBAÇA • A festa do Nosso Senhor dos Pobres, em Mumbaça, no município de Traipu- Alagoas tem no primeiro de fevereiro, seu dia principal. Chegam varias caravanas de cidades, dos estados de Sergipe, Bahia e dos municípios vizinhos. Vêm em ônibus, vans, e carros particulares, para pagarem suas promessas, e graças alcançadas, com a intersecção do Santo milagreiro. Ouvem-se muitos depoimentos de testemunhos de curas e milagres. A fila dos devotos, que se espremem para visitar O Senhor dos Pobres, é imensa, com mais de quinhentos metros de comprimento. Começa na direção oposta à igreja, voltando ao ponto culminante que é, no altar mor, onde fica a imagem do Senhor dos Pobres. Por uma escada chegam até o santo, carregando como lembrança um pedaço de fita, benta. .Num cofre Baú, na passagem ,colocam suas ofertas em dinheiro. Num canto da igreja, deixam os votos de madeira, como cabeças, pernas, braços, etc., Mumbaça é uma comunidade de quilombolas, situada entre pequenos morros derivados e visinhos a serra da Priaca. Goza de um clima de agreste, com muitas fontes e minaçoes. A festa da fonte, logo pela manhã se torna o maior aglomerado de pessoas, que em redes cearenses, ficam debaixo das arvores centenárias, Muitos se refrescam com os banhos de bica e de piscina natural do local. De uma caixa azulejada, verte água que dizem, ser curativa. A festa tem também seu lado profano, com bares, jogos de azar, e danceterias, Muitos comerciantes aproveitam a ocasião para venderem de quase tudo ,a partir de cadernos, cordéis, comidas, brinquedos, roupas, bijuterias, até eletrônicos. No dia seguinte a procissão do Senhor dos pobres encerra as festividades. Por: Ciro Machado 011-TRAIPU NOSSA TERRA SORRINDO DO TEMPO FUGA FANTASTICA DE ASSA OVO O tempo passa, a vida continua, mas a gente não se esquece da conversa, daquele cavalo de pau que deu Assa Ovo ,na frente da casa de Joaquim Norato pai de Vera de Cândida, para se livrar da policia , que já estava lhe esperando de arma em punho. Queriam impedir sua fuga que foi sensacional. A caminhonete Chevrolet 59, com certeza roubada era o transporte desse assaltante, que viera visitar sua família moradora da Rua do ABC, numa casa testa de Bode, da cidade de Traipu. Passava anos sem aparecer, mas quando vinha,era novidade, porque sua fama corria terras atravessando fronteiras. Roubava com classe diziam, era assaltante de luxo, vivia alinhado, impecavelmente, conseguindo casar com uma filha dum fazendeiro rico de Minas Gerais. Era assim que as noticias sobre ele circulava pela cidade. Em Traipu nenhum carro tinha nessa época. Mesmo a prefeitura utilizava cavalos, para se dirigir ao interior, até o padre, andava num pangaré ruço. Era seu transporte, quando ia ao interior rezar nas festas ou dizer as missas. Aparece esse cara com sua mulher, muito bonita, crescendo a inveja de certos conterrâneos, que se importava com os outros. Correm para a delegacia que era perto avisando a policia que o maior ladrão de Alagoas Assa Ovo estava na cidade. Tinha trazido jóias e presentes para os familiares. Seria tudo roubo segundo os boatos. A policia agiu rápido baseado no ouvi dizer. Foi esperá-lo, na única saída da cidade. Cercaram a porteira, deixando-o acuado com um boi encurralado. O local era mais ou menos onde hoje é a Praça Virgem dos Pobres. O carro de carroceria longa estava descarregado, leve, portanto para um rabo de arraia. Tinha tração traseira, ficando melhor para a estratégia da fuga. E ele estava preparado para qualquer emergência. Assa Ovo, assim que avistou o contingente armado atravessado na estrada,se preveniu,jogou uma primeira, marcha de força, deu uma arrancada nem escutando a ordem de parada. A terra solta do verão deixada pela passagem de carros de bois media meio palmo. O motorista vendo a barreira jogou o carro em cima dela. Um cavalo de pau bem dado levantou uma nuvem de poeira, cegando os policiais, e demorando mais de dez minutos para dissipar. Os militares pularam de lado enquanto Assa Ovo, aprumava seu carro, depois da rodada. De arma em punho depois do susto viram, de longe já na subida do campo, o carro desaparecer na nuvem de poeira deixada. Não deu tempo de dispararem nem um tiro. Também foi a ultima vez que Assa Ovo voltou a sua terra natal. Dizem que até ai, ele nunca tinha matado ninguém. Roubava com classe, e só ricos. E agia só, nunca teve quadrilha. Mas em Belo Horizonte cometeu um assassinato, que colocou os homens da lei, na sua cola, até lhe matarem. Era tido, para alguns um herói fora da lei. Mas acho que bandido é bandido. Também , quando menino foi o que sempre aprendeu, roubar ovo dos quintais lhe rendendo esse nome Assa Ovo, sendo escorraçado, ainda menino da sua terra. Lembrando o passado, no Sorriso do Tempo! Por : Ciro Machado 018-TRAIPU TERRA DA GENTE NO SORRISO DO TEMPO O “REI DO BAIÃO EM TRAIPU” "Minha vida é andar por esse País,pra ver se um dia descanso feliz..." Luiz Gonzaga nas suas andanças não poderia descansar sem ter passado em Traipu/AL. Quando "Seu Luiz" puxou sua sanfona, na porta do hotel de Dona Lurdes de Zé Gundim, o povo traipuense vibrava de alegria e uns empurravam os outros, derrubando o murinho do hotel, que separava o cantor do público. Queriam ficar mais perto do sanfoneiro pernambucano que já cantava Saudades de Maceió, como os fãs agem quando querem autógrafo, (naquele meio de espectadores poucos sabiam ler, nem tinham noção do valor não sabiam nem o que era um autografo), não existia esse costume, mas queriam estar pertinho, escutar de perto. O evento não contou com aparelhos de som, nem a luz do de motor acendeu, o som vivia com defeito, por isso cantou a luz da lua, mesmo assim,um fez sucesso. Era um jeito, para aprender as músicas que no rádio já começava tocar. Muita emoção. No meio e no Final do show, havia a arrecadação de fundos para o artista continuar a caminhada. Ficou na história de Traipu, e olhe bem o "Seu Luiz", filho de Januário, não era tão famoso, suas músicas estavam sendo divulgado assim, Cidade a Cidade. Essa passagem por Traipu foi o maior presente da época pra os nossos conterrâneos. Luiz Gonzaga cantou para os pobres, para os ricos, e todos que não podiam pagar seu show. A excursão seguia para Sergipe e daí pra frente. D. Pedro II também passou por Traipu, mas ao contrário, deixou fundos e ajudou na reconstrução da igreja de N. S. do Ó, que so´tinha uma torre, por ocasião da ida a Paulo Afonso/BA, fazendo pernoite no sobrado que hoje é de Berilo Mota. Dois reis tiveram em nossa terra. Esperamos que um dia ainda venha os dois reis vivos, consagrados pelo público, Roberto Carlos e Pelé. Mas o maior agradecimento é saber que do céu, um "Rei" maior está olhando por nós, traipuenses...Relembrando o passado no sorriso do tempo! Por:Ciro Machado 020-NO SORRISO DO TEMPO TRAIPU TERRA DA GENTE RETRATO DA SECA Ontem à noite, não pude dormir direito com os gemidos dolorosos de uma vaquinha que morria perto do curral nos fundos de minha casa. Se fosse um animal comum, que eu não conhecesse, já teria motivo suficiente para ficar abalado com pena, quanto mais esse, de minha criação, do meu convívio, que vi nascer, crescer, dia a dia como um ser de casa. Foi demais para mim. O berro tristonho, de dor e angustia que eu ouvia me deixava muito triste sem ação, sem sono. Só desejava ver o fim daquele sofrimento, daquela agonia. Muitos animais de minha criação já morreram distante de casa e de minhas vistas, sem eu ver ouvi sua reclamação, mas esse eu presenciava aquele martírio, me cortava por dentro. Peguei a lanterna, por instinto, cheguei perto como se fosse dar meu adeus. Se esperneando, retorcendo de dor, agoniada gemendo,sem entender o que lhe esperava, resolvi sair, já que não tinha o que fazer. Não tive coragem para outra decisão. Será se alguém tinha coragem de abreviar aquilo? Dar um tiro de misericórdia? Outros casos eu só tomava conhecimento depois do animal, morto. Tinha o prejuízo, sentia pena, mas sem comparação. Essa vaquinha que todos os dias me abaixava aos seus pés para retirada do seu leite, que me serviu de alimento, era muito próxima, e arriou de fraqueza, muito perto, no meu quintal. Dei ração, dei soro, fiz tudo que podia, para salva-la, foi impossível. O bicho fraco, quando arria não tem jeito,perde as forças, definha, com certeza morre. O verão prolongado sem chuvas,a seca tremenda que enfrentamos, arrasou tudo que se tinha nos cercados, para esses bichinhos comerem. Vivem o dia todo batendo o queixo no chão, cavando com o focinho as raízes de alguns capins secos que ainda encontra. Dava um reforço de farelo, mas é pouco. Precisa também de volumosos, e não se tem. Estão desnutridos sem força. A doença pior que existe, é a da fome. Os germes transmissores de moléstias da terra já não fazem mal, morreram com a quentura da terra ou fugiram do sertão. Não choveu. Não deu para fazer silagem, nos prevenir. Não pude armazenar alimentos para a seca. A precipitação correu morro abaixo, não jogou água nos açudes. Secou o resto que tinha. Todo animais aqui, só tomam água, que eu compro. O sofrimento do criador sertanejo é grande. O governo quando chega com alguma ajuda já é no fim. A burocracia impede de salvar o que resta. O sol quente escaldante faz subir do chão uma poeira de vapor fervente, que chega a doer nas vistas. O vento que passa baixo levanta o pó quente do barro vermelho, A evaporação puxa das funduras qualquer umidade que possa enverdecer arvores grande. Ultrapassa o solo ativo, vence o inerte chegando ao subsolo, ou rocha mater. Racha todo o chão. O mato é um conjunto de esqueletos de galhos retorcido e espinhos venenosos. Até a macambira e o mandacaru murcharam. E nós sertanejos, que tentamos ser fortes, aguentarmos o choro calado. No coração a dor latejante, da perda daquelas criaturas que sofrem esqueléticas com fome, fere mais que um punhal na alma. Quando amanheceu o dia, fui lá e vi os olhos fundos daquela vaquinha, abertos e inertes, cheios de lagrimas cristalizados pelo calor, olhando fixos sem vida, para mim. Passou na hora, um filme dentro da minha mente. Lembrei do dia que ela nasceu. Era época chuvosa, muito pasto tudo verde, vira seu primeiro berro, quando cambaleava a procura da mãe,que se ajeitava oferecendo a teta. Ela lambendo os restos do parto, deixava-a limpinha para a primeira mamada. Continuei pensando no seu crescimento aos pés da sua mãe, quando a peava para retirar o leite. E até no dia que ela resolveu virar vaca aceitando o touro, para cobri-la. Nove meses depois assisti seu parto. Vi-lhe feliz lamber sua cria, a fazer o mesmo que a natureza lhe ensinou, igual a o que sua mãe tinha feito. Procurar sua filha, ajeitando-a com a cabeça para que ela acertasse suas tetas. Tirei muito leite, do bom, todos os dias. Era bonita gorda, amorosa, amiga. Mas agora, no final dessa fita, lhe enxergo muito seca. Não tem mais leite, e nem vida. Ela até nome tinha, e me obedecia quando a chamava ele. Eu chamava para dar ração, obedecia cegamente de cabeça baixa. Mas nem tudo que a gente quer acontece, e um dia chega à separação. Não imaginei que isso fosse acontecer assim tão natural e triste. Isso doeu demais, foi de cortar o coração. Na realidade perdi só uma vaca. Porem, só sabe realmente o valor de uma dessas, quem cria assim de pequeno, de novinho, convivendo dia a dia. Repito, não foi qualquer uma. Essa era de casa. Assisti todo seu sofrimento, participando dele também. Que esse caso sirva de lição. Que as pessoas respeitem os animais, tratando-os com carinho. Que a seca seja um caso de passado com o presente da chuva. Que o milagre das águas, pinte e perfume a vegetação do meu sertão, com o colorido das folhas o aroma das flores. Com a brotação das sementes e o viço dos vegetais, trazendo alegria, vida e fartura para tudo e todos! Autor: Ciro Machado COMO RESPEITAR A CULTURA Quando entramos na escola a primeira coisa que estudamos sobre história é o descobrimento do Brasil, o desenvolvimento das povoações, a independência, as invasões e tudo mais. Começamos por um relato desconhecido e estranhos ao nosso entendimento,apesar dos registros,mas de difícil assimilação. Chega ao ponto de nos faltar interesse ,como iniciantes nos estudos de aprendizagem,por tudo aquilo totalmente estranho.Eu encontrei muita dificuldade como entender certos assuntos da nossa historia desde o descobrimento do Brasil.Sabemos que as coisas começaram com a chegada de outros habitantes das outras regiões,gerando todo esse conteúdo ,da nossa história.A gente,nas escolas, chega ao ponto de estudar esses temas só com um fim comum,passar de ano,tirar boas notas e mais nada.Por esse motivo acho que deveriam repensar a maneira de ensinar a nossa história.Quem sabe se começarmos primeiro, estudando a historia de nossas famílias, depois como se formou nossa comunidade,seguindo de nossa Cidade,ate sabermos do nosso Estado e por fim ,chegamos a historia do Brasil.E assim por diante.Sei que alem de haver interesse haverá uma melhor assimilação criando amor a cultura e a cidadania.Talvez por esse motivo muitos querem extinguir o que já tem de avanço na memória que já se encontra tão destruída. Vamos repensar nisso. Aqui afirmo que é só uma opinião individual, e um ponto de vista dum cidadão leigo, mas admirador das coisas belas que deixamos de vê-las curti-las e conservá-las. TRAIPU TERRA DA GENTE OLHO DAGUA DA CERCA (Origem) Muita gente conhece Olho d Água da Cerca, mas não sabe ao certo sua origem.Dizem alguns estudiosos que a palavra “Mirigongo”,tem haver com holandeses,que fugiram das batalhas entre Portugueses ,e outras nações,quando disputavam terras nesse vasto Brasil.Adentrando pelo Rio são Francisco depois do ano de mil e quinhentos e poucos,o Baixo rio São Francisco,transformou-se num caminho para exploração desses colonizadores,a procura de riquezas minerais e outras.Acredito que alguns imigrantes,descendo nas terras Traipuenses, inclusive holandeses ,partiram para as serras ,no interior,a procura riquezas, fácil por ter de água ,frutas,alem de caças.Isso bastava para se fixar no local.Se muitos saiam dos seus países aventurando-se em navios inseguros pelo alto mar,a procura de terras brasileiras, mesmo assim sem ter uma certeza ,se atreviam a tal ponto,porque não fizeram isso de interior a dentro, no município de Traipu.Acredito que saíram por trilhas abertas com facões , fácil de chegarem nesse Oasis,chamado Olho d Água.Alem do mais la tem proteção de arvore de grande porte,pertos das minas de água, para se esconderem,subindo a serra ,observando de cima ,o perigo,o inimigo.Olho d Água, deveria ser um lugar ideal,para isso.Alguém cercou um brejo,Minador ,sendo encontrado por quem deu o nome daquele Olho dÁgua, da Cerca.Depois de descoberto as minas do precioso liquido,por todos os cantos,como é rico o lugar, a exemplo de sítios,Laranjeiras, sitio de Maneca ,Marinheiro,sitio de Olha d Água da Pedra, ,nos Manteigas,na Mata do Tanque,etc,.e muitas outras fontes de água doce,teria bastante facilidade de defesa,quando o inimigo se aproximasse,deslocando dum ponto para outro.Como não se tem registro dos primeiros habitantes desse povoado,lanço aqui minha observação, suponho ,essa minha curiosidade.O povo desse lugar,tem pele branca,fala característica, diferente do homem moreno, descendentes da mistura de índios e negros, de quilombolas,e dos portugueses.Acredito que em Mumbaça e Priaca ,também tiveram outros pequenos grupos de outras nações,formando famílias ali ,por causa das fontes de água doce.Sei que esse povoado próximo a Traipu, e fica escondido entre morros,com diversas saídas caso fossem atacados.Quem sabe se alguém se interesse em estudar e desvendar ainda esse (mistério),tema em particular sobre esse povo,muito trabalhador,honesto,que também é muito recatado.Fica o desafio!----Obs:no Nordeste- nego é galalau,Mirigongo é galego. Outra OBS:- Hoje fiquei a saber da “raça Mirigongo". Os holandeses também conhecidos por mafulos (ver Brasil em 3 penadas) administraram o Nordeste Brasileiro durante mais de quarenta anos sob o comando de Mauricio de Nassau até serem expulsos pelos Tugas em várias batalhas, culminando com um pacto assinado no ano de 1645 pelo luso-brasileiro saído da Ilha da Madeira, João Fernandes Vieira. Alguns desses holandeses refuguiaram-se no sertão das Alagoas miscigenando-se com os sertanejos tendo daí saido uma étnia (raça) de gente loira, homens e mulheres, ambos bonitas, feições arianas, de olhos azuis ou cinza a quem os índios xucurus chamaram de Mirigongo; As gentes do meio urbano chamam a estes de galegos mas em realidade, galegos são os Tugas oriundos da parte norte de Portugal, antigo reino Galaico-Dourience que se estende do rio Mondego até La Coruña em Espanha, actual Galiza. Consulta bibliográfia: Escritos Alagoanos de Mário Marroquim ---------------------------------------------------------------------------------------------------- GAZETA DE ALAGOAS-Edição do dia 09 de dezembro de 2007 O Pequeno Príncipe (TRECHO) Ninguém sabe de onde veio, nem ele, certeza apenas que sua origem é sertaneja. A mãe o abandonou na Praça do Centenário quando Maurício não havia completado oito anos. Era um menino bonito de chamar atenção. Olhos azuis, vivos, ficavam procurando se fixar em algum lugar, pareciam pedir socorro. Sozinho, chorando, ficou a vagar pela cidade grande, sua pele alva e cabelos louros, mostravam sua descendência de holandeses fugitivos, expulsos de Pernambuco pelas tropas portuguesas, se esconderam, se embrenharam, se fixaram no sertão nordestino, se miscigenaram com caboclos, aparecendo essa raça de galegos sertanejos que os índios Xucurus de Palmeira dos Índios chamam de mirigongos. Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE O SALGADO Numa das festas de Piranhas arrumei uma namorada, que morava na Fazenda Salgado, acima do Cazuqui,já na divisa de Traipu com Belo Monte , na Beira do rio são Francisco.Eu não conhecia esse lugar.Coincidiu de logo ,depois pouco tempo ter um forró nessa Fazenda,.Foi minha chance de conhecer o sitio,aproveitando a ocasião para visitar , e namorar aquela menina.O meu amigo Helio namorava também uma de lá,a irmã dela.Assim ficava mais fácil, não ia para lá só, já tinha um companheiro de viagem para o dia marcado daquela farra.Recebemos o recado,que o João do Pife e seu conjunto,tocaria naquela localidade.Iríamos montados nos cavalos.Esses nossos eqüinos, alem de bons,eram os nossos transportes prediletos. Soubemos que essa meninas andavam muito em Propriá,viajavam de canoa e passavam muitas vezes em Traipu,alias tinham casa lá onde algumas estudavam.Sempre gostei de passear de cavalos.Já era acostumado.Não me cansava atoa.A distancia de minha casa para essa fazenda deveria dar umas cinco léguas por aí,ou seja uns trinta quilômetros.Pra gente isso era moleza.Procuramos saber todo roteiro,e o que faltasse a gente perguntava pela frente.Sei que íamos pelo Cabaceiro.Desciamos na várzea,passando na ribeira a altura das Melancias do seu Gervsio,seguindo pela frente da fazenda de Zé da Moca,e pela a Cruz das Almas.Pegamos o fundo da Fazenda Gordo,de Tonho Neto, onde uma cerca comprida de labirinto fazia sombra e tapava a visão para o rio.Vencemos esse percurso chegando ao fundo das Queimadas de Berilo Mota e Tonho Lima.Mais na frente entramos nas Terras de Seu Alceo os Patos.A vegetação ai até grande de arvores altas de baraúnas e catingueiras.Chamam mato alto.Dá boas roças,para plantar palma.O fundo pertencia a Aderbal Tavares,terras até planas, aí no fundo dos Patos.Tinha uma porteira tipo cochete que tivemos que abrir.Já era acostumado abrir e fechar, essas porteiras sem descer do cavalo.Era uma cerca que marcava a divisa das terras, de Oioozinho Felix.Terras agora de Seu Rosendo,que depois,ficou sendo sogro desse meu amigo Helio,.Agora o caminho era nas terras de Zé de Gonzaga, justamente Fazenda Saco de Baixo.A gente passa na frente da casa do Zé e de Tonho seu filho.Tem um curral ao lado.Muitas pedras,nesse local.Ai fica mais ou menos na frente de Gararu,do outro lado do rio,em Sergipe.Atravessamos a lagoa, entramos no Saco dos Medeiros,que já foi sede do distrito de Traipu.Foi passagem de Lampião antes de ser assassinado no Angicos ,do outro lado de Piranhas.No Saco tinha uma igrejinha,onde colocaram a imagem de Nossa senhora do Ó,não ficando,ai voltando misteriosamente para a pedra onde foi construída a Matriz de Traipu.Essa fazenda até pouco tempo ainda tinha a Senzala,do tempo da escravidão..Passamos em frente uma antiga Senzala.Muitas cercas de pedras marcam esse tempo.E um pequena lagoa,O alto muito seco as pedras aflorando na superfície.Muitas cactáceas entre xiquexiques, alastrados e mandacarus, e macambiras,até coroas de frade.Passamos por Taz ,agora duma grande lagoa,onde se plantava muito arroz.Estava seca.Chegando perto da casa sede por onde tem um baixio,e a estrada corta-o no meio.Um combro, com algumas pés de mangas, meio comprido chega numa cancela,divisa com Cazuqui.Dá para ver que a mata ciliar é bem estreita,quase não existe.O povo aproveita todo espaço beirando o rio,coisa que causa a erosão e conseqüente assoreamento do rio..Entramos na porteira do Cazuqui.Numa casa de taipa ,perto daí,vejo umas meninas aboiando,são as filhas de João de Pedro,vaqueiro famoso da região.Pegador de gado no mato da caatinga.Mas na frente já subindo,umas dez casinhas e um curral é quase tudo desse lugar,dos irmãos , Antonio e Firmino Medeiros.Passamos pelo fundo num alto para entramos no Riacho Grande,umas casinhas,onde um senhor chamado João,vende uma teimosa,para molharmos a goela.Ai mora também Belé ,que tem uma Chata, canoa intermediaria,e de carga.Descendo para um riacho fundo,passamos com água nos estribos.,Esse pequeno rio, empresta o nome ao lugar.A vegetação daí por diante e de uma caatinga rala espinhenta ,com muitas urtigas ,terra de bode e carneiros pastarem.O gado ai é PE duro miudinho e acostumado a passar fome,parece que só tem ponta.São muitas tarefas de terra , piladas pelos cascos dos bichos,acho que mais de dez mil tarefas.Mas na frente tem outro lugar dos mesmos donos chamado Mocambo.Também do mesmo jeito,sertão brabo.Depois de mais de meia hora de andada, entramos no Salgado o lugar mais esperado.Tem a mesma vegetação,e sem porteiras,parece colônia,tudo aberto.O gado e outros bichos com chocalhos pasta por todo canto sem empecilho.Tem aquele que tocam a quilômetros mas se ouve,PE de boi,tem os chocalhos de bestas,as sinetas dos carneiros e bodes. Esse lugar muito seco, de solo rasos ,também muitas pedras.As terras só melhoram ,depois de quilômetros para o fundo,onde tem mata virgem de catingueiras angicos e braúnas.Mas as catingueiras rasteiras baraúnas pequenas e muitos pereiros de porte baixo.Deparamos com um arruado de mais de vinte casas de taipa,são moradores que vivem do plantio de arroz na lagoa chamada Sacão e da pesca,alem dumas rocinha no baixio.O gado solto num mundo de terras ralas Acredito que era um cercado de quase vinte mil tarefas,dava quase duas légua de fundo.Da para ver bichos com pontas de admirar,e pequenos.O legitimo pé duro.Acho que quando chega a dez arrobas já tem dez anos.Na hora que a gente chegou o forro já tava tocando.Começo da noite,amarramos nossos cavalos numa arvore perto ,depois de tirarmos as selas.La todo mundo era de pessoas das redondezas,portanto não corria perigo de soltarem os cavalos ou levarem nossos arreios.Tivemos que tomar umas doses de aguardente para dar coragem de enfrentar aquela tribo que a gente que não conhecia. Nunca fomos de correr da parada. Seja o que Deus quiser, pensei, homem e para enfrentar os desafios. Chegamos no lugar do forró,que por sinal é a casa do pai da minha namorada.Ainda desconhecido deles,me aproximo,.e falo com a menina. Danço com ela, mas o pai dela , desconfiado vem me perguntar se eu tenho algum ferro.Faca ou arma.Claro que não nunca andei armado.O meu santo é forte,Soube que tinha um cara lá apaixonado por minha namorada.Mas ela não deu valor a ele,só me queria,motivo que fiquei vaidoso,e feliz .Dancei um pouco mas preferir ficar conversando,de vez em quando beijando aquela menina ,que tratou logo de arrumar umas cadeiras para sentarmos,na sua porta. Justamente na frente da casa dela.Amanhecemos o dia no namoro.Não tinha importância.O sono,quando chegasse estaria em casa,ai descontava ,qualquer cansaço. O A festa na base do candeeiro, mas lá fora ,onde fiquei,a noite era de lua clara,dava para curtir a vontade sem problemas.Achei nteressante a mulheres com uns candeeiros amarrados na cabeça andando para aquele lugar.Não sei como não derrubavam,ou não queimavam o cabelo.Assim que chegavam apagavam a tocha daquela lamparina.Tinha um pede ,pede, na dança e coitadas das damas que não dançava com um só.Por isso que preferi ficar sentado namorando.Assim fiquei mais tempo com minha garota.Acho que se alguém foi armado,escondeu a tal, no mato,porque esse meu sogro correu todo mundo,e não permitiu nenhuma exceção.Alias, todos que estavam lá era gente simples,não tinha nenhum fazendeiro metido.Gostei de do comportamento das pessoas.Eram os Baraúnas.Um povo caboclo do sol quente do sertão.Gente boa,simples e amigo,sem maldade,mas desconfiados.. Depois de me conhecerem bem não faltou mais nada,para a gente.Amanhecemos o dia,e só de manhazinha voltamos. Fiz muita amizade com as pessoas desse lugar os avos dessa menina se agradaram da gente e toda vez faziam festa com nossa presença, ofereciam doces, goiabadas e vinhos.alem da boa conversa.Das outras vezes que fui lá,deu receio as viagens. Teve casos de me arrepiar de medo quando passava, na frente, a meia noite, de uma casa abandonada do Saco dos Medeiros.Voltamos e constatamos uns carneiros ressonando,com gemidos penosos.Dava para ter medo,se não fossemos olhar de perto.Outra ocasião foi em Cruz as Almas um bicho fez nossos cavalos saltarem quase nos dando uma queda.Não caímos pro sorte.Dessa vez não quis voltar pra vês,mas acho que era algum lobo ou raposa que assustou os animais.Cheguei quase a noivar com a pequena.O pai dela tinha uma canoa chata e ela era uma boa pilota,de fazer inveja a muitos homens.Eu achava aquilo um barato,vibrava com a coragem dos bordos que fazia.Me contavam façanhas dela como guia no leme da embarcação.Ela andava muito em minha casa.Minha mãe gostava muito dela,não sei porque a gente não deu certo.Acho que não valorizei quem me dava valor., quase todo sábado vinha a Traipu, e a gente se via. O certo é que nunca fui de assumir compromisso com namoro nenhum.Quando ela falava em noivar eu fugia,nunca quis compromisso sério. Tava namorando com ela e mais outras,namoradas.Ela soube ,mas mesmo assim ainda me queria.Deixei-a ,para casar com uma mais experta,mais experiente.Fiz muitas viagens para esse lugar.infelizmente as coisa não acontecem como a gente,planeja ,principalmente coisas do coração.Tive que esquecer todos de lá, pra rumar noutro roteiro.São coisas da vida! Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE FESTA DA FONTE Geralmente quem faz festa na fonte são os sapos pererecas, degustando uns grilos cri cricris, vaga -lumes, pirilampos alem dos anus e bem te vis.Mas no dia do padroeiro da lugar a festa da fonte de Mumbaça,é o povo que vem cedinho de lugares pertos ,e distantes de Alagoas, Sergipe até da Bahia,pagar suas promessas,com o Santo protetor da pobreza,Senhor dos Pobres,desse povoado traipuense.O barulho de pessoas atrás de águas que dizem ser milagrosas.Enchem suas garrafas,tomam alguns goles,lavam os rostos, pés e carregam para casa vasilhas cheias do liquido com propriedades curativas..Muitos saem de lá e vão para igreja na rua principal, onde uma fila de romeiros se espreme ,ficando um atrás do outro,por uma escadaria de madeira para chegar no altar,beijar os pés do santo,e deixar uma fita ou carregar um pedaço de outra da benta.Um cofre de ferro aguarda e recebe ofertas em dinheiro,na passagem.Mas é na fonte que a aglomeração de pessoas está,uns passeando entre bancas de comidas,bebidas e lembranças,se espreme a passos lentos,outros comprando,ou a procura dum lugar para descansar,debaixo de arvores que seguram o fluxo da água naquele lugar.Todos querem curtir uma sombra debaixo desse arvoredo.São oitis,paus ferros,folhas largas e outros mais.Essa festa parece mais uma feira porque vende-se de tudo.Tem muitas bancas de jogos.Bancas de comidas e alimentação,bolos cocadas,até roupas.As mesas de jogos se confundem no meio de outras sem organização.Foi numa delas de João Correia gastou o dinheiro dum boi,mas saiu satisfeito porque perdeu aquele valor num jogo cujo nome era seu sobrenome ,o da correia.Nada mais é um cinturão onde o apostador coloca o dedo na brecha que sai dentro da correia,e o banqueiro mais esperto ,dar uma volta no cinto, para ele ficar fora.Tem bancas de baralhos,bingos, jogos de dados o vinte e um,ou bosó,e tudo mais. Também é lugar bom para arrumar namorada.Muitas moças desfilam sozinhas procurando um par. Só que essa festa ao entardecer dar lugar a outra maior ,nas ruas principais,ficando aí só o lixo deixado por todo o movimento.A festa de Mumbaça tem seu auge a noite.Essa festa da fonte ,acho que começou como ponto de descanso dos viajantes romeiros,que achavam abrigo,e água doce debaixo de arvores centenárias.Tem pessoas de Traipu que só vem para a festa da fonte.Visitam Senhor dos Pobres ,e voltam com o dever cumprido.Por ser pelo dia ,e por isso mais visível,torna-se mais segura,sem registro de confusões.Viva Senhor dos Pobres! Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE DO CRUZEIRO DA TABANGA Durante uma das nossas reuniões do terço dos homens, foi lançada a ideia para subirmos a serra da Tabanga rezando o terço até o cruzeiro onde está a imagem da Santa Nossa Senhora de Fátima. Aceita de imediato por muitos, que se depuseram entrar nessa peregrinação para aquele lugar santo.Marcamos ,tudo certo..O domingo 23,antes do Natal,uma forma de preparação para essa data tão significativa.Saímos do porto da areia,na Av. Beira Rio,numa lancha de Jairo filho de Ivo que apesar de fazer parte desse grupo ,não pôde ir,com destino ao pé da Serra onde começa a primeira estação.O pequeno percurso pelo rio foi perfeito,com vistas maravilhosas de nossa cidade.Aproveitamos nossa câmaras para registrar esses momentos.Essas quatorze cruzes estão ai nos seu lugares há anos esperando que alguém crie coragem e faça o que nos dispomos.Acho que falta divulgação.A travessia,apesar de ser numa lancha pequena,foi boa,porque estava cedo sem marulhadas,e com poucas pessoas para a capacidade dessa embarcação.Os coletes davam mais segurança,para uma eventual emergência.Assim que chegamos e ficou combinado, com o dono da lancha , para uma hora depois nos esperar na croa, no ponto das barracas de bebidas.La poderíamos saborear uma cervejinha e até darmos um mergulho nas águas límpidas do rio.A primeira cruz,logo no começo da subida,marcava o primeiro martírio de Jesus, em letras gastas pelo tempo dizia, a crucificação de Jesus.Rezamos o primeiro mistério .Essa área está desmatada, apresentando um pasto nativo destocado,com um subida acentuada,cheia de pedras pequenas.Chagando na segunda cruz,mais ou menos uns cinqüenta metros da primeira,já sentindo a dificuldade da jornada.Parecia que nossos pulmões precisava se acostumar aos poucos com a altitude.Muitas pedras soltas e juntas não davam firmeza aos passos,por isso tivemos que andar bem devagar.Rezamos nessa outra cruz com outra inscrição,primeira queda de Jesus,seguindo o roteiro dos passos de Jesus durante o calvário.Ainda enfrentamos umas seis estações nessa área difícil de desmatada,um pouco íngreme,chegando a suarmos,doendo as batatas das pernas. Ví alguém sentar-se um pouco, para descansar.Logo na frente uma Arvore frondosa,dando sombra e melhorando a nossa ida.Também começava a ficar mais suave.Varias arvores grandes, de barrigudas,parecendo mulheres prenhas,cheias de frutos verdosos.Essas barrigudas estão cheias d águas,para numa emergência com um bambus e retirar o liquido que sacia a sede do viajante.Baraúnas e até Canjaranas,com muitos frutos.Talvez tenha soins,mas não vimos, nenhuma.Acho que o barulho espantou os animais ..Tem muitas macambiras,cactos,e cipós,ao lado do caminho que por sorte ,está limpo e bom de andar.A subida agora totalmente dentro da mata com pouco desnível,quase plana e sombria.As estações continuam com suas cruzes em pé com as mensagens e conservadas.Algumas com pequenas pedras por cima dos braços das cruzes, marcando orações,e que ali também alguém rezou .Encontramos arvores com inscrições feitas de facas parecendo tatuagem.Que esses tatuem seus corpos e deixem as arvores em paz.Vi isso com desprezo.Já pensou se todos que passassem ferissem essas arvores,em pouco tempo estariam mortas,deixando de dar sombra,frutos e vida aos animais.Cada um de nós,foi designado ler um pequeno trecho dum livrinho de orações,onde indicava a passagem daquele mistério.O clima entre a gente era de paz, seriedade,brincadeiras e muita união.Seguimos observando os detalhes de cada visão do horizonte,das arvores ,de tudo que fazia parte desse roteiro.Nada poderia ficar despercebido,por se tratar de lugar diferente,exótico para todos dali, que apesar de vermos de longe todos os dias,mas nos era estranho.Agora sim estávamos ali.É como o sol a lua que todos os dias apesar de vermos,não podemos estar lá. Finalmente uma estada suave e nosso corpo já adaptado a altura. Todos muito bem, restando poucas estações, e o cruzeiro.O primeiro dentre os três que existia só resta a haste principal.Tinha também ao lado a antiga haste de um que foi substituído.É um esteio de braúna que num canto resistindo ao tempo,mostra que já foi imponente mirando Traipu.A travessa da cruz está no chão ao lado,do segundo não existe mais, mas o maior, firme pintado de novo ,pelo lado direito da imagem da santa,com seus braços abertos indicando e fazendo jus ao nome desse lugar ,conhecido com Cruzeiro da Tabanga.Ficamos imaginando como um helicóptero posou naquele lugar pequeno e difícil acomodação para aquele aparelho.Há poucos anos vimos um visitante usar um desses ,para visitar esse cruzeiro,mas não tínhamos ideia de espaço existente. Muito pequeno para o pouso. No pedestal da santa placas indicando com detalhes da aparição de nossa senhora a vidente, e do consentimento dos antigo s proprietários,par construção daquele monumento ali.Tinha mais outras.A estatua da santa estava com sujeiras de excrementos de urubus,que posavam assim também a cruz maior.Também muitas inscrições com nomes de pessoas que visitaram e sem nenhuma preocupação deixou rastros ,como se aquilo fosse um livro de assinaturas.Ao meu ver é um desrespeito,com um patrimônio publico,que não tinha nem um mês de pintado.O esforço nosso da subida,foi compensado pela linda vista de Traipu, a oeste Gararu,Lagoa Primeira e até Jenipatuba.O rio serpenteando entre as serras de Sergipe e Alagoas,mostra espelhos perto de Borda Mata em Sergipe,e até na região de Própria.Não se vê a cidade devido as cinzas do tempo,pela distancia.Mas acho que pela noite se avista as luzes desse lugares.A paz reinada naquele local que estávamos. .De lá de cima vemos a Igreja ,como o prédio principal de Traipu, depois ,a prefeitura ,câmara,torres, e caixas d’água. As importantes ruas, as casas, são pequenas, mas não enxergamos nenhuma pessoa andando, nem um ser em movimento.Dá para refletirmos ,de como somos insignificantes,pequeninos ,um nada. Por que tantos querem ser grandes,arrogantes ,vaidosos?De lá de cima,vemos a realidade, sobre as pessoas ,o que somos,de tão pequenas ,um mero pontinho no espaço,um cisco no meio da rua. Fica, pois a lição, Só Deus é grande. E que nossas vaidades egoísmos, que são meras ilusões bestas sem fundamentos ,se afastem das nossas vidas ,dos nossos corações.Vamos botar os pés no chão,sermos mais solidários.E nosso natal seja de amor ,paz,e solidariedade. Douglas Felipe curtiu isto. TRAIPU TERRA DA GENTE O SÓLIO Já fazem mais de dez anos que tive um sonho diferente. Uma Senhora, alta bonita, dizia para mim, assim:- querem tomar o sólio do meu filho.Aquilo ficou martelando na minha cabeça,porque eu nunca ouvi falar naquela palavra .Achei bonita e diferente.Tive insônia depois daquilo.Para voltar a dormir tive que pegar uma caneta e num pedaço de papel escrever aquela palavra,colocando aquilo, num lugar que eu veria no outro dia.Assim poderia ir num dicionário ver o significado , tirar as minhas conclusões.Eu sempre assistia alguns programas da Tv Canção Nova,e gostava muito de ler a Bíblia,mas nunca tinha lido ou ouvido aquela palavra.Não me veio a curiosidade de ver na hora.Apenas algo me empurrava par deixar registrado num papel.No outro dia depois de me desocupar dos afazeres matinais,pude ver com calma.Aquela coisa ainda clicava no meu pensamento.Por incrível que parece,quando peguei o dicionário e vi o significado,me arrepiei.A palavra Sólio significa –cadeira pontifícia,a cadeira do papa.Pensei quem teria sido essa mulher do sonho,Nossa Senhora ? Aquela mulher Alta ?Mas as nossas senhoras são de todas as cores,também pode ser de todas alturas.Depois contei esse sonho para algumas pessoas que não deram importância,e viram como um simples sonhos.Para mim achei um sonho ,muito estranho .Mas essa historia morreu comigo.Agora resolvi contar porque amanhã iremos subir a serra da Tabanga rezando o terço,parando nas estações,que são representadas por cruzes fincadas durante o percurso do caminho ,que leva ao topo,onde estão dois cruzeiros e a imagem de Nossa Senhora de Fátima.La terminaremos nossa peregrinação.Também tempos depois,tive outro sonho,,onde via uma imagem formada de nuvens,muito grande duma santa que impedia de um animal enfurecido,que ameaçava destruir e passar para Traipu.Dava para sentir no coração as palavras:-protegerei minha terra.Não é a toa, também que essa imagem de Nossa Senhora está ai nesse lugar.Se baseia no pagamento de uma promessa de Geselita Correia dos Santos de acordo o sonho e uma profecia de um beato de Manaus –Edson Glauber,cujo nome tem uma placa homenageando-o, nos pés da imagem.Diferente de sonhos verdades,lendas ou o que seja,ter fé é uma necessidade para continuarmos diferentes dos animais irracionais.Que Deus sempre esteja conosco.Gloria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. Elmanuel Machado Ciro Machado, onde fica esse local? 22 de dezembro de 2012 às 15:17 • Curtir • 1 Ciro Machado Na serra ada Tabanga nao Cruzeiro.Essa placa fica aos pés da Imagem de Nossa senhora de Fatima. 22 de dezembro de 2012 às 15:18 • Curtir • 2 Elmanuel Machado Eu visitei esse local há mais de vinte anos atrás! Mas, como visitei Fátima-Pt, tudo o que diz respeito a Ela pesquiso, pois, tenho uma devoção muito grande pela Senhora de Fátima. Posteriormente, darei aqui um testemunho da presença dela em minha vida! Já vi aqui no 'face' que amanhã vocês (dos Homens do Terço) estarão visitando esse santuário. Não será dessa vez que subiremos juntos. Quando for fazer te avisarei! Abraços fraterno TRAIPU TERRA DA GENTE PARA PIRANHAS DE TRAIPU MARGEANDO A RIBEIRA Era esse caminho que eu e meus amigos ainda rapazinhos, viajávamos para curtir a festa de Piranhas no dia dezoito de janeiro.Era a festa de São Sebastião.Luiz Tavares ainda era o prefeito de Traipu.A luz de lá era a motor.Esse motor servia para as festas de Olho D Água,Mumbaça,Piranhas ,Capivara Manueis,Lagoinha,Bom Jardin, Santa Cruz ,e todos as outras localidades.A posteação e os bocais, existiam nesses lugares,mas a luz só nos dias da festa,durante as novenas e o dia principal.Um motor só servia a todos os povoados.Se aproximava a véspera da ida,nossos cavalos,recebiam uma ração suplementar de milho ,que tinha ficado um dia de molho.Era um reforço,para agüentar sem problemas a viagem de sete léguas de beiço,como diziam os matutos.Luiz Belota ,Miguel seu irmão,Helio de Mane Aprígio, e mais outros que nos acompanhava ,mas não me lembro no momento,estavam com selas untadas de óleo e sebo, tudo pronto,e o meu cavalo Semblante também no ponto.Augusto era genro de um senhor de lá e já teria ido dias antes,com sua família.Era um apoio,pois conhecia todo mundo de lá.A gente já conhecia poucas pessoas.Tinha um fogueteiro muito amigo nosso seu Leonardo,que emprestava seu cercado para alojar nossos animais e descansar da viajem,durante ,o resto da tarde e a noite.A festa era na base da luz do motor diesel,que parecia mais uns candeeiros,de tão fraca.Mas dava para ver as meninas,e arrumar namoradas.Saímos da rua passando na fazenda de seu Aurélio Matos,o começo de nossa viajem,a esquerda ela tem uma lagoa que recebe as águas da várzea do Traipu,subimos e descemos a ladeira da Botija,seguimos pela estrada Saco das Pedras,cujo caminho corta essa propriedade ao meio .Tem muitos muluguzeiros e estão floridos de vermelho,muitos bonitos,por sinal.No lado esquerdo tem a lagoa parecida com um saco entre um morro de Pedras altas, que sai na várzea ,Na porteira dessa fazenda tem uma canafisteira bem grande de tronco envergado parecendo um banco.A esquerda é a entrada para a Fazenda Lagoa do Boi ,indo para a várzea Dio Rio Traipu.Essa fazenda Saco das Pedras pertencia ao finado Sinhozinho,deixando-a para sua irmã Maria Julia.Tem muitas cercas de pedras,ainda feitas no tempo dos escravos.São diversos cercados, enfileirados,do lado direito.Passamos depois pela Boa Sorte de Ismar Matos,onde fica a lagoa Comprida.Muitas Baraúnas na estrada e uma casinha de oração,desse lado esquerdo.Logo na frente a Boa Sorte de Luiz Tavares.Passamos entre o curral do lado esquerdo e a casa sede do outro lado,No caminho encontramos algumas marizeiras,canafistulas e braúnas.Do lado direito é o Tingui de Tonho Neto,onde uma porta d agua nas grandes cheias represava as águas vindas da várzea do rio.Seguindo vemos uma cerca de pedras,acompanhando a estrada.A esquerda são baxios, da Boa sorte,Dava para se ver a mata ciliar de muitos paus jaus,marizeiras,folha miúda ingazeiras etc, beirando a ribeira,mais na frente a entrada da fazenda do PE do Banco,bem na divisa ,com o Magro de Dede Palmeira. A Fazenda Magro tem uma igrejinha no estilo colonial.No lado direito da para ver a lagoa no fundo das casas da fazenda .Mais na frente uma casinha de oração,ou seja uma igrejinha,no beiço da estrada,pelo lado de fora da cerca,bem no pé da ladeira.Ao seguirmos em frente, deparamos com a fazenda O Mendes,uma casa de Taipa Grande de varanda,num pequeno alto,essa fazenda pertencia a Atelvino Cavalcante.Tinha também uma pequena lagoa ao lado.A ribeira ai divide as terras do PE do Banco, com o Magro e Mendes.Muitos usam uma cerca no meio dela para aproveitarem o capim verde das margens e leito,como os bebedouros para o gado.Vemos do outro lado a Regalada,fazenda de Luiz de Zezinho e dos seus irmãos.Uma pequena estrada,rasga a ribeira deixando a passagem para lá,e mais na frente na esquerda, o Riacho Fundo,de Aloísio Palmeira e seus irmãos. O Traipu no meio e a mata Escura de Jackson Barbosa,do outro lado.Outra estrada o leva ate lá.Tem bastante Folhas Miúdas Ingazeiras e Canafisteiras,nesse setor,Alguns paus Jaus,e Canjaranas do Mendes.Manteiga,um arruadozinho subindo o morro,pertencente a Artur Bispo e irmãos.Zé de Preta e Rides tem terras ai também,na margem da estrada.Mais na frente o Bom Jardim de Edson e Bebé Palmeira.Nesse local as vezes dava para gente correr um pouco com os cavalos,pois quase toda essa estrada é plana,e de barro.Subimos uma pequena ladeira depois da lagoa da fazenda de baixo,propriedade de seu Américo Dias,tornamos a descer por entre pés altos de Cajaranas,e muitas folhas Miudas,,encontramos a casa de farinha da Altamira,de Zé de Irmaé e irmãos que está num alto a direita,.Do lado de lá do rio Traipu ainda se vê a Fazenda de Maria de Constantino,de Joaquim Guimarães e de Zé Laurentino.Tem uma estrada que atravessa a ribeira,em direção aos Dois Riachos.Vem as terras de Gileno ,onde tem umas fruteiras,no baixio, ai tem a passagem para os Macacos.Seguindo encontramos uma matinha chamada Mata do Tanque,do povo do Finado Maximino.Agora vamos na fazenda Mata do Tanque dos Fernades ,comprar um cacho de bananas para o lanche.Ai tem muitas fruteiras,Chupamos algumas mangas,comemos bananas, tomamos águas,pagamos e,voltamos para a estrada onde seguimos de estrada a fora.Bom lembrar que toda essa estrada é margeando o rio Traipu.Moravam ai também o povo de Francina e dos Baetas.De vez em quando passamos por pessoas a pé,montados em cavalos ou carros de bois..Avistamos uma serrinha com um paredão para o riacho,chamada serra dos Macacos.Do lado de lá a ribeira recebe águas dum riacho Macacos,quando chove.Nossos cavalos e passos lentos,para não cansar obedecem sem dificuldades ,pois tudo ai é plano,com estrada própria para animais.Aqui e acolá deparamos com carros de bois carregando,mandioca,estacas ou carvão.Da para ver a Chamada Tapera,um conjunto de casas espalhadas em pequenas propriedades,Alguns coqueiros e mangueiras.Seguindo a Mata do Tanque ,passamos por umas casinhas de taipa.Ali mora o pessoal de Zulica,um senhor moreno que tem algumas filhas deficientes.Mais um pouquinho a ribeira e muito larga,porque há o encontro das águas do Riacho Priaca,O único rio que nasce em Traipu e despeja no município,aqui nesse lugar.Curioso é que esse Riacho nasce perto de Campo Grande, vem beirando o fundo da Serra da Priaca,com direção para o oeste.O único rio que corre para cima.A travessia do Rio Traipu deve dar mais ou menos uns cem metros .Paramos e descemos ai para os cavalos mijarem.Esperamos todos têm que fazer essa necessidade,senão inquitam.Tem um que não fez ,mas esperamos.Vai passar num capinzinho verde e úmido,.Está com a chibata estirada,prova que vai urinar.Pastam alguns carneiros de pessoas que moram perto , nas gramas verdes da ribeira.Aqui acolá um jegue apita o abecedário,marcando as horas.Mais alguns minutos já podemos montar e seguir viajem.Ha uma pequena subida para uma colina .Todas essa estradas são estreitas,passa um carro de boi,e um cavalo apulso.Os proprietários aproveitam cada palmo de chão como pastagem deixando essas estradas assim.Gado pastando,cavalos etc.Dai por diante o rio Traipu vem descendo enfrentando algumas rochas.Seguindo um pouco se vê do lado direito, a Fazenda que foi do padre Américo, O Angico,com um curral de muro grande vizinho a uma casa do vaqueiro,uma cocheira no meio e uma casa sede de alpendre,com um dormitório no primeiro andar.Muitas algarobeiras arborizam a frente dessa fazenda.Estamos seguindo pelo lado direito,E encontramos a famosa ladeira dos Pilu,O riacho agora é todo encachoeirado,Da pra ver as descidas pedregosas onde as águas fazem muito barulho nas chuvaradas.São cascatas do Traipu.Seguimos pelos caminhos vendo fazendas.Uma cancela interrompe o galope.Éo começo da fazenda do pai de Dona Valda de seu Lutinha.Ja é terras de Lagoa Grande.Mas na frente paramos os cavalos para tomarmos água na casa dessa fazenda e trocar umas duas palavras.Povo alegre conversador.aliás,Zé Francisco,também fazia parte de nossa comitiva.Era neto desse povo.Não faltou nada pra gente.Um curral de porteira aberta ,espera uns filhotes dumas vacas que os acompanham . Estavam sendo tangidos por uns garotos .Eles os vão chiqueirá,para no outro dia tirar o leite das mães dos bezerros.Seguimos,atravessando o riacho porque o caminho agora muda de margem.Vimos muita gente indo a pé com os calçados entre os dedos das mãos,mas os pés descalços.Acho interessante,porque não calçam esses sapatos.Diz um amigo é que se fizer isso chega com calos nos pés, e na festa não vai poder andar calçado no passeio da praça.Falta de costume.Tem mulheres que põe, tanto pó no rosto a cara,que de tão branca parece mais uma alma.Passa por nós alguns carros tipo caminhonete cheias de gente, até penduradas.Outras pessoas de cavalos,jegues e em carros de bois. Importante é ir para a festa. Vamos pela esquerda do lado do povoado Lagoa Grande.Saímos bem perto da parede do cemitério desse lugar.A estrada ate Piranhas agora é reta.Em frente tem um morrinho e um cruzeiro bem no topo è um serrote que chamam Japão.É o Japão entre esses dois povoados.Daqui donde estamos para Piranhas dá só uns seis quilômetros.Algumas Fazendinhas,cercado e o açude do lado esquerdo da estrada chamado da Nação.É uma represa do município que serve para todos ,mas para uso animal.Ela está muito aterrado.Pouca água,muita baronesa planta aquática que esfria a água.Seguindo mais um pouco a Fazenda de Zé Quincas,que já foi vereador de Piranhas.Da para se ver o lugar esperado.Piranhas agora está do outro lado do riacho temos que atravessar-lo de novo.Avistamos o Grupo Escolar no lado esquerdo da entrada,É lá que Dudu Ribeiro vai tocar um forro com sues oitos baixos.A travessia não é muito fácil.Precisa procurar o melhor lugar para ir.Tem águas que bate nos estribos,mas levantamos os pés e passamos enxutos.Finalmente depois de sete léguas a cavalo ,o ponto de parada.Vamos procurar uma casa para guardar os arreios,e um cercado para descansar os animais.Lá pela madrugada ou as cinco da manhã do outro dia é que estamos voltando.A noite vai ser de festa,e precisamos estar bem para arrumarmos namoradas.Procuramos nosso conhecido seu Leonardo,que cede um quartinho para os arreios e um cercado para os animais.Vamos a um barzinho,molar a goela uma cervejinha até que cai bem.Mais tarde a gente faz um lanche.La fora ,passa umas meninas,de ca ,donde estamos dá para observar que são bonitas,ficamos só de olho.Tem umas do Dionel,um povoado de Batalha.puxamos papo.Eu arrumei uma de lá e o meu amigo Helio com oura , amiga da minha.Elas não querem se apartarem ,pede para a gente focar sempre perto.Afinal não conhecem bem a gente,tem medo do escuro.Um pessoal de Batalha conhecido chega e chama-nos para sentarmos num barzinho improvisado de lona.Nos acomodamos nesse,para saborearmos mais umas cervejinhas.Um churrasquinho de frango,papo legal,enfim ,que mais pode agradar?Vimos desse lugar que estamos sentados, o povo passar desfilando,uns de mãozinhas com as namoradas, outros sozinhos a paquerar,mulheres de todos os tipos,mais feias que bonitas.Os barzinhos tocam musicas bregas apaixonadas .Muitos caras de chapéus de couro novos mostrando-se que são fazendeiros,vaqueiros,se exibindo para as meninas.Elas preferem eles que os caras da cidade.Esses dizem que só querem enrolar.Sei que la atrás da igreja tem um parquinho com uns barcos armados e um curre,onde um sanfoneiro atrai as pessoas para andar,sentados,enquanto um cara move aquele brinquedo empurrando com as mãos.O curre é movido a força humana.Tive vontade de chamar minha namorada para dar uma voltinha,mas ele já me adiantou que não gostava daquilo.Desconfiei que ela não queria ficar sozinha comigo.Sua amiga tinha que estar por perto.Um som num barraco, faz confundir a musica que o outro toca. O nome da minha interessante, acho que era Belaide,não lembro bem.Sei que era bonita.Estava feliz,pena que depois perdi o contato com ela.Nesse tempo não existia celular nem esmo o telefone comum.Da para ver muita gente da cidade de Traipu.Alguns vieram de carro outros de pé.. Mais da meia noite o padre começa a missa.Todos assistem com atenção.É o momento sagrado e único onde muitos esperam na hora do Santíssimo fazer o pedido para poder alcançar a graça desejada.Muitos que vêm para essa festa chegam com esse pensamento . Afinal de contas esse foi o nosso propósito participar da festa. Tomar umas e outra fazem parte da viajem, mas como os outros objetivos ,importante é passar a noite (encarnarado),namorando.Deu tudo certo,foi boa a noite.Falar da aventura com a namoradas,ai é outra estória. Não soube de nenhuma briga, se houve foi longe de onde estávamos.Mas mesmo assim não soubemos de casos nem de nenhuma intriga.A festa afinal de contas ,ali em Piranhas sempre foi de paz,por isso valia a pena sempre ir. A volta apesar do cansaço, mais fácil, é descendo, mas o rojão muito devagar. Muitas pessoas passam por a gente. Também nos passamos por muitos que já voltam de pés.Só se ouve o ronco das caminhonetes saindo e alguns cobradores chamando o povo para Batalha,Riacho,Dionel,Capivara,Santa Cruz,Manues,até Munbaça que fica do outro lado do município de Traipu.Os cochilos são inevitáveis,mesmo assim ninguém cai do cavalo,as conversas cada um contando as suas vantagens, despertam um pouco,faz o tempo passar ligeiro.Num abrir e fechar do olho a gente chega na passagem do Priaca.Os cavalos têm que mijar e pastar um pouco.Agente deita na grama para um cochilo de uns dez minutos,enquanto os cavalos descansam ,e ate se espojam.Colocamos as selas para seguirmos com nossa volta.A ultima parada é na Mata do Tanque.Compramos bananas comemos e bebemos água,para acabarmos de chegar... Finalmente entramos na rua, praticamente em casa, onde cada um pega seu rumo. Temos muito que conversar, mas só depois.Agora é hora de descanso.Tudo tem sua hora ,e não tem coisa melhor do quer descansar na hora certa! Aqui termina a narrativa duma viajem a cavalo pela ribeira do Traipu.Piranhas povoado traipuense, foi o fim de nossa aventura.Sei e conheço que seguindo pela margem do riacho a seis quilômetros dali ,tem Capivara, só que o lado esquerdo desse riacho,pertence ao município de Batalha e lá nas alturas do Bengo,para Serra das Mãos, daquele mesmo lado é do município de Jaramataia.Uma vida sem historia,é como um caderno em branco,sem escrita.Não diz nada.A narrativa duma aventura se torna importante,porque mostra detalhes que o futuro desconhece. Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE A CARREATA Foi de impressionar a carreta daquele candidato, cento e tantos carros para Traipu,se essa cidade não tem nem cem carros.Mas os amigos de Maceió,Arapiraca e de Lugares vizinhos que votam aqui,vieram para mostrar com quem estavam e o que queriam.Mudar,era esse o lema.O povo cansa,assim diziam esses, partidários dessa coligação.E a quantidade de motos,demais,porque esse transporte ,aqui em Traipu,tem muitas,principalmente no interior.Todo cara dos povoados ,trocou o cavalo por uma moto,embora não emplaque,não pague as taxas ,seja até de estouro,ou puxada,pensam os homens(blitz policial,nunca andam nos sítios).E esse auxilio maternidade,do governo Federal, dá quase o dinheiro da compra de uma moto!Claro que a criança coitada, vai continuar usando fraudas de chitas, ralas e fedorentas, assando a bunda até o dia que Deus quiser. O dinheiro que vai para esse fim,vira uma motoca velha.E a festa que os “participantes da carreata” fazem entre se pegando parelhas ,arrancado de vez,fazendo barulho,parecendo um teço teco.Caem,quebram pernas,caras,pontas e até morrem.Combustível de graça,cachaça e festa,tudo por conta do Partido,da viúva ou do cacete. O outro candidato soube, ficou aperreado com a quantidade de gente que acompanhou aquela comitiva, aquele comício. No outro dia as fotos no Facebook, as postagens as mensagens, causaram inveja, e uma insegurança no adversário.Não podia perder a eleição,pois precisava se manter no poder.Tinha muita gente da família e amigos dependente desse sistema ,dessa prefeitura,alem o mais tem o motivo especial, de ter a vantagem das regalias como gestor,imunidades parlamentares,as quais , são prerrogativas que dão proteção a quem tem mandato eletivo, evitando ser preso , desmoralizado perante o povo. Pensou fazer a sua carreata maior.Tinha que mostrar prestigio para os eleitores,impressionar,custe o que custar.Não podia perder essas eleições,uma vez que tinha muitas denuncias contra eles.Chamou os amigos de cidades vizinhas ,que fizessem o resgate alugando veículos,para no dia estar todos presentes.Quanto mais melhor.Tinha que convencer os indecisos com a manifestação.Fazer bonito,emocionante.Daria combustível,tanque cheio,e mais dinheiro para quem acompanhasse , colocando retratos e adesivos,nas latarias dos veículos.As casas daquele povoado teriam , que ter ,o maximo de retratos nas paredes.Não podia ficar uma casa fechada ou parede isolada,que não recebesse tinta branca e propaganda em cima.A carreata do primeiro candidato deu cento e vinte e cinco carros.Da minha porta dava para contar.Motos era impossível dizer quantas, porque passavam o bolo avexado, mas deve ter dado mais de quinhentas.Essa outra carreata teria que dobrar,aquela mixaria de carros.Embora passasse caminhão com duas três pessoas,mas o que valia era a quantidade de transportes,que mesmo sendo a noite as luzes acesas se multiplicavam dando uma impressão de superioridade.Conseguiram colocar mais de trezentos s e quarenta carros.Tinha uns que iam ,e a certa altura,voltavam para passar pelo povo novamente e entra na conta da somatória.As postagens e vídeos no outro,estavam no Facebook desde cedo, assim que se abrisse a internet.Quem estava em duvida tava na hora de decidir votar em quem ganha,ou aparentemente iria ganhar.Deu tantos carros e motos, embora numa desorganização sem comparação, que até acidente fatal aconteceu .Os comentários era positivos para aquele candidato,deixando os eleitores adversários tristes cabisbaixo que Iriam perder a eleição.Teve gente que disse no Facebook,só um deus,consegue reunir tanta gente.Que blasfêmia,comparação infeliz!Mas a verdade é que o eleitor não é carro,que não vota,alem desse que tem que votar aqui.Esses motoristas não poderiam votar nesse candidato da mega carreata ,porque seus títulos eram de outras zonas eleitorais, noutros municípios. Pensavam muitos assim, que se mantiveram firme,não recuaram,da escolha já feita.Finalmente chegou o dia.As pesquisas,o poder econômico escondeu-as , até divulgou mentiras,para causar boa impressão.Diziam que o candidato dele estava na frente com tantos por cento.Mas dava pra ver que a coisa era diferente,de cada dez casas com adesivo e retratos do outro candidato somente três no maximo quatro dele ,existia.O carro de som com musica de criticas,aproveitando a melodia da do adversário,e outras de deboche.Eu ouvia sem concordar com esse tipo de coisa.Ficava na minha reflexão.Roupa suja se lava em casa.Mas o outro lado agia do mesmo modo.Também criticava com esculhambação ,entre eles.A exposição que esses candidatos se submetem,é demais.Têm que ter sangue de barata, frio,senão faz uma besteira.Deveriam ter planos de trabalhos,projetos , musicas com conteúdos que agradassem.Mas infelizmente não pensam assim.Muita gente ,temerosa no começo,até se revelou mostrando o que queria.Quando o povo decide,não tem quem mude.Foi assim.As eleições vieram e com elas o resultado.A carreata dobrada,mostrou a todos,que carros e gente de fora não traz resultados positivos ,como não vota aqui,não decide o pleito. A carreta mostrava que aquele candidato tinha o dobro de veículos e gente nos comícios, mas as urnas mostraram,o contrario,dando vitoria para quem teve menor numero de pessoas, naquelas festas bancadas com muito dinheiro. A real verdade,é aquela, com firmeza e convicção,desfazendo o mito da propaganda enganosa da mídia eleitoral.Lembro que na eleição de Iêdo,contra a chapa de Valter Canuto,faltando três horas para a eleição terminar,um grupo de marqueteiros colocados por Iêdo,munido de muito dinheiro,avançou pelas ruas com esse candidato nos braços dizendo,já ganhou,já ganhou.Isso era para impressionar os que faltavam votar e decidissem a favor dele.Só que não colou,porque o povo quando resolve,não tem nada que mude,na decisão.Ganha quem o povo escolhe. O povo coloca e o povo tira.E foi assim! TRAIPU TERRA DA GENTE 18 de Dezembro 2012 As novenas terminam ,com muito brio, a igreja lotada de fies,as pregações muito bem explicadas,pelos padres,tudo com o maior empenho.Os cantos em latim Domine,Gloria,Ave Maria Santa Maria, Ladainha de Nossa Senhora,Agnus- Dei ,Salve Rainha,Tantum Ergo, e outros ,muito bem cantados,nos emociona,nos dá arrepios, mantendo a tradição de muitos anos ,executados da mesma forma, acompanhada e respondidas , pelos instrumentos indispensáveis , trompete,clarinete ,e outros,fazendo das musicas ,a mais pura forma de transmissão de paz,de segurança ,de brilho nas novenas de Nossa Senhora.O dia dezoito,da padroeira Nossa Senhora do Ó,caiu numa terça- feira,o que dava a impressão que iria ser fraca, com pouca gente.Mas foi engano,parece que todos saíram para acompanhar a procissão,deixaram os afazeres para outro momento.Sabemos que a fé ,impulsiona essa homenagem, e é maior, mais importante que um dia de trabalho.Sabemos que vem gente de mais de mil e quinhentos quilômetros,para rever os amigos e homenagear essa mãe maior,a mãe de Jesus.De Maceió ,Aracaju,Salvador e cidades da Bahia e outros estados,aos poucos vão chegando,e encontrando a esperança ,realizando o sonho,que tanto planejaram,que é estarem nessa terra.Os músicos, sem incentivo,abrilhantavam com pouco entusiasmo,mas mesmo assim,não se recusaram desse pequeno esforço,conforme depoimentos ,disseram que estavam tocando,só por amor a Nossa Senhora.Dispondo só de uma fardamento,por isso que nas novenas não vinham tocar de terno.Mas hoje, dia da procissão estavam vestidos a caráter,Nossa Padroeira merece o melhor,e as duas bandas,se revezaram, com musicas em todo o percurso.Dava par ver no semblante das pessoas a alegria ,o prazer ,a emoção, com tanta gente reunida.Que felicidade acompanhar o cortejo dessa querida Santa.Uns descalços,pagando promessas,outros de terno a rigor,mostrando que esse é o momento mais importante.Centenas de celulares,maquinas e filmadoras,registrando uma boa lembrança.A solidariedade reinando,a confraternização por todos os ângulos.Enfim a felicidade nos corações,com a proteção de nossa Senhora, do Ó.O maestro Jorginho,aproveitou o coreto da praça com um som armado para um Dj,e pediu para tocar umas três musicas com sua banda,em homenagem as pessoas de Traipu e principalmente visitantes.Muitos não conheciam essa banda.Depois dos discursos do Procurador que ficou com a palavra para homenagear Nossa Senhora,a Bandinha de Jorge Trompete,abriu uma seqüência de musicas.Poucas,porque não estava programada.A primeira bem tocada,versão do sucesso de Roberto Carlos “Esse Homem Sou Eu”foi motivo de chamar atenção dos expectadores. Tocou a segunda musica uma Granada,muito bem ,sendo aplaudida,mas a terceira,deu um verdadeiro show no ritimo nacional,samba.Tocou com classe Jorginho e Kiko,revezaram uma seqüência de performance de solos nos pistõns,que fez levantar quem estava sentado ,para aplaudi-los de pé.O povo batendo palmas pediu outra,que foi melhor ainda,mais bem executada,perfeita.Pararam para o programa Dj,assumir a palanque.A gente sentiu que nesses momentos de falta de apoio,esses capricham mais, para mostrar o que sabem,não deixando erros,ou defeitos.Só me resta dar os sinceros parabéns a Banda de Jorginho, por ter emocionando todos assistentes,,com muita competência, com muito esforço,e amor a arte da música.!Nossa Senhora ,com certeza ,está alegre, vendo seus filhos felizes, Ela é quem mais merece! Curtir • • Seguir (desfazer) publicação • 19 de dezembro de 2012 às 08:38 • • Elmanuel Machado e Júlio C. Houly César curtiram isso. • Deyvisson Santos de Melo ESSES MÚSICOS MERECEM APLAUSOS DE PÉ,É CLARO QUE O PROFESSOR JORGE TROMPETE TAMBÉM,POIS SE NÃO FOSSE ELE ESSES MÚSICOS JAMAIS CHEGARIAM ONDE ESTÃO,POIS ESTARIAM COM VÍCIO NO ÁLCOOL,NAS DROGAS,ETC,ELE É O MELHOR PROFESSOR DE MÚSICA QUE JA VI,POIS EU ME ORGULHO DE MINHA CIDADE TER UM PROFISSIONAL TÃO COMPETENTE NA MÚSICA Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE AS PLANTADEIRAS DE ARROZ Ciro Machado Uma das muitas Fazendas que praticavam o plantio de arroz nas lagoas em Traipu,era a fazenda antiga Colonial , Sacão,nas margens esquerda do Baixo São Francisco,abaixo da cidade de Traipu,com uma lagoa de mais de cem hectares propícios a agricultura desse grão de plantio inundado, na lagoa conhecida com o do Sacão.Recebe as águas barrentas,férteis das cheias do rio pela porta d água ,por onde se controla através de tábuas ,a entrada e saída dessas .Ou seja,com o rio cheio,são abertas,retiradas as pranchas, para a água entrar,invadindo junto com a correnteza ,que traz vários filhotes de peixes,procurando se acomodarem onde ,crescem ,engordam e até produzem dentro dessa bacia .Recebe também águas dos morros, das chuvas caídas nos altos através dos riachos Timbauba, Piteco ,e outras pequenas grotas.Assim que chega o período de chuvas , descem essas águas ,as vezes aumentando consideravelmente o nível daquele espelho.Conheci,centenas de mulheres plantando arroz nessa lagoa,Quase tudo mulheres, pobres de Traipu,verdadeiras heroínas do baixo São Francisco.As palavras que se tiverem para falar sobre elas ainda são poucas,porque trabalhavam com alegria e dedicação,apesar do serviço duro,penoso.Se ouvia cantar modinhas,satisfeitas,porque sabiam que tinha plantado a sua sobrevivência,o arroz,base alimentar da família,portanto plantado ,nada atrapalhava a colheita ,não precisava de mais alguma coisa,para produzir.Agora era só esperar. A garantia da sustentação da família com o produto do seu trabalho era real.Quando em dezembro , começava encher o rio a esperança ,era eminente vendo entrar água nas lagoas e várzeas.Uma vez cheias,fechava-se as portas d’águas.Aquele volume represada era essa garantia do plantio.As vezes tinha arroz já cacheado quase se afogando, no valado,se cortando dentro ainda da lamina úmida,das caixas mais baixas os caldeirões..Todas as cidades ribeirinhas o regime do rio era por igual,dependiam totalmente dessa cheia para a sobrevivência.No Sacão ainda tinha ainda a lagoa do Pires,de poucos hectares, um lameirão onde se fazia as sementeiras,antes da porta d’água.. A várzea de Traipu,com muitas centenas de hectares,eram separadas por valados,diques,de protegiam as águas represadas.Tinha a porta d água do Farias,na fazenda Paraná,que controlava uma parte das águas,tinha a do PE do Banco que segurava a do cabaceiro,e outra menores,a de Derneval,saco das Pedras,etc. Em Fevereiro após, a cheia do Rio São Francisco, que surgia, mais ou menos, finais de Dezembro e Janeiro, mas sempre vinha ou as vezes mais cedo .Pouco tempo depois, começava a vazante,aparecendo os lameirões,nas orlas.Isso dependia das chuvas de Minas Gerais, nas cabeceiras do Rio.Lameirões,são depósitos de argila,e humos deixados pelas cheiras,junto com o assoreamento provocados pela erosão, dos cultivos morro abaixo.Nesses lameirões,se faziam a semeia do arroz.Depois de quatro a oito dias,o arroz ensacados eram amarrados dentro d água ,para a correnteza não levar, imerso,começavam a germinar em menos de oito dias.Os tipos de arroz plantados eram o agulha agulhinha e o perola e chatinho.Todos essas são arroz variedade branco.Mas tem uma variedade que também se cultivava, o arroz vermelho,considerado em algumas regiões como praga,por ter um valor inferior.O vermelho teria que ser plantado só longe das outra espécies,para não causar hibridação e contaminar o plantio convencional. Pragas como insetos ,Lagartas e gafanhotos Não era preciso venenos,os próprios pássaros davam conta de tais As pragas mais comuns entre ervas daninhas,e difíceis dos valados são as salsas ,aguapés com belas flores amarelas e brancas,folhas parecendo a vitoria régia,boiando na superfície ,e língua de vaca,alem da beleza da baronesa com flores azuis muito bonitas, de matos moles como mentrastos e outros.Geralmente esses morriam afogados pela lamina aqüífera.Tinha alguns lugares que criavam muitos caramujos,até sangue sugas.As vezes tinha calumbis,um espinheiro de cor escura muito fechado e difícil erradicação..Os muçus são peixes,que agem dando prejuízos, tipo uma cobra preta escorregadia, se enterrando na lama as vezes, furando as paredes dos aterros que dividiam os dique de plantio.A macela um tipo de planta de cheiro característico nascia como praga nas lagoas,dificultando o plantio.Nas terras duras adensadas pelo uso direto do plantio, as vezes aparecia uma infestação de juncos ,muito difíceis de serem erradicado.Já trabalhei muito arando terras de Derneval,abaixado muito corte do arado para erradicar essa praga virando a raiz para cima, expondo ao sol .Depois era gradeada essa área,par ficar uniforme.Ganhei muito dinheiro varando noites em cima do banco dum trator,dividindo o turno com meus irmãos,dia e noite trabalhando,antes das cheias invadir aquela área.Teria que aprontar a s áreas com urgência, na frente da inundação.Não poderiam ser feita antecipadamente meses,porque eram eles precisavam daquele pasto para o gado.Isso nas várzeas de Traipu,todo mundo cria bovinos..O junco,como era conhecida aquela ciperácea, já morta ,era hora de gradear para deixar a água afogar o resto.,A gradagem do valado servia para evitar aquelas valetas,deixadas pelo arado,ficando mais ou menos nivelada, a lamina de água facilitando o plantio,e fazendo render mais.Algumas pessoas,adubam esses valados com esterco de gado,antes da aração.difícil usar adubo químico.Também ninguém usava inseticida contra pragas. As lagoas são rodeadas de muitas marizeiras,canafisteiras e oitizeiros ,abrigos naturais de aves.Tinha também existe algumas frutas nativas,silvestres como murta uma frutinha em forma de coração ou uma castanha vermelha ,varagens que são sementes revestidas de uma polpa branca transparente agridoce em cacho comestíveis ,e maçazeiras,não própria ao consumo,diziam que dava fome canina.Tinha uma plantinha que dava um fruto conhecido por mata fome ,parecido com uma pimenta comprida de casca em forma de canoa ,bem vermelha e por dentro uma maça branca,Os meninos comiam,mas não tinha gosto de nada..Nas lagoas grandes ou várzeas as vezes usam canoas para transportar as mudas e despejarem de acordo a necessidade de cada valado.Nas menores os feixes são carregados nas cabeças dos homens.Tanto os lameirões quanto as lagoas eram geralmente de grandes fazendeiros,que bancavam a semeadura do cereal até o arranque das plantas de transplante,entregues dentro dos valados.O resto era por conta dos meeiros.Ou seja a produção da semente daí por diante era parte do proprietário da terra,a metade da produção já batida e ensacada .Muitos que tinham as trilhadeiras,cobravam em produto o serviço correspondente.Usavam como medida padrão o selamim,correspondente a dez litros.O alqueire era trinta e dois selamins.Se dizia tantos alqueires,tomando por base trinta e dois vezes dez,ou seja trezentos e vinte litros ,um alqueire.As palhas da batição,que são as do cacho ficavam nos terreiros,mas as do corte ficavam nos valados onde depois se colocava o gado para aproveitar como alimento.Geralmente todo fazendeiro era criador de gado.Caso quisesse,era só aguar as socas,que daria uma segunda safra,embora fraca mas,daria .Só não fazem isso porque precisam da pastagem das sobras dessa plantação.Depois de batido o arroz,os terreiro são invadidos por outro tio de praga os pássaros. Centenas e mais centenas de veludos pat chocas,tié sangue de bois,cabeços,chupinhas,galos de campina e todas as aves,a procura de restos de arroz pelo chão.Os meninos armavam arapucas de tabocas ou paus e de sangra pegando muitos pássaros,para comer frito no óleo.As de sangra enchiam dessas aves..A operação de semear o arroz se dá antes do inverno normal.Era a hora exata de jogar uniformemente, com as mãos ,semeando nos lameirões,das vazantes.Depois se cobria com uma fina camada de terra com a enxada.Se o lameirão secasse,teria que aguar com cuias,jogando água do rio,ou aspersores.Isso,aqueles poucos, que tinham esse equipamento.Ali a sementeira crescia,enquanto os valados(quadras de aproximadamente uma tarefa de área)dentro das lagoas,esperavam as plantas ,do cereal. Enquanto as sementeiras de arroz cresciam lá na beira do rio, os valados cheios afogavam as ervas dentro deles que também era destruídas pelos peixes, para a hora do plantio.Se algum mato crescesse naquela água teria que ser arrancado.O plantio teria que ser na lamina aqüífera,limpa.Chegada o dia ,em Março,Abril, ou mais,o arroz arrancado feito feixes era jogado na água.Ai entrava o trabalho das plantadeiras,destrinchando os feixes que vinham amarrados com salsa , fazendo pequenos montes de cinco ou mais plantinhas enterrando-as (com um dedo abre o buraco e com outro enterra e fecha),num espaço preciso, de palmo de um lado e outro,ou menos. As cantorias , em dupla,trio,quarteto ou que seja,fazia um coro do som de vozes em segunda ou terceira voz,ficando muito bonitas as modinhas cantadas.Tinha uma que puxava o canto com o verso refrão,.aAs outras entrosadas respondiam em coro”O capim da lagoa,” resposta “o veado comeu”.Musicas de Lampião,Maria bonita,folclóricas etc,e assim por diante .Essas musicas ,enfeitavam os ares dos valados.De pés descalços com as saias levantadas e presas na cinta, entravam na água,fria arriscando cortes nos pés por cascas e caramujos, mordidas de sangue sugas em alguns lugares,ate o perigo de cobras,mas não desistiam .Muito pelo contrario quanto mais dificuldades mais coragem elas tinham.Eu tinha uma tia a Maria José,mulher sofredora exemplo de persistência,trabalhadeira demais,nunca rejeitou serviços de plantio de arroz , em lagoa nenhuma.A fauna aquática, constituída de peixes como piau bamba piaba não fazia medo,mas tinha o perigoso espora pé,o mandim.Fazia medo pisar no esporão desses que poderia até aleijar o pé..Lembro do nome de algumas mulheres que plantavam no sacão.Lucinda,Amelina ,Fiinha,Bbelinha,Anita de Juviana,Amália, Belinha de Luiz Cajebe Alzira ,Graciete de Barroca,as filhas de Caeira, centenas de mulheres,que no momento não recordo.Andava muito lá e via elas na luta,diária,com hombridade e alegria. As mulheres do Itamarati, quase todas eram plantadeiras de arroz. Algumas vezes tinha piranha e pirambebas,que causavam medo.A vantagem ,era que sabiam ,assim que batessem na agua, eles corriam para o caldeirão do valado,o lado mais fundo,assustados com os movimentos da plantadeiras.Debaixo das Marizeiras, ficavam os filhos mais novos daquelas mulheres.Era lá também que cozinhavam as refeições.Enquanto plantavam, seus filhos brincavam com frutos do mari,bois de paus ,capucos e pedras debaixo da sombra da arvore.Aqui e acolá ,ia uma mãe socorrer um filho que chorava ,porque tinha levado uma espinhada no pé.Assim plantavam toda área,chamando de fechamento.Fechavam o valado.As plantinhas do arroz em fileiras retas, só com o olhinho de fora da água nem sentiam ,a mudança de lugar, todas pegavam bem,ia crescendo rápido,dentro daquela lâmina fertilizada pelas enchentes ,enquanto escorria o excesso ,soltava (esvaziada)pelas portas d águas das lagoas.Era nessa correnteza ,provocada pela gravidade, numa abertura do paredão do diqui,de volta para o rio junto com o peixe, procurando sair,caindo num jiqui.Esse ficava na porta d água.O jiqui é armadilha feita de varas,dentro do depósito depois das tabuas da referida porta d’água.O peixe caia junto da água escorrida em cima da esteira ja pronto para ser pego sem dificuldade.O rio já se encontrava com o nível muito mais baixo que o das lagoas.Por isso esse liquido, retornava sem dificuldade,por efeito da descida.Logo em pouco tempo a arroz,verde escuro parece que dobrava de tamanho ,com a fertilidade do húmus,trazido pela enchente, fechando todos os espaços . Era um mar de folhas verdes vibrando com a passagem dos ventos,até Setembro,quando o ouro do arroz aparecia em cima da folhagem verde, mostrando o ponto certo de colheita..O corte dos cachos eram feitos com cutelos amolados,junto em montículos para depois levar a um terreiro grande e bem limpo onde seria batido.Geralmente esse terreiro ficava perto de casas e armazéns do guarda do cereais.Alguns desses armazéns tinham um outro tipo de terreiro,cimentado em anexo,onde utilizavam para secar o cereal,antes da armazenagem.Depois de batido ainda continha muita umidade.A comercialização do produto ensacado,era feita em Propria, Se.para as industrias de beneficiamento.As quintas feiras as canoas desciam carregadas de arroz e subiam o rio com os feirantes e suas feiras ,eram esse pequenos comerciantes de frutas e outros gêneros.Cansei de ver sair do Sacão, a chata de Tonho Bulachão cheia por cima de sacaria de arroz.Saia dessa fazenda cada safra mais de duas mil sacas de 40 kg ,arroz em casca. Antes da colheita,nas lagoas ,enquanto o vento assoviava,nas plantas,os azulões e patas chocas,pássaros típicos dessas plantações,numa orquestra ornitológica,alegres ,faziam sua festa e davam um prejuízo razoável ,naquelas culturas.Era preciso, colocar meninos com petecas para vigiar,espalhar espantalhos,alem de providenciar com urgência o corte desse cereal.Nuvens desses(pássaros),sem sossego de um lado ara outro,numa peleja sem paz. Os espantalhos eram pouco respeitados pelas aves.Tinha gente que usava fogos, de artifícios,pistolões.As crianças teriam que ficar brincando dentro das plantações para tanger os invasores, ate o completo amadurecimento dos grãos,sob pena de só colher arroz chocho. Chegada a colheita. O corte manual, também em feixes,transportados para um terreiro onde seria batido,no cacete ou com máquinas,trilhadeiras.O arroz, e planta de meiação.O proprietário da lagoa,fazia a sementeira,preparava o valado e entregava o produto dentro dele.O corte ,a batição, por conta do meieiro. Mas em todo lugar o sistema de plantação era de meia.A divisão dos produtos era meia parte do proprietário e meia do lavrador.O proprietário entrava com a sementeira arrancada dentro da lagoa.A lavradora bancava o resto ate a bateção.Quando o proprietário usava a maquina cobrava em produto aquele trabalho.A divisão era meio a meio.Muitas famílias ensacavam a sua parte da safra e traziam para suas casas em casca,onde armazenavam em caixotes ou mesmo nos próprios sacos.As palhas do arroz cortado nas lagoas,eram usada pelo gado.Nos períodos difíceis de pastagem escassa seus proprietários já colocavam o gado imediatamente .Só esperavam carregar o arroz,par o gado ir para as socas, aquele lugar .As socas são rebroto verdinho,que apareciam com força,devido a umidade do fundo das lagoas..Eu mesmo,junto dos meus parente ,Julio,Zé Machado,pastoramos montados em cavalos,algumas vezes,o gado que comia perto do arroz ,que ainda estava para colher.O gado avançava a medida que se cortava e retirava o produto.Como a lagoa era grande a gente deixava o gado distante,da plantação e saia pelos caminhos a pegar parelha montado nos cavalos.As famílias já com seu produto em casa,aos poucos iam tirando todos os dias ,pisando num pilão,para fazer a alimentação básica da família.As sobras da palha pisadas viravam ração para porcos,ou assadas com água isca para covos, de camarões.O xerem,que são os grãos machucados,que caem da malha da peneira,ficava servindo como ração de pintos e perus.Existiam dois tipo de pilões.Os horizontais que não passa de uma barra de braúna ou aroeira com um buraco onde o pilador,fica sentado e os comuns com duas bacias uma em cima e outra em baixo servindo de base de sustentação.O serviço ´feito em pé e se quiser pode duas pessoas com duas mãos de pilão,pisarem alternando as pancadas.Depois da primeira pilada,é só segurar o ritmo que o serviço rende o dobro.Com a construção das barragens para hidroelétricas houve o descontrole das cheias,acabando de vez essas lavouras. Aas Barragens das Hidroelétricas,destruíram o regime dessas enchentes, acabando as atividades agropastoris,e piscosas,por completo nessas áreas de vazantes,trazendo fome ,insegurança ,para todos que dependiam delas..O governo deveria ter pensado nessa economia e evitado esse desastre causado para os ribeirinhos.Será se o preço do progresso tem que ser tão caro assim, acabando a cultura a tradição, deixando ´so a fome ,a desolação? Curtir • • Seguir (desfazer) publicação • 15 de dezembro de 2012 às 16:48 Mauricio Machado e Loyane Cássia curtiram isso. Silvio Lins Machado Bom Ciro Machado, saber um pouco da história de Traipu. Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE A PRAÇA DO AMGO DIQUINHA O povo elegeu uma praça com o nome de Diquinha.Bote o que quiser,mas ninguém muda o que o povo carimbou,o que os traipuenses conhecem com esse nome e com certeza vai ficar por muito tempo assim ,esse recanto aconchegante..A praça de Diquinha,é mais conhecida que qualquer nome de rua de nossa cidade.Também não adianta querer chamá-lo pelo nome de batismo que ninguém vai sabe alias acho que o próprio morador mais velho de lá não sabe,se é que tem outro nome.por isso, que deve continuar a se chamar assim, Diquinha ,apelido desse cara que cansou de se candidatar a vereador,e que descansa desse cansaço na sombra da craibeira curtindo um som e tomando uma cervejinha.Deveria se fosse mudado o nome,ser chamada praça dos pequenos eventos musicais.Até eu mesmo já toquei e cantei nesse ambiente aconchegante duas vezes. Falta o que move a política de nossa terra,o incentivo para mais farras.Diquinha é gente boa,amigo de todas as horas.Gosta ,de fazer favor, cultivar amizades,de brincar o dia todo para satisfazer amigos ..Tudo isso ,lhe dar aval para ser o que já é líder do setor,da sua praça.Era uma pracinha simples,com bancos,canteiro uma craibeira frondosa,cuja raiz afastou a piso,dando motivo de mexer naquele pequeno logradouro.Foi o fio da meada para acabar com os eventos ,desmanchar a praça ee refazê-la sem bancos ou outra atração.Mas o que faz juntar gente naquele lugar é o clima fraternal que circula por lá.Ele era de uma facção partidária contra , o prefeito,reformou a praça sem o menor cuidado de estética e beleza,deixando-a fria,sem canteiros e sem bancos.Ela hoje,Não passa mais dum piso acinzentado ,na frente de poucas casas onde umas arvores grandes,dão sombra,dão abrigo aos pássaros ,beleza e paz.Se enche de flores amarelas , embelezando ainda mais aquele ambiente onde os amigos que ali freqüentam curtem momentos de lazer com bons papos e boas amizades..Para sentar-se e tomar uma cervejinha ,o Hugo do Barsizho em frente cede cadeiras e mesas,onde também aproveita e vende sua mercadoria.E ponto preferido do ex prefeito Ze Afonso,Da Eleita Conceição e do seu vice Erasminho desfrutar os sabores dum churrasquinho ou peixe assado,.Continua ponto de tocadas de pequenos conjuntos musicais músicos de traipuenses , animando as pequenas farras do cotidiano.Sempre Diquinha é o anfitrião de todas as elas, que tem lá.Eu sou testemunha porque já fiz mais de duas farras,deliciosas que ficaram na lembrança.Até gravei um DVD caseiro,com a participação de Zé Dudu .O próprio Diquinha e seus amigos,na época arrumaram uma barraca de pano de canoa improvisando um palco para dar conforto a gente que tocou lá.Foi o palco mais original para apresentação que enfrentei,e o povo que estava lá,curtiu com uma cervejinha.Foi durante nas novenas da festa de Nossa Senhora do Ó,pelo o dia.Só resta a lembrança,mas não morreu a esperança de repetir a mesma dose.Espero que essa praça,com a nova administração tenha melhoras e que mude tudo,menos o nome de Diquinha. Curtir • • Seguir (desfazer) publicação • 15 de dezembro de 2012 às 15:31 Júlio C. Houly César, Mauricio Machado e Loyane Cássia curtiram isso. Deyvisson Santos de Melo Diquinha é gente da gente Gente boa pra toda a sociedade traipuense,eu ja frequentei muito a praça de Diquinha,no próximo dia 18/12 completarei 22 anos de idade,durante muito mais que a metade da minha trajetória estava eu la na pracinha ou até mesmo casa na casa do Diquinha,conversando muito com os filhos dele,o Júlio Alves,o Túlio Teixeira e principalmente o Rair Dias,esse eu o acordava logo cedo pela manhã para sentar no banco da pracinha de Diquinha para assim passar o dia inteiro conversando,pois eu só voltava pra casa a noite,gosto muito dos três filhos de Diquinha,esses eu digo sem medo de errá que são de confiança,meus amigos de infância,começando pelo Rair que ainda criança foi o primeiro entre eles que eu conheci,estudei com o Rair,ele e eu fomos alunos da minha saudosa mãe(Floristéia) que era Professora do Moreno Brandão(depois passou a assumir o cargo de Diretora antes de se despedir de nós familiares,parentes e amigos),os três,eu,e muitas outras garotadas fazíamos em nossa infância daquela histórica pracinha um campinho de futebol em pleno barro duro,os bancos de um lado e do outro eram as traves,e quando tinha poucos atletas para entrar em jogo,a gente não desanimava,jogavamos sem goleiro,se tivesse muitos atletas,dividia o time ficando alguns time esperando o cronometro pará para entrarem na vaga do time perdedor,fora da pracinha e da casa de Diquinha,as vezes Rair ia pra minha casa,mas na verdade mesmo a noite saíamos pra rua paquerar,os três filhos de Diquinha pra mim são muito mais que amigo,eles são três irmãos,mas também não posso esquecer de falar o nome da linda filha que o Diquinha tem,a Suelem que é uma pessoa maravilhosa,é uma figura,um espetáculo de mulher,sempre que cheguei na casa do Diquinha fui tratado como se fosse um membro da família,com muito respeito,carinho,educação,mas pra quem ainda não sabe o nome de Diquinha é GINALDI Ciro Machado casa,mas na verdade mesmo a noite saíamos pra rua paquerar,os três filhos de Diquinha pra mim são muito mais que amigo,eles são três irmãos,mas também não posso esquecer de falar o nome da linda filha que o Diquinha tem,a Suelem que é uma pessoa maravilhosa,é uma figura,um espetáculo de mulher,sempre que cheguei na casa do Diquinha fui tratado como se fosse um membro da família,com muito respeito,carinho,educação,mas pra quem ainda não sabe o nome de Diquinha é GINALDI Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE O NATAL DA BELARMINO MINHA RUA Já faz tempo que não se comemora o Natal de rua em Traipu.Nas ultimas vezes as festividades foram fracas,desanimando os moradores,e se acabando de vez, por falta de incentivo.Mas,chegando próximo ao período natalino me veio essa lembrança gostosa,daquela época que o prefeito Luiz Tavares ,mandava instalar uma gambiarra de lâmpadas aumentando a claridade, ,enfeitando o local, com as bandeirolas multicoloridas,que balançavam e vibravam com o vento ,como se aplaudisse o evento, colocando também o serviço de auto falante da prefeitura para alegrar ainda mais ,aquela noite de natal. Era ,seu Luiz,maior comerciante dali,dono da Loja de Tecidos e Variedades ,Casa Novais,quem bancava e organizava a festinha na frente dessa loja se estendendo até a frente de minha casa. Ele investia e faturava também.Todos os brinquedos sorteados eram de sua loja. Bancava as despesas com fogos,banda de pífanos e algumas brincadeiras.Os pifeiros bebiam as custas de cotas dos moradores e comerciantes dali. A prefeitura nesse tempo não tinha recursos para festas. Houve um tempo mais para trás, que Dona Santina,mulher de Né Vieira pais de Alfredinho e acho que de Panelinha,fazia umas cabacinhas de velas derretida cheias de água,jogada nas pessoas como forma de confraternização,brincadeira antiga., Eram logo cedo vendidas aos meninos para ser atiradas nas pessoas que passavam pela rua.Disso eu mesmo me lembro vagamente,..Acho que eu tinha dois a três anos.Só sei que eles moravam entre a casa de Maneca Epfanio e a de Zé Julio de Houlinha.Recordo disso ,porque andava muito la na casa de minha madrinha Rosa Houly,a Houlinha.Eu e meu irmão, mais velho,éramos pois seus afilhados.Toda festa que se fazia em Traipu era por conta de comerciantes e moradores.A prefeitura entrava com um microfone e a banda de Musica ,quando muito ajudava.Logo de manhazinha o, Ra Ra do ralo de Ana Traira, ralando milho pubo para vender a massa,que morava no vapor velho,em frente ao mercado , era abafado pelo Banda de Zabumba do Benedito Grosso,Finado Aurélio,Zé Gileno,e outros ,rompendo a atmosfera da rua , junto pelos foguetes que rasgava os céus da nossa Traipu.Esses foguetes eram feitos por Antonio Martim,também morador desse logradouro.As vezes eram queimados numa girândola,na beira do rio,pertinho de lá, rompendo a alvorada daquele dia de festa,desse lugar da margem esquerda do Rio São Francisco,cujo eco dos estouros, ressoavam na Serra da Tabanga,dando uma maior amplitude na divulgação . Essa festinha, era motivo de muita alegria para a gente das ruas de baixo e periferia,principalmente os meninos.Todos bem vestidos,e limpos, de cabelos penteados e fixos por brilhantina,já de tarde, desfilavam pela pequena rua,uns para curtir as diversões,outros procurando um lugar de acomodação, uma boa conversa,olhar quem passava,ou tomar uns refrigerantes ou cervejinha.Vizinha a nossa casa ,seu Emidio e Dona .Maria colocava cadeiras para receber seus parentes da Manteiga.Zeze de Jovelina,com sua bodeguinha vendia umas cachacinhas,aqueles pinguços que não fraqueavam os bares.Tinha o Bar de Tonho de Mano e o de Ze de Gundim,também lá.Alguns jogavam sinucas neles,outros saboreavam a loirinha fria da geladeira a querosene.Todos caprichavam para fazer bonito,e satisfazer quem ia ali desfrutar das festividades.Na frente da casa de Nazaré de Eduardo,tinham bancas de doces,bolinhos,roletes de cana e lanches,tapiocas etc.Era pequena aquela aglomeração,mas era bonita animada,e muitos meninos ganhavam presentes,simples mas ganhavam.Armavam,na calçada em frente da loja Novaes, um jogo que era uma aldeiazinha de casinhas tipo chaléde cores diferentes, dentro dum redondo .Essas casinhas marcadas,cujos números eram iguais aos bilhetes vendidos,de acordo com a quantidade de casas.Não sei ao certo mas parece que superava as dez.Fechada aquela venda de bilhetes,vinha a hora da torcida.Essa hora de correr o premio,uma pilha de brinquedos ,de um mesmo preço , esperava que o ganhador escolhesse qualquer um, no meio. Lembro que começava as quatro da tarde com os empregados da loja de seu Luiz, ,Maria de Senhora,Marinete Teixeira,e Miriel de Luiz Brió,os organizadores e tomadores de conta desse jogos.Do meio,no centro daquela aldeiazinha de duma caixa sem fundo ,escondia um mocó do reino, saindo ,na hora que a levantasse,procurando uma das casinhas,para se esconder.Essa que ele entrasse,seria a sorteada,cujo numero era igual ,ao do ganhador.Na calçada da loja em frente a esse,tinha também, uma roleta grande.Toda numerada,de cor verde claro, números pretos.Uma paleta,tipo catraca fazia papel de freio,dando emoção naquele barulho característico ,matando a velocidade daquela roleta,que fora puxada com força.Um quadrado em cima, marcava o numero que a roda ia parar. Era esse o numero do ganhador, se parasse nele era só escolher o presente do sorteio.Acho até que Silvio Santos ,aprendeu fazer seu jogo, com essa roleta.Alguém viu e propagou chegando aos ouvidos dele, criando depois sua roleta , dos sorteios do Baú da Felicidade .Porque as roletas são iguais,com uma pequena diferença ,A de Silvio Santos é maior e elétrica,mas o funcionamento é o mesmo.Até a catraca é do mesmo jeito.Mas uma coisa tenho certeza,a de seu Luiz era anterior a do Silvio Santos.Quando esse apresentador do SBT,ainda era camelô,seu Luiz já tinha sua Roleta da Sorte.Por isso que me veio essa imaginação,ou será que foi ,mera coincidência?Tinha também nessa festinha,pescaria,tiro ao alvo e outros brinquedos.Mas o mais importante daquela festa era a reunião das pessoas,se encontrando,para colocar assuntos na ordem do dia,rever famílias,e a confraternização.Tinha uns conhecidos do interior,que eram” mocorongos” da Ribeira , um deles calçava o sapato esquerdo no pé direito,servindo de gozação dos meninos,que estavam atentos a todos os detalhes.Na nossa casa os parentes e amigos ocupavam todas a s cadeiras,bem assim as dos vizinhos.Essa festinha ia até a Meia Noite quando tinha a missa do Galo,na igreja Matriz.O natal da rua de baixo como diziam era a festa mais fraca da cidade,das religiosas,mas era a mais cheia de felicidade de alegria,de paz, de amor.Seus Luiz com os bolsos cheios de confeito atirava ao ar,em nuvens, só para ver os meninos caírem uns em cima dos outros,num bolo só, para pegar um confeito um chocolate um pirulito,ou mesmo um chiclete.Tinha corrida de saco, e panela de barro e as vezes até pau de sebo.Logo cedo , por umas três horas ,o sol já esfriando.Eram duas panelas de feitiço. Só, que em uma tinha um gato,era surpresa. Geralmente era a primeira a ser quebrada. Havia empurrão,prisão, murro entre os meninos no meio da confusão para apanhar o que tinha dentro do pote quebrado, quando o acertavam derrubando essa vazilha de barro enfeitada,entre uma trave.Será se valia receber um murro para pegar algum brinde que tinham la dentro?Um dia fizeram um tal de caminho do inferno.Lembro que ficava no oitão da loja Novaes,entrada do Papouco.Era um túnel de urtigas,onde no final se colocava uma nota alta de dinheiro.Até o chão tinha folhas dessa planta espalhadas,O menino teria que entrar de calção e sem camisa.Nesse caminho estreito,baixo, teria que ir se arrastando até o dinheiro.Luiz Sibite,Luiz de Miguelzinho, encarou e ganhou a nota.Mas seu corpo ficou todo encalombado.Tiveram que passar um soro caseiro de açúcar e sal.Era uma festa tradicional sem falhar,ano nenhum, até que Seu Luiz acabou sua loja ,os outros comerciantes perdendo o incentivo.Tentaram continuar,mas ela já não tinha mais aquela graça,aquela emoção.Alguns insistiram,Augusto Belota,Joaquim Guimarães,e Tonho Bulachão.mas o evento,não teve sucesso.O Tempo passou com mudança nas tradições,e o que era belo, ficou de repente sem graça,para os mais novos, diante do moderno.A televisão o computador roubaram aquela alegria de outrora que era , o povo nas ruas, nas festas tradicionais.Agora todos encarcerados dentro de suas próprias casas ,concentrados numa tela de luz,passando ilusões, que escraviza e nos deixa reféns.Assim morrem aos poucos as tradições,os costumes a história.Hoje sem festa sem nada,só as lembranças e a saudade restam.Quem nunca viu aquela festa,com certeza não vê mais.E a tal da modernidade! Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE REIS DO PAPOUCO e ITAMARATI Era no dia cinco de janeiro,o dia da festa do Papouco porque dia seis a vez do Itamarati.Sempre foi assim.Festa da entrada de ano era na praça do Ginasio Moreno Brandão,no dia trinta e um para amanhecer o primeiro,que era na praça coronel Neto,antiga ponta da rua.São festas religiosas,que juntavam muita gente.Mais que o Natal da rua de baixo.A mais animada era mesmo a da entrada de ano na praça Ze Palmeira.Acho que por que todo mundo queria assistir a missa de meia noite, da virada do ano,com a esperança de um melhor.No papouco a organização ficava por conta de Maninho Albuquerque,com ajuda do pessoal de Dona Senhora,e outros moradores.Arrecadavam dinheiro entre eles a também com alguns de outras ruas.Compravam foguetes,e o restante do arrecadado era para custear as brincadeiras de panela de feitiço e outras diversões,A qualidade dependia da quantidade de grana arrumada.Queriam fazer melhor que a do dia seguinte,na praça Vicente Bispo,organizada pelos moradores com empenho do povo de Julio de Ariston.Existia essa rivalidade,de muito tempo.Brincadeiras para os meninos acho que as duas se empatavam.Se uma tinha panela de feitiço,a outra também tinha,pau de sebo,corrida de saco,de ovos na colher,pegar confeito,entre os meninos.Nas duas o pife tocava o dia todo.Arrumavam um banco grande para eles descerrarem seu repertório,regado a cachaça bancada por pessoas que apareciam ao redor deles.,Diziam que molhando a goela,ficava mais fácil, som do pife saia melhor.As vezes,nós meninos arrumávamos um limão para chupar na frente dos pifeiros.Ficavam todos com a boca cheia d agua e não conseguiam assoprar.Quando eles viam, vinham tomar aquela banda de limão, a gente corria.Tocavam a onça,alem do baião de Luiz Gonzaga,a Asa branca e outras..Todas essas festas,mudam de lugar mas as diversões são as mesmas.Poucas são as novidades.Bancas dispostas na parte de cima da rua vendendo cocadas,pasteis,roletes decana,pirulitos,.A noite tem o pastoril,disputado onde políticos de lados opostos ,colocando dinheiro,numa cor o noutra afrontando quem dá mais.Com isso as pastorinhas lucram.Mas das festas do Itamarati, do Papuco,Ano da praça Ze palmeira e Ano da ponta da Rua com era conhecidas, são importantes como tradição dessa cidade,No Itamarati,não poderia faltar a figura de Eribaldo,morador dessa rua que não perdia de dançar qualquer musica que os pifeiros tocasse. Tomando uma e outras, arrastando os pés dentro do ritimo do compasso do zabumba,o tempo todo.Era atração.Uma figura, folclórica traipuense. Ela tratava todo mundo,de cumpade. Outro dançarino,dessas festas ,era Cuscus esse,dançava em todo canto..Dava para ver o prazer que sentiam seus moradores.Estava,estampada no rosto de cada um dos deles , Só faltavam dizer ,somos humildes, mas felizes!Dessas festinhas religiosas populares,as lembranças afloram na memória,como sinal de alerta para não deixarmos se acabar, logo que chega a época delas.A do Papouco não existe mais.O Natal dia vinte e quatro de Dezembro,da rua Belarmino também não...Foi assim que cresci,vendo na pura simplicidade dos conterrâneos a alegria de sentirem- se felizes nessas festinha localizadas.Espero que as pessoas vivam de novo aqueles momentos de confraternização e de felicidades. • Ciro Machado bstinho de lalau pescador antiga praça do papouco-hoje mercado publico. Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE O CAMALEÃO Quando meu pai morreu, eu tinha quinze anos, estudava num colégio interno em Sergipe. Chegando de férias, queria relembrar a sua memória, morria de saudades daquele velho que me dava educação , carinho,e amor, procurava alguma novidade que eu não conhecia dele,peguei pra ver das suas coisas,um livro caixa grande de capa preta ,que não nunca tive interesse em ver.Sabia que era de contas das suas atividades na fazenda.Queria olhar mais uma vez a letra do meu pai ,recordar de algumas lembranças dele.Nesse livro tinha anotado na capa interna, a data de aniversário dos meus sete irmãos,acho que ele fez aquilo, para quando abrisse o livro lembrava logo cedo ,e dava os parabéns ao seu filho que aniversariasse naquele dia.Mas lá pelo meio encontrei umas três folhas de caderno escritas de um lado e outro.Curioso,fui ver o que era aquilo, comecei a ler .Ele já teve seu filho Rui,candidato a prefeito. Acho que, traído por alguns,”amigos “que confiou,se decepcionando com o que presenciou, nesse período.Imagino que aquilo era para mandar para algum jornal,ou foi só para desabafar.Tirar de dentro aquilo,uma maneira de se livrar,daquela decepção .Mas estava lá,intacta.Tratava-se duma crônica,muito bem feita , sobre políticos ou amigos de políticos,que mudavam ligeiro de lado.Não citava nomes.Ele comparava os tais daquele escrito,com o camaleão.Achei interessante porque é o que vemos sempre nesse meio.Ele dizia, que o camaleão quando bate o verão fica escuro da cor do mato seco,e se camufla parecendo um galho da arvore que o esconde.Quem sabe ,hiberna.Mas cai a chuva,aqui no sertão tudo se enverdece, e num passo de mágica ele fica também da cor da folhagem verde,volta ao normal.As pessoas que ele se referia agiam assim.Ou seja não entravam na luta daquele lado,até ficavam contra,mas quando ele ganhasse ,ia imediatamente de mansinho como o tal bicho, ficando desse lado vencedor,atrás de tirar vantagem própria.Da para se notar isso agora ,que está próximo da candidata vitoriosa se apossar.Armam estratégias,para participar do bolo.Mas esses aproveitadores,deveriam olhar primeiro para a festa de Nossa Senhora do Ó,como está carente ,de ajuda de,de pessoas sem condições de freqüentá-la.Precisam duma roupinha melhor que as que têm.Os fogos,soubemos que foram doados por particulares. Mesmo assim, até os músicos, desgostosos por falta de atenção e condição tocam sem o fardamento,até com disse o nosso amigo Dilvo,”por amor a Nossa Senhora,”só isso.Me disseram que Iêdo e seu irmão Ailton ajudaram os músicos com o que puderam,como forma de incentivo,Até Ze do Bar,também participou.Mas vejo que esse outros, esquecem que o centro da atenção deveriam ajudar a festa de Nossa Padroeira.Comparo,pois essas pessoas que assim agem ,com camaleões,aproveitadores,do inverno verde ,que estar por vir.Que Nossa Senhora tenha compaixão desses egoístas,e um dia se toquem do verdadeiro valor dum homem.Deixem de ser falsos.Que nossa festa apesar de pobre,seja em paz ,com alegria e amor.Bom TRAIPU TERRA DA GENTE ONDE ENTERREI MEU UMBIGO Fiquei a imaginar porque o povo antigo tinha essa mania de enterrar o umbigo na porteira dum curral, ou mesmo dentro dele. Diziam que era para ser fazendeiro, ter muito gado. Gado sempre foi dinheiro vivo entre os fazendeiros ,um bem de movimento,de negocio a vista.Fonte de renda.Para aquele tempo acho que valia a pena,ser fazendeiro era garantir boa vida,segurança, mais hoje ,coitados de quem cria gado.Não morre de fome porque tem o leite para o cuscuz da manhã e de noite.Ainda no fim do ano vende um bezerro e dá o menor para o leilão da igreja.Quando eu já tinha uns dez anos,meu umbigo ainda tava enrolado num pano bem guardado,quando minha mãe foi buscá-lo em cima do guarda roupa e me deu ,já era tempo de enterrá-lo.Sequinho esperando o lugar certo .Procurei o canto da porteira do Curral da Fazenda Mulata, e lá com um cavador enterrei.Acho que foi ,por que depois disso ,sempre gostei de fazenda,de sitio,de mato,também já era,por tradição filho de fazendeiro, de pessoas vinda do campo, por lei é herdeiro das terras dos pais.Quando chegar a hora ,de recebê-la ,aproveitar e conservá-la.E nesse ambiente que vivo , me sinto contente.Mas hoje vejo que,pensando na parte econômica , deveria ter procurado outro lugar para enterrar o meu pedaço do DNA,o jardim da prefeitura,do palácio do Governo ,ou coisa assim,já que se isso mesmo tivesse efeito, ou influencia ,poderia ter me feito, um governante .Esses sim hoje estão bem.Ser um governante ,fazendo a administração certinha, não tem melhor.Contudo acho que ,colocar o umbigo no lixo hospitalar como se faz ,condena nossas crianças a ficarem pobres,será?, Mas afinal de contas um nosso umbigo é um pedaço de nós.Não pode,no entanto, dar um fim incerto, a ele.Um dia o corpo vai para um lugar ,chamado campo santo, ,debaixo da terra,ou então é incinerados e as cinzas, para o mar.Só sei que minha paixão verdadeira não é por curral de gado,nem por política, nem por mar,mas sim por minha terra querida, a cidade de Traipu.Aí sim,eu sinto que sou feliz, morando nessa terra linda,aconchegante e pacata.É nesse lugar que o Rio São Francisco a beija com amor,e sai contente para o mar.Que Deus conserve nossa cidade assim querida,um paraíso com eu sinto que é.Que Deus continue a proteger nossa terra e seus filhos.!Porque foi aqui que enterrei meu umbigo, foi aqui que enterrei um pedaço de mim! Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE ARTEMANHAS Do Político ROSEVALDO Quando fui candidato a vereador, antes de procurar os amigos, e fazer mais eleitores, alguns já me procuravam, se diziam voluntários, vou lhe ajudar, e eu azoretado da Idea com a vontade ,a usura de ser vereador, não enxergava as arte manhas astuciosas desses, e que aquilo,era armação,só tinha um fim,tirar proveito, da minha condição de candidato.Sabiam que eu apesar de candidato pobre, liso,poderia como tal, angariar recursos,em fontes que se disponibilizam,através de conhecimentos, para quem entra nessa empreitada política. Pensava, ele arruma ajuda e repassa. Tudo começa assim. O candidato as vezes ,nem costume têm de comprar votos,fica até com vergonha desse procedimento, nem quer.Mas certos “cabras eleitorais”,entre aspas,lhes convence de que funciona assim, senão negociar, não ganha.Vendem votos dos outros, dos parentes,família,amigos ,lhe corrompem .Já é cultural .Dizem , você não tem outra saída,se todos estão fazendo isso.Eu insistia que não podia pagar nem um favor,era simples,sem condições,mas eles insistiam,não importa.O dinheiro aparece, é só ir buscar, nas fontes certas. E geralmente ,tinha o partido que ajudava. Em resumo, você termina entrando numa máfia de corrupção eleitoral, depois achando que é normal. E o eleitor que vende ,seu voto é pior ainda, que o que compra,porque dar carta em branco para não se fazer nada. Assina na urna eleitoral, essa autorização, votando neles, que se tornam donos até da opinião desses eleitores. Lembro bem que vendi um rebanho de ovelhas para gastar,dando feiras a pessoas carentes,que diziam não ter o que comprar no sábado.Gastei tempo ,combustível ,carreguei doentes para hospitais , para casas de médicos amigos ,e muitas coisas mais.Coloquei muita energia ,baixa renda,em mais de setenta casas,luz em algumas fazendas,etc.Alguns amigos quiseram me ajudar.O dono da firma ,Cilel me deu cinqüenta kits de baixa renda,o da Eletrogil outro tanto ,ainda veio até trabalhar instalando as tais.Outros amigos me ajudaram, tudo em vão.Passada a eleição,que perdi,por poucos votos, fiquei sabendo que todos aqueles favores foram inúteis,porque na véspera das delas,outros poderosos, compraram esse votos, com dinheiro.Toda casa que instalei energia foi visitada pelo prefeito ,que desviou o voto para seu candidato preferido,sua com cunhada.Os votos que eu conseguir ,foram verdadeiros , dos meu amigos e parentes.Aquele,investimento irresponsável,não rendeu nada.Hoje sei como fui errado.Aquele cara ,com ideais,e muitas idéias,passou a ser mais um desses que desistem,,quando vê o sistema.Os aproveitadores da situação dos infelizes,seguem.Ainda bem que desisti,de seguir nesse ramo.Mas de tudo,que pensei, tirei uma lição.Amigos não se compra,se conquista.Um tal de Rosevaldo, todo sábado,toda feira estava, na minha porta dando ,uma de caridoso ,levando dinheiro para um e outro eleitor ,comprar gêneros alimentícios,segundo ele.A verdade é que ele comia sozinho aquela ajuda.Se dizia amigo.Sim amigo da onça.Um Zulica,andei muitas vezes para a casa do Dr.Daniel Houly,até pela noite,com as filhas dele consultando,preiteando até uma aposentadoria eram doentes.Remédios e muito mais.Dodô,só lhe dava carona,nunca lhe deu nada alem disso, conseguiu desviar os votos deles para o seu irmão , também candidato.Outro que estava morrendo de cólera ,na ponte do Paraná,ninguém quis socorrê-lo,salvei-o levando ao hospital de Arapiraca,custando mais de três lavagens nos postos, para sair o mau cheiro de fezes dos bancos do carro.E tantos e tantos ,mais favores sem ao menos receber um centavo do candidato ,a prefeito que eu também pedia voto.Esse,dizia aos eleitores que me procurassem ,pois estava me ajudando financeiramente.Mentira das grandes.Seu intento,me derrubar.Aliás,é pratica comum dos comandos políticos ,escolhem tantos candidatos,pedem votos para os selecionados .Os outros que se lixem,mesmo da mesma coligação.Nenhum partido me ajudou,nem os candidatos que se comprometeram me ajudar.Eu coitado tinha entrado numa fogueira, de covardes e traidores.Eles Jogam dentro dela todo mundo .Depois esquecem .Nunca mais afaço outra loucura dessas.Fiz inimizades, com adversários doutra corrente, ainda bem são políticos, depois esquecem.Cansaço,desgaste de veiculo,desgaste econômico,e moral.Descobri,que quem quiser crescer, faça sua escada,com nobreza,com caráter,que são degraus firmes,e garantem chegar,alcançando o patamar de cima.Onde tem firmeza e segurança.Assim você pode olhar para baixo sem vergonha.A minha esperança é que a gente, ainda possa se orgulhar da política,e dos políticos! Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE A ENGENHOCA DE ZÉ CARLOS A noticia corria solta em Traipu entre os meninos ,que Zé Carlos Santa Rita tinha inventado um cata vento que ralava mandioca.Iria colocar de tarde na porta,na calçada de seu Onofre, experimentar,na força do vento.Ele morava na rua da igreja,num bangalô que hoje pertence a dona Ismênia Freitas mãe de Zé Afonso.Lá por ser um ponto mais alto da cidade ventava muito,dava para funcionar bem qualquer aparelho que dependesse da energia eólica.A gente tinha que está lá para ver como funcionava. Alem da curiosidade, não se tinha nada mesmo para fazer em Traipu.Monotonia total a não ser olhar o rio ver as canoas passarem para o sertão.. Aquele menino maior e mais velho que a gente ,cheio de criatividade,exibia seu invento que era incrível.Era filho de,Dr.Eduardo Santa Rita ,Juiz de Direito,também sobrinho do Prefeito Luiz Tavares,criado vendo publicações como revistas ,almanaques, com paisagens e outras coisas das regiões desenvolvidas.Tinha muitos conhecimento de coisas de outros lugares. Talvez viu a imagem dum moinho de farinha de milho,imaginou o funcionamento, no caso uma atafona,que usavam no Rio Grande do Sul, para moer trigo e fazer quirera de milho,movida a roda d água.Ele pensou vou fazer um para ralar mandioca,em miniatura de brinquedo.Nossa região se faz muita farinhadas da raiz de mandioca ,nas casas de farinha tradicionais.Calculou algumas polias e engrenagens , para reduzir a velocidade do cata vento e fazer funcionar o ralador..Pensou meticulosamente como fazia tudo aproveitando a força do vento e fazendo funcionar seu caititu que ralava aquela raiz .Claro que era em pequenas quantidades,aquilo era somente um brinquedo.Aquele rolo cheio de pregos , ele já conhecia nas casas de farinha.Só que lá era movido por uma roda bem grande.Uma roda,movido a feijão mesmo,manual ,onde um cara move um roda de um lado e o outro do outro ajuda com o seguimento da manipula,funcionando através das correias o resto da maquina.Criou suas polias de mulungu e outras madeiras moles, Essas reduziam de verdade a velocidade, transformando em força,no eixo que ficava o tal do caititu,embutido na caixa que ralava a macaxeira.Tudo pronto,o vento forte, a expectativa,a nossa curiosidade.Funcionou bonitinho a tarde toda.A gente ficava olhando aquilo ,Era o cata vento impulsionando a rodaque girava outra,e assim por diante.A gente ficava só admirando a descoberta, daquele cara inteligente. Restava dar-lhe os parabéns. Muito criativo para a época. Eram componentes da engenhoca eólica uma aparelhagem de madeira,feita de caixa de sabão , correias de couro , cordão,alguns pregos, arame,coisas simples.,Deu pra ver que ele tinha seu dom para engenharia. Alias ele, fez aquilo foi para nos mostrar mesmo que conseguia.Queria dividir a vitoria de seu invento com os seus amigos.O tempo passou e seu tio Luiz Tavares,que tinha sido prefeito, apresentou ele como seu candidato a Prefeito de Traipu,para substituí-lo,pois já não podia ser.Foi eleito e era considerado o mais novo prefeito do Brasil.Muito dinâmico,trabalhador,e autônomo.Honesto também.Construiu praças calçou ruas.Montou um serviço de auto falante da prefeitura depois da luz.A praça Gonçalo Tavares foi obra sua.Seu tio achou que iria mandar nele,pensava um menino, ´so faz o que eu disser.Enganou-se.Zé Carlos lhe disse com todas as letras ,contrariando o, suas ordens e seus pedidos,quem manda sou eu,sou prefeito e pronto.Disse a seu Luiz ,vou a Brasilia para conseguir a Luz elétrica para Traipu. Foi na Rural que tinha comprado para a prefeitura, com Zé Neguinho como motorista..A maior qualidade de Zé Carlos era que um seu amigo era mais que tudo,ninguém mesmo mexia com ele.O próprio Zé Neguinho,que antes não tinha valor de nada ficou importante,porque Ze Carlos assim quis.. E conseguiu com pouco dinheiro Todo o serviço foi muito difícil. Os postes foram arrastados, no mato com bois carros de bois,levantando-os com cordas ,tudo manualmente,até que um belo dia ,antes da festa da padroeira,que ameaçava ser no escuro,a luz brilhou nas noites seguintes. Depois de inaugurar ,poder dizer que estava satisfeito,pois cumprira o que almejava e prometera.Estava realizado.Grande prefeito esse nosso bom amigo. Tinha jeito, era dinâmico e sabia angariar verbas para o município. Naquele tempo, quem tinha boa conversa, conseguia as coisas para a cidade. Isso era don dele.O prefeito, quem fosse arigó,não arranjava nada,não saia do canto.. Logo mais ele teve que ir estudar em Maceio. Tinha uma tia casada com um senhor Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado,Zé Bezerra,ficou mais fácil.Também já era conhecido no meio político,convidado ,foi secretario do Estado,do município de Maceió.e um bom Advogado. Arrumou centenas de empregos para traipuenses no Estado.Ainda vive em Maceio.,Cria Canários por paixão, em seu sitio.Aliás o maior criador dessa ave de Alagoas,tudo legalizado dentro dos conformes.Dentro da lei.Grande homem.Tenho orgulho de ser seu amigo.Fico imaginando se ele enveredasse nesse ramo de engenharia mecânica,o que não teria criado.Infelizmente,nem tudo que se imagina acontece.E vocação nem sempre está na frente das prioridades.Tudo depende de oportunidades.Para nós um grande menino inventor,exemplo para nós, meninos daquela época. Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE ALARME FALSO A agencia dos Correios de Traipu ,apesar de estar localizada na frente da Delegacia de Policia,e em local de difícil acesso, para assaltantes,foi mesmo assim ,no começo do ano ,tomada de surpresa por bandidos armados,que efetuaram um assalto,levando dinheiro dela. Por sorte as pessoas que se encontravam lá não sofreram agressões ou prejuízos.Hoje cheguei, no mercadinho Palmeira do meu irmão ,as três.Ele me entregou uma correspondência,e disse que tinha uma caixa minha, para pegar lá, na agencia do correio.Me dirigir para até aquela repartição.Isso já é costume de todos, porque o Correio está carente de funcionários .A gente que espera receber qualquer reembolso ou encomenda tem que se dirigir até esse correio,senão ela volta,por falta de quem lhe entregue,mesmo tendo endereço correto.Como sempre , ela está fechada por cadeados.Isso depois que a assaltaram.Também o correio agora tem função de banco,com pagamentos e recebimentos de dinheiro,atiçando a cobiça de assaltantes. Ficamos esperando até que um funcionário nos veja , do lado de fora,pela porta de vidro,antes do gradeado, e abra para a gente poder entrar.Tornam fechar a porta , até que nos desocupe ,espere, que volte abrir,para sairmos.Uma peregrinação.Uma verdadeira , penitencia.Um sofrimento sem par. Chegando no portão daquela agencia, antes das quatro horas da tarde , um carro da policia parava no mesmo instante, em frente, do outro lado do meio fio.Desciam quatro policiais,de arma em punho apontando naquela direção,enquanto outro ,o motorista,também de pistola na mão mirava no mesmo rumo, todos prontos para atirar.Vi e ouvi,quando um policial pediu ,que me afastasse,dali,ligeiro.Atordoado porque não esperava jamais ,nem sabia do que se tratava,perguntei,que foi, que tava havendo ,e fui me afastando apressado.Ele simplesmente me disse,é uma ameaça que está ai dentro,se proteja.Aí me toquei,do perigo que corri.Fiquei na esquina de Zé Afonso,escondido pela parede,onde muitos curiosos já observavam e se ocultavam.Imaginei na hora o tiroteio.E esse negocio,de bala perdida!Pouco menos de três minutos o Claudemi ,chefe do correio,saia de dentro, para o portão, dizendo aos policiais, que tudo , estava bem.Ele ,viu pelo vidro da porta aquela ação,mas não sabia o que acontecia fora.Aliás lá dentro, só tinha uma menina sendo atendida, alem dos funcionários.Teria soado um alarme duvidoso,que levou a policia agir daquela maneira.Graças a Deus que foi falso .Eu ,fiquei tranqüilo porque não tenho problemas com policia,mas se fosse um cara com ficha suja, teria se borrado todo.Depois que a policia saiu, entrei na agencia aí me disseram ,que talvez alguém topou por descuido, num alarme qualquer de lá,Mas a lição que tirei dessa ação,vem provar que mesmo com os poucos policiais,atuaram com eficiência, e ao contrario de algumas criticas contra eles,afirmo que esses policiais ,estão de parabéns .Foram ageis.Cumprem seu dever, nos mostrando que estão dispostos a defender o patrimônio publico e o cidadão. Só me resta parabenizá-los. Palmas para a Policia ,que atua em Traipu!... Para a policia, tiro o chapéu!Levanto as mãos!.Afasto as pernas!Subo até a camisa! Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE CHEGADA DAS CANOAS Naquele tempo, as três da tarde de sexta feira, começava aparecer no horizonte de baixo, no São Francisco,antes do Tijuco, onde a vista mal alcançava,aqueles pontinhos brancos vermelhos e amarelos.Eram panos das canoas que surgiam por cima do filete prata daquele corredor de águas correntes, entre morros ,e planícies,ciliares do Rio Velho Chico.Pareciam borboletas voado em direção ao oeste,contra os raios do sol,e a favor da carreira dos ventos,que as impulsionavam.De lá da tamarineira e do monumento da Santa Nossa Senhora do Ó,alguns que esperavam sabiam decifrar qualquer canoa ,mesmo muito longe,só pela cor e pelo tipo de pano.A Candelária de Jason Palmeira,Canoa de Tolda,desgastada pelo uso, tinha nas velas remendos , marcando no amarelo,a sua identidade.Assim eram as outras canoas,todas tinham sua marca que dava para se conhecer de longe,pelos espctadores acostumados com aquele tipo de vista..Distante se identificava uma embarcação pelos panos.Os panos da Joelina eram grandes amarelos bem claros,com a bandeira brasileira enas pontas dos mastros..Os carregadores as vezes diziam,não essa ,é do sertão, de Pão de Açucar,outro dizia,é de Pedrinho de Zé Charuto de Gararu,de Jacinto da Barra do ipanema.Enquanto a discussão continuava, a distância diminuía, ela se aproximava , tirando a dúvida, a realidade ficava, clara.Mas uma chata de panos brancos,cruzados aproximava-se é de Traipu, a de Belé,e vai para o Riacho Grande,boa de pano e muito corredeira.Mais outra chata de Mane Aprigio,a Estrela do Mar,novinha feita por Abelardo Damasceno, do sitio Tibiri,seu cunhado.De repente a Canoa de Tolda de Zé Dandão surgia, a Conquista, depois de reformada virou, Nova Conquista.A São Roque do irmão de Zé Dandão,Zé de Morena,estava no porto cheia de cal,iria vender aquele produto ,vindo de Belo Monte ,depois ia descer o rio ,de porto em porto.Já sumia do poente acima da Tabanga a figura de uma canoa de tolda do Sertão,talvez a ITabajara,alem da chata de Zeze Brauna,do Salgado.Outras já passaram no Buraco de Maria Pereira,bifurcação da Tabanga acima de Traipu.Passava algumas , que nas imediações daquele famoso Buraco,tinha muito medo de virarem,ou se afundarem, na hora de passar o pano,porque um tufo de vento saia para o rio de lá,de vez, desorientando as velas das embarcações,Teve gente que já viu uma canoa de Tolda se afundar lá.Dizem que uma mulher que pizava arroz morreu com a mão de pilão na mão,pensando ser uma bóia.Quando resgataram o corpo,deu trabalho tirar a mão dela da mão do pilão.Mas há registro de mais casos.O povo corria para o porto de cima ,onde encostavam as canoas,com aas mercadorias,vinda de Propriá,principal fornecedor de bens de consumo de nossa cidade.Os Carregadores,entravam na água até o joelho, pegavam colocando, nas suas cabeça, tudo que veio de lá.Esteiras,sacarias,vassourasdoces,bolos,bebidas como a teimosa,de cravo e canela,a branquinha de Arabí Cabral,a famosa poca olho,e tudo mais.Lembro que numa dessas viagens,já chegando em Traipu a canoa de Tonho Bulachão,na passagem do pano para dar o porto.A escota (corda com moitões,que alivia o peso e a força braçal,na hora de puxar o pano,arrastou o filho de Fiinha de Ataíde o Luiz Carlos,laçando-o na água,causando seu afogamento.Fiinha ,que tinha um casal de filhos,Leda e o menino,ficou em tempo de morrer.Ela comprava mercadorias em Propriá para revender,era freguesa daquela canoa.Ainda tentaram pega-lo mas não conseguiram ,devido a marulhada e correnteza ,que dificultou o socorro.Dias depois acharam o corpo do menino boiando longe perto de Propriá. O porto dde Traipu era cheio de canoas nos dias de sábado,da feira semanal.Chegavam canoas da praia,precisamente de Carrapicho ,empilhada de louças,potes panelas e brinquedos de barros para vender na feira de Traipu.Naquele tempo eu sempre comprava uns bois zebus pintado,e cavalos com caçoares.As canoas de Traipu vindas na sexta,de Própria, tinham descido, as quintas feiras a noite,onde os canoeiros iam zingando,sem parar, amanhecendo o dia lá naquela Cidade Sergipana.Nas idas e vindas ,os passageiro,Seu Belo,Seu Oscar,Juarez ,que tinha medo do Jaraguá do carnaval, filho desse ultimo,contavam casos e estórias de trancoso,relacionadas com o rio,como a mãe d água ,o nego d água,etc.Era até divertido, a viajem,já acostumados com a vida mansa e sem pressa.Não existia os rádios de pilhas.A musica que ouviam era tocadas nos autofalantes distribuidos comercio de Propria.Eles faziam propagandas das lojas ,mandavam mensagens e tocavam musicas de Orlando Dias,Valdik,Silvinho,Nelson Gonçalves.etc.Ronberto Carlos despontava na mídia, com iee,um ritimo que não se tocava ainda nesses programas ,ao ar livre.Os traipuenses,compravam as mercadorias,e saiam geralmente de onze as doze horas.Chegavam em Traipu antes do anoitecer,quando o vento estava bom,época de verão.No inverno teriam que largar ,muito cedo,se não, só chegavam a noite ,ou no outro dia.Eram esses fregueses,os donos de vendas ,Marilita,Seu Bêlo,Flodoaldo,Mané do Quartinho,Murilo,Seu Oscar,Eronildes de Belinha,Artur de Laura,Atevino Cavalcante,Zé Pindoba,Luiz Pindoba,Vicentão, e muitos outros.Seu Belo trazia bananas ,laranjas,e,cebolas,e outras frutas alem de esteiras, vassouras etc,Marilita Trazia esteiras, bala de banana ,doce de batata,e materiais artesanais.Mane do Quartinho ,esteira chapéus etc,Zé Pindoba,Luiz seu irmão ,Atelvino Cavalcante ,Artur de Laura ,Flodoardo,Murilo,Paizino ,pai de Murilo,Eronilde de Bela traziam cachaça de Arabi Cabal e a teimosa,alei da cajuína.Esse eronide tanto vendia como tomava,e bêbado dizia:-já ouviu falar que sou rico?o cara era só dizer, já.Tomava de graça.Eronides,quebrou.Essas cachaças engarrafadas chegavam em sacos fechados,cheirando muito,quando passava nas cabeças dos carregadores.Tonho Martim,Sinhazinha,Maria Savaiva faziam encomenda e seu Chiquinho trazia.Tonho Martim não era freguês de Bulachão porque chamava ele de Gengibre,teve lepra perdeu os dedos,ficou aleijado,D.maria Saraiva era velhinha,Seu Ferreira de dona Sinhazinha paralitico.Geraldo Bode era canoeiro de Buachão,dava desfalque nas bananas de seu Belo,da popa mesmo onde segurava o leme,jogando as cascas nagua, sem eo dono perceber.Era, canoeiros também,Pintinho de Inez, da de Zé Dandão,Luiz de Osmundinho da de Ranufo ,e das canoas de tolda que desciam para própria.Bom piloto,Peba de Maria Jose também pilotava canoas de tolda.Era preciso saber,tinha arte.Tinha outros,que não lembro.A chegada dessas canoas era uma verdadeira festa ,onde a gente de cá, via como umas corriam mais que outras.para chegarem no porto,passavam o pano e voltavam no borde.Esses bordes de chegada,que todas tinham que fazem,na hora de dar o porto,tinha grande habilidade dos pilotos,pois já desciam.No meio,passavam o pano,baixavam a bolina ,depois vinham numa carreira desenfreada.Já em cima, como um freio,giravam o leme para o outro lado,descendo mais as duas tabuas de bolina que arrastavam no barro levantando a lama do fundo, parando de vez aquela canoa.Restava amarrar os ferros,soltando as ancoras. Um na frente e outro atrás. Dava gosto ser ver todos os detalhes,dos pequenos gestos na condução dessas embarcações.Tinham que ser bons mesmo.Encostavam umas bem próxima das outras,sem ao menos triscar de raspão.Lembranças daqueles momentos inesquecíveis.Na hora de dar o porto,como se chamava,ficávamos atentos,pois é aí, que os bons mostram suas habilidades. Como eram encantadoras essas canoas,quando despontavam ao longe.Dava ate para confundir com aves, comparando-as,com um bando de patos e paturis,planando como tainhas ,as marulhadas espumantes das correntezas do rio.Quantas saudades!Quem viu pode até dizer,tempo bom,o das canoas do São Francisco. Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE A RIBEIRA BOTOU O dia amanhecia alguém dizendo que a ribeira botou. A noticia ia se espalhando, o povo aos poucos descia, em direção ao Rio são Francisco, queria saber por certo qual a ribeira que está correndo, a do Traipu ,ou do Panema. Se for do Rio Ipanema a água escurecida está lá no meio do São Francisco,beirando a Tabanga, nas alturas do Buraco de Maria Pereira.Se for do rio Traipu as águas barrentas ,descem pelas beiradas próximo ,do porto da cidade.Do lado de cá.De Alagoas.Mas era do Traipu mesmo.Dava para ser ver o filete escurecido que se misturava com a água limpa do velho Chico.Bagaços de matos e pedaços de paus já começavam a descer.Araras e outros pássaros, passavam voando a procura de lugar firme .Avisavam que de onde vinham ,vinha muita água.estava tudo cheio.Os anus pretos agouravam em bando a tragédia que iria acontecer.O bem te vi,com seu jeito de avisar , cantava bem te vi se esquentando num raio de sol que surgia.Tudo contribuía,para um desastre ecológico.As nuvens no céu escurecidas e pesadas,anunciavam mais chuvas,mas que tinham dado uma trégua ,tinhas parado na cidade. As águas que chegavam eram das cabeceiras que aos poucos aumentava , a força e a largura com o volume maior, que descia.Todos observavam a velocidade e a fúria aumentando a cada minuto.O barulho dessas correndo da ribeira, rolando sobre as do rio São Francisco,já se ouvia cada vez mais alto.As espumas escurecidas dos barrancos que se misturavam,rolando com violência, tomavam conta de toda extensão da margem até o meio do rio.Parecia uma pororoca.Ninguém se atreveria colocar alguma canoa naquele meio.Seria fatal com tanta violência. Era um ronco de águas encachoeiradas que ensurdecia.Forte que nem um barulho dum avião.A quantidade d água vinda de cima, subia assustadoramente. Descia galhos,arvores inteiras,aguapés,capins,canas,coqueiros,e tudo que encontravam pela frente.Não respeitavam nada.Parece que a natureza quer se vingar do desmatamento ,que fizeram nas margens desses rios.Os barrancos inteiros são arrasados parecendo ilhas flutuantes.Passam inteiras com bichos em cima.Agora já aparecia dentro desse meio, vacas boiando, umas já mortas outras se afogando,mas vivas.Cavalos e outros bichos, muitas serpentes, camaleões,teiús,e tudo mais,até ratos.Muita gente do oitão do sobrado de Berilo Mota,da banca do peixe,a observar de olhar firme naquele espetáculo que dava medo.Parecia mais um filme assustador,de destruição.O povo que tinha barcos, na altura do porto da areia ,onde a força d água já era menor, encostavam suas canoas e puxavam aqueles animais ,salvando-os fracos mas com vida.Outros não agüentavam eram sacrificados e aproveitado as carcaças.De Adilmo,um fazendeiro do Oiteiro, pegaram diversos garrotes,e devolveram para ele. Canoas e barcos de pesca também passavam, mas eram resgatadas e trazidas para o porto. Muitos queriam ajudar,poucos podiam. Outros só tirar proveito da situação.Nunca se viu uma ribeira desse porte em volume e força d água.Tinha gente que pegava troncos de arvores para lenha ou outro aproveitamento. O ronco daquilo que se ouvia, dava para se escutar muito distante, talvez quilômetros. A chuva já tinha parado.Só pingos de vez em quando caiam. Mas as águas continuavam aumentando,vindo de muitas léguas,dos riachos afluentes desse Traipu.Só podia ser das cabeceiras.No Oiteiro,perto da Tapagem nas terras de Novinho,do lado oposto a Traipu,estava João de Sizino que vinha da sua Fazenda nas Queimadas.Seu bote amarrado numa Marizeira iria afundar se não tirasse logo, porque a água subia com rapidez.Com a corrente amarrada na sua coxa ,conseguiu subir mais, na arvore para quase o topo.Agora,sentindo-se mais firme, segurava a corrente do barco.Pacientemente e talvez com muitas orações,ficou esperando melhorar a situação, a melhor hora, para poder tomar outra medida.Atravessar com segurança.Deixaria as águas aclamarem mais um pouco. Sofreu muito,ficou com marcas da corrente na coxa e nas mãos,mas venceu ,conseguindo depois.Zé Beato,outro agricultor,vinha do Sitio Oiteiro , também subiu em cima doutra Marizeira, esperando que água acalmasse, para poder voltar.)Estavam muito preocupados,tremendo de frio,só pensavam no pior.O maior temor, era esmorecer, não ter mais força, não resistir,e as árvores não agüentarem intactas.Eles observavam outras arvores serem arrancada com raiz e tudo,revirarem,mostrando as vezes as raízes ,no ar,também cercas de arame farpado ,sumirem rodando com as ondas,a bagaceira toda girando.Desesperado, o Zé Beato,já sem paciência ,aflito,teve medo da arvore que estava em cima, ser arrastada, pensou pouco , e se jogou nas águas,tentando atravessar nadando .Tudo ou nada .Arriscou sua vida.A correnteza muito forte ,em ondas ,arrastou-o,lhe dando um sumiço.Perdeu o que mais precioso tinha.Faltou perseverança.Não conseguiu vencer a fúria do lugar que se atirara,era impossível,vencer a brutalidade daquelas águas em redemoinhos. A ribeira do rio Traipu é margeada por fazendas de criação de gado onde seus proprietários ,usam cerca de arame farpado, ate a metade, para no verão, com o leito quase ,seco aproveitar as gramas verdes que nascem e crescem,servindo de pasto,como também utilizarem bebedouros nas pequenas panelas formadas aquele leito..Essas cercas ,são pegas de surpresas,nessas enxurradas, indo todas se misturarem com arvores,barrancos e areias, numa miscigenação liquefeita de não sobrar vestígios visíveis ,do que se procura. Alguns acham que aquele senhor se enroscou,enganchando , nalguma cerca,sendo enterrando pelas areias em movimento,e que são , muito comuns no fundo do rio Traipu.Só sei que nunca mais ninguém viu nem um sinal.Procuraram por todo o baixo são Francisco,até a praia,e nenhum sinal.Esse foi um caso misterioso,porque não se tem nem como procurá-lo.Mais de ano depois,a justiça considerou sua mulher viúva,para questões de aposentadoria e oura coisa.Ele ,o Zé Beato era vigia da Antiga Emater,hoje pertencente a secretaria de Agricultura do Estado.Que sua alma descanse na paz do Criador! Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE A SANTA MISSÃO Traipu esperava ansiosamente a chegado do capuchinho mais querido do Nordeste, para fazer a santa missão. Multidões lhe esperavam, com aplausos, fogos e alegria.Já vinha de outras cidades e de outras pregações,sempre seguindo por pessoas que lhe faziam companhia , só retornando depois de bem acomodado.Era costume ,a comitiva daquela cidade que se despediu, acompanhá-lo até a outra que o recebia. Tinha o nome de Santa Missão as pregações realizadas por Frei Damião em todas cidades por onde passava.Frei Fernando sempre o acompanhando.Tive o privilegio de assistir a muitas,principalmente as primeiras organizadas pelo grande pároco Padre José Batista de Azevedo que o hospedava em sua casa, ao lado da igreja,O pátio da igreja, ficava cheio por dia e noite.Todos sabiam da noticia com antecedência,aproveitando a oportunidade de presenciar aquele homem santo.Valia a pena vir assistir aquele culto ecumênico.Ainda me lembro,que pela primeira vez que frei Damião veio a Traipu eu deveria ter menos de oito anos.Traipu sem movimento se transformava num lugar agitado, de peregrinação,de romaria.As pregações de Frei Damião eram atenciosamente ouvida por todos.Nunca esqueci delas ,pelo fato de ser extraordinário o que via e que ouvia.O povo sofrido, com uma fé tremenda, nas palavras daquele frade,que já tinha fama pelos lugares onde pregou os sermões.Vinha gente de toda redondeza,dos povoados de Traipu das cidades vizinhas Girau,Lagoa da Canoa São Brás,Gararu,Nossa Senhora de Lurdes ,Itabí Amparo, para ouvir os conselhos daquele pregador de batina marrom,cabelo aparado ,um franciscano, humilde,sempre de sandálias de correias no calcanhar,inteligente ,de boa oratória, apesar das palavras curtas apressadas,cujo conhecimento da Biblia que superava outros pastores conhecidos.O interessante de tudo que eu via,lembro como se fosse hoje,é que ,quando falava ninguém dava um pio,todos queriam ouvir sem perder nenhuma palavra.E não existia auto falante,ou amplificador.Muitas palavras ,eram duras demais,parece que dirigidas a cada um,mesmo assim, todos de atenção redobrada escutavam.Na hora das orações,ele puxava ao canto dizendo:Senhor Deus,pela Vossa Mãe Maria Santíssima,Misericordia... todos num coro uníssono :-Misericordia.A multidão, numa voz ,respondia como se tivessem ensaiado,num entrosamento de encantar.A emoção era grande ,mesmo menino, sentia na alma.Parecia que aquelas palavras, daquele canto iam alem, ao infinito, era assim que dava para ver, sentir,o eco no céu,do conjunto de todas as vozes,sumindo no silencio duma cidade atenciosa.Não existia carros,motores,ou qualquer coisa que tirasse a concentração.Era lindo!Eu,guri,mas ficava encantado,as lagrimas apareciam em muita gente com emoção.Isso era fantástico.Como podia um simples frade baixinho,falando mal o português,conquistar o coração de tanta gente,contagiar daquele jeito!Tinham muitos que dizia, esse frade é santo.Palavras sábias , sei que dizia.Tinha alguns que não queriam ouvir certas verdades,porque ia doer na alma,como se tocasse na ferida de cada um.E quem não tem pecado?que atire a primeira pedra!É como Jesus falava,Quem quiser que me siga.O os discípulos diziam, A quem vamos Senhor,se só o Senhor é quem tem palavras de vida.Eram palavras de vida que Frei Damião falava,tiradas do evangelho.Muitas delas iam direto no ponto fraco de cada um,por isso é duro demais.Mas mesmo assim todos escutavam , queriam sempre ouvi-lo, outras vezes mais.Tinha Frei Fernando,esse outro frade capuchinho,sempre o acompanhando, falava bem,e cantava melhor ainda.Voz muito bonita no ritmo e boa melodia.Mas a estrela sempre foi Frei Damião.Comitivas acompanhavam para vender livros, santinhos,e outros, ate lanches.Era festa. Os de melhores condições, queriam ter o prazer de oferecerem, as refeições aos frades.Eram convidados especiais dos políticos e ricos.Seu Gonçalinho sempre tinha o melhor almoço para eles..A despedida muitos acompanhavam até onde não mais podiam ver,mas diante do vazio,ficava a paz deixada por aquela criatura de Deus.Quanta saudade das Santas Missões de frei Damião.Nenhuma que ainda tiver,poderá se comparar aquelas passadas.A euforia e alegria,que os fies sentiam era tanta ,com tanta paz,que parecia uma cidade santa.Todos queriam vê-lo de pertinho até pega-lo, passar a mão nos cabelos,na batina,sentir o contato,porque achavam-no, santo.No Ato dos Apóstolos,conta que São Pedro quando passava ,todos queriam tocá-lo,ate sua sombra ,o povo, aproveitava com a esperança de serem curados,de haver algum milagre.Dava uma impressão assim.Mas Frei Damião,nunca prometia cura ,para males do corpo.Nunca prometeu milagres.Ele pregava a cura da alma. Mas o povo queria uma prova, esperando , alcançar algum milagre.Tem quem diga que obteve graças ,com Frei Damião.Mas a verdade é que ele nunca disse que curava ninguém.Quem pode curar,só Deus.Frei Damião foi Homem de pregação,foi divulgador da palavra.Nunca conheci pessoalmente algum religioso tão especial.quanto Frei Damião.Palavras sábias,ensinamentos preciosos,pregador do bom comportamento e bom costume,um católico fervoroso,combativo do mal,do inimigo.Dizia claramente quem não seguisse os mandamentos estaria se condenando,iria para o inferno.Ele era um homem de santas palavras. Quando andava de um lugar para outro, sempre apressado. Talvez pelo assédio que sofria,vendo muitos querendo tocá-lo,e naquela danação, levava até puxões .Sei que muita gente tentava acompanhá-lo quando caminhava,e não conseguia.Aquele baixinho que mesmo depois de velho e corcunda,parecia ter um motor ou uma roda nos pés.A batina cobrindo seus passos ligeiros,cuja resistência,para a idade que tinha era de admirar.Há quem diga que ele andava sem mexer os pés.Mas não acredito nisso.Agradeço a Deus de te-lo conhecido,foi uma benção.Meu grande pastor,que Deus lhe recompense, por ter escolhido nós, os sertanejos como seus ouvintes,e seus discípulos.Fica na paz de Cristo! Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE O AMIGO ATEVALDO • Lá onde estudamos, no Colégio Agrícola, tínhamos muitos colegas amigos. As vezes uns brincavam com outros ,e nunca saiu porrada,apesar de algumas passarem do limite .Atevaldo, como era da região perto de Traipu,mas Sergipe,foi fácil ficarmos amigos.Ele conhecia pessoas de Traipu, da mesma forma , eu também conhecia muita gente de lá,a começar do tio dele que era vereador,político de influencia naquele povoado de Escurial, pertencente a Nossa senhora de Lurdes .Sempre conversávamos .Nossa amizade era boa como se fosse conterrâneos. Ele brincalhão, junto com Nenéo Basilio, gostava de aprontar comigo.Já conhecia suas brincadeiras,porque fazia parte do nosso ciclo de amizades.As vezes um de nós,vinha de um serão de estudos, porque no outro dia teria prova,la pela meia noite,com sono e cansado,antes de se deitar,a cama caia com o peso de quem se deitasse, dando um susto danado.Eles,deixavam os pinos ,que seguram uma das cabeceira,na beirada,para quando subisse na cama,ela caísse.Já sabia quem sempre fazia isso,no meu caso, nem desconfiava, era Atevaldo. Ele sempre foi um cara inteligente, estudioso .Nesse dia, estudou mais cedo por isso dormiu primeiro . Lá pela meia noite, eu estava cansado de estudar muito tempo, ,teria duas provas difícies, no outro dia.Vinha descendo , para o dormitório,inocente ,sonolento .Assim que me avistaram , foram ligeiro na pia encher uma lata grande de água.Colocaram na quina superior da porta . A porta um pouco entre aberta,esperando ser empurrada por mim .Iria entrar. Fazia bastante frio,quando empurrei a dita cuja,a lata virou ,despejando a água,me dando o maior banho,.Fiquei como um pinto molhado,ganhando até um apelido.Não prestou,porque logo nas primeiras camas estava deitado Atevaldo,que até roncava.Pensei que era fingimento.Mais um pouco, na frente, era a cama de Nenéo.Naquele momento ,como um louco ,juntei umas cascas de bananas,fiz um bolo só, levantei a coberta e com força esfreguei, na cara de Atevaldo.Deu um pulo,azoretado que quase me derrubou, perguntando, o que aconteceu.De fato, dessa vez estava dormindo de verdade,não tinha culpa.Debaixo da outra coberta Nenéo Basílio ,se desmanchava de rir,mangando de nós dois.”Deixe estar Jacaré a lagoa há de secar”,pensei,um dia lhe pego!Desculpei-me com Atevaldo.Mas como ele já tinha aprontado muitas comigo,não pode revidar, tendo que perdoar a agressão.Depois foi se limpar e dormir.Lhe disse:-isso é para não aprontar mais . Mas aliviado e com raiva de Basilio, fui também dormir,porque não me agüentava mais de sono.Essa é uma das lembrança de Atevaldo! E do Grande Neneu,melhor Saxofonista que conheci.Éramos como irmãos.Relembrando essas coisas sinto como se voltasse o tempo.É como rever uma foto da época.Coisas boas da vida. Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE A VIAGEM NA TUPÃ Descambando pra Dezembro, aproximava-se as férias, e eu contava os dias, afinal quase seis meses sem ir a minha casa,a minha terra.Que saudade!Finalmente o dia esperado. Saio de Aracaju ,pego o ônibus, não me lembro bem de qual era a empresa ,mas acho que era ,Senhor do Bom Fim,uns amarelões que rodavam para a região,com destino a Propriá.Junto com os outros colegas e conterrâneos,que também estávamos apreensivos e ansiosos.Como será que está Traipu,quantas casa novas foram feitas?Será se aumentaram alguma rua.?Quem morreu que a gente não sabe ainda?Isso e muitas coisas martelavam em nossas cabeças. Vadinho de seu Bêlo,era o mais informado, quando recebia uma carta, sabia de todas as novidades,era um jornal completo,quatro a cinco folhas,seus parentes escreviam contando tudo ,até quantos cachorros nasceram na casa do vizinho,Ele repassava para a gente,era o interlocutor de nossa terra.Minhas cartas,não, só falava da saudade e preocupação , da minha mãe ,me dizia que não via a hora que eu chegasse,não queria me deixar preocupado com nada, que tudo estava bem.Depois o tempo passa e vi,que meu pai morria aos poucos.Um dia,três anos depois, recebi a noticia por telegrama,e já não pude nem assistir seu enterro.Minha rainha,coitada asmática, morria de lembranças, perguntava se eu estava sadio,se estava bem alimentado,coisa natural de mãe.Afinal de contas eu só estava com doze anos de idade,e não é mole uma mãe vê seu filho novo assim ,se afastar de casa,por muito tempo.Mas tinha que estudar.O grau maior de escolaridade,da nossa terra era o primário.Chegamos em Propriá,na rua da Frente onde tinha o ponto,uma espécie de rodoviária.As malas grandes de coro,pesadas,tínhamos que carregar para o porto.Logo poucos metros, avistamos a lancha, que para nossa alegria iria subir o rio. Achei aquilo uma sorte, bom mais da conta,ser logo a Tupã.Era uma lancha grande,a maior do trecho, dois pavimentos,o de cima por onde embarcávamos,primeira classe,boa vista para frente e lados,ampla ventilada e segura.Naquele andar,que viajamos,tinha melhor visão,queria curtir tudo,as margens sempre habitadas ,vê as pessoas que apareciam para ver a lancha passar.A buzina rouca da lancha nos avisava que estávamos saindo. A sineta da gabine do comandante, seu Quincas,repassava ao motorista que podia dar ré,e sair do porto.Mamoel messias ajudava com uma vara .Mais uma advertência naquela alavanca aquele som,como se fosse o morse dos correios, que repetia na sala de maquinas.O ponto morto,outra repetida, agora era a marcha para frente, mais outra e a ultima como se fosse uma prise de um carro.Partimos do porto ,com alegria e feliz .Hora mais esperada era aquela,que o motor acelerava em procura do sertão.Atravessamos o rio,vimos o cais de Colégio,tinha porto a dar naquele lugar,subiria gente a procura de algum lugar do baixo São Francisco,já que ela ia até Piranhas.Subíamos o rio afora,contra a correnteza.A proa da lancha abria as águas em duas ondas,formando marulhadas,chegando a balançar as canoas por onde passava.Atrás,ficava um rastro de espumas que flutuando se desfaziam aos poucos.Mas na frente uma placa dizia que ali tinha uma aldeia de índios.Saímos para o meio do rio,e de frente, lado de Sergipe uma fazenda Colossal,A Jundiaí,com seu pombal em forma de castelo,um cata -vento puxando água,por um cano ,perto duma ingazeira responsável por deixar fria aquela área de remanso.Aquela água ia direto para a caixa de uma casa grande e bonita, que parecia mais uma mansão perdida naquele ermo, antes de uma plantação de eucaliptos e coqueiros.A lancha imponente seguia agora para Amparo a primeira cidade sergipana depois de Propriá.Do outro lado avistamos Tibiri, mas não tinha ninguém no porto e gente para descer.Amparo era onde estava a bomba d água que envia água para Aracaju.Tinha casa de bombas,de tratamento d´águas.Talvez a primeira construída com potencia naquele trecho de rio.Tinha muitas mangueiras frondosas na beira do rio.Uma ponte ligava a estrada passando por cima dum riacho e uma porta d água,para aquele lugar.A lancha ora de um lado,ora pra outro, parando só nos portos,que tinha gente para descer ou embarcar.São Brás,cidadezinha simpática antes de Traipu,em Alagoas tinha gente para subir e descer.Talvez fosse também algum fazendeiro de Olho d Água Grande ou Campo Grande que tinha vindo ao Banco do Brasil de Propriá,resolver seus negócios.De frente ao Morro do Gaio,onde vai água para Arapiraca vira sua proa a procura do outro lado.A Tupã,volta ao lado de Sergipe ,tem Borda Mata,a fazenda que era coito de Lampião.Tinha gente pra subir.Borda Mata tem um sobrado,num arruado de menos de dez casa,um beco com mais outras.Mas na frente uma fazenda Aningas, de Pedro Chaves.Também tem um cata-vento puxando água,e uma casa bonita em cima do morro.Desce mais um cidadão naquele porto.Do outro lado uma Fazenda bonita,a lagoa cumprida de Carvalhinho,parente dos antigos donos da Borda Mata,Antonio Caixeiro,pai do ex governador de Sergipe, Eronildes de Carvalho.Munguengue,o primeiro povoado do município de Traipu,veja que já está mais perto.Mas esse quase ninguém vê as mais de cem casas por estarem escondidas entre as mangueiras.Seu Oiô,se prepara e a lancha encosta,vai descer na sua Fazenda,que é antes desse povoado.Escurial,povoado prospero,terra de Atevaldo um colega de escola,do outro lado,tem uma feira aos domingos muito boa ,para os poucos habitantes da região.Vizinho por uma lagoa tem Lagoa Funda,outro arruado, em cima do morro.Barandão são poucas casas,todas em cima de uma elevação cujo fundo é um precipício para o rio,o Acesso ao rio, é pelo combro,baixio.Me alegro mais ,da proa da Tupã,procuro no horizonte cinza,um sinal de minha terra.Ainda não dá pra ver.Um pouquinho mais, o sol clareia,deixando s uma parte mais branca,ao longe ,imagino vê que parece ser a torre da igreja de Nossa senhora do Ó.Fico apreensivo e não tiro os olhos.Sentado com aquele olhar fixo,vem as minha indagações,como eu serei recebido?Mas se depender de minha mãe, será como um rei, pois não esqueço que da ultima vez,recebi o beijo e o abraço dela, melhor que já ganhei na minha vida.Era aquilo o meu porto seguro.Minha queridinha mãe,falando mais doce que das outra vezes,imaginava o meu céu.Os minutos demoravam demais,mas a visão cada vez era melhor, até que avisto o Tijuco,lugarzinho em Sergipe,que o povo desce na ilha bem distante daquele morro onde o lugar está trepado.A lancha procura o lado de Alagoas, vejo a Fazenda de Antonio Nunes,a Lagoa Grande depois vem, Lagoa Funda ,Marcação,e finalmente Sacão três fazendas muito conhecidas da gente.Traipu já e um pulo.O porto para encostar, é o de cima.A lancha passa pela rocheira onde a gente vibra de felicidade, com alegria e surpreza, a imagem de Nossa Senhora do Ó,parece que está de outra cor.Finalmente o motor fica contando tempo.É essa minha terra querida,pena que de vez em quando tenho que deixá-la,penso.Antes de colocar a prancha para descer.Grita uma mulher aflita, alegrando todos:seu Quincas,Zé Messias,Veinho, e os outros,venham com Deus!Sejam bem vindos.Todos só podem subir depois que os passageiros descerem, é a regra, mas aquela mulher, não, aquela de saia nos cotovelos dos pés, é a rainha do porto.Sobe primeiro que todo mundo,tem toda regalia .É Maria Chicão,com seu tabuleiro de cocadas,na cabeça.E quem ,não gostava de Maria Chicão? Duvido.Tava ali, pra ver! TRAIPU TERRA DA GENTE PENEDO NUMA CANOA DE TOLDA. Era muito pequeno, mas me lembro, vagamente a ida para Penedo numa Canoa de Tolda, de seu Jazon Palmeira. Alem da tolda original da frente,foi feita outra de lona e esteiras no meio,par proteger todos contra as intempéries.Eu meus irmão maior ,minha mãe,saímos de Traipu,pela tarde.A canoa vinha bordejando.Ora estava margeando Sergipe ,ora Alagoas,nesse vai e vem até escurecer,quando chegamos perto de Amparo de São Francisco.Dentro da canoa,já tinha tudo. Hora de tomar o jantar.O café era feito em cima do beque de traz,sob uma chapa de ferro num fogãozinho a carvão.Sob a luz do lampião,e no claro da lua,tomamos nossa refeição.Não tinha muito o que fazer ou ver se tudo era quase escuridão.Já não tinha mais vento para bordos.O canoeiro agora tinha que zingar de rio abaixo,a noite toda.Fomos dormir,só acordando com o sol nascendo no porto de Penedo,precisamente na rua dos Pescadores. Fomos a casa de minha madrinha Aparecida ,uma irmã, de criação.Ela fora criada por minha mãe antes de casar e vim morar em Penedo. A Canoa ficou nos esperando no porto até minha mãe resolver os problemas dela de saúde. Tudo era distante, e o lugar mais próximo para resolvermos os problemas nossos daquele envergadura,só Penedo mesmo,onde tínhamos apoio para aquilo.Nunca eu tinha viajado para fora na minha vida.Não tinha nem noção como poderia ser o outros Lugares.Vendo Penedo,la no pé da rocheira,uma cidade Antiga de Casarões bonitos,estilo colonial, de uns sobrados velhos, escurecidos pelo tempo,muitas igrejas Barrocas,casa da forca,canhão no pátio de uma praça apontado para o rio ainda resistiam ao tempo,mostrava a era do apogeu daquele lugar.No comercio frente ao rio uma feira grande,com muitas canoas encostadas no cais.Não tinha sido tombado como patrimônio publico essas construções.Mas achei bonito,acolhedora ,de pessoas educadas.Era véspera de feira,que as carroças de burros passavam carregadas de carne bovina vindo dos matadouros.O movimento se via,coisa que não acontecia em Traipu.Tinha uma ladeira bem em pé,onde passamos para ir para a casa do doutor.Resumindo minha mãe resolveu seus problemas.Estávamos desocupados.Gostei muito de lá ,mas minha terra era melhor,eu vivia num céu.A saudade de minha casa,já batia no meu peito. Apressava minha mãe,mas minha madrinha dizia deixe de vexame.Nunca minha mãe tinha deixado a casa a dela só.Também tinha necessidade de voltar logo.Compramos o que devia.Embarcamos com os dando adeus aos meus parentes.Finalmente os panos são abertos e a canoa pega o rumo do sertão.Chega de praia.As paisagens dali eram planas,diferente do sertão.Dava pra ver Neopolis ao longe,e Carrapicho de frente,lugar onde tem artesanato de cerâmica.De panos cruzados ,a imponente Cananéia parte. Diz o canoeiro ali é a barra de Igreja Nova onde o riacho Marituba,enche a vasta planície da vazante de Igreja Nova,para lá mais de dez quilômetros de várzea a dentro. Mas na frente ainda em Alagoas,muitas mangueiras,pelos vales,nos combros não deixavam ver as casas direito,Chinaré.lugarzinho de casas afastadas e escondidas.Aqui acolá uma fazenda e com a bela residência, em cima dum pequeno morro.A canoa sempre de panos cruzados,rompendo a beirada sergipana duma ilha.Vamos em frente.São quatorze léguas para vencer a correnteza até Traipu.Muitos lugares que passamos não lembro mais o nome,mas tinha morro de um lado, planícies e mais morros.Tudo era bonito de apreciar.Ate que anoiteceu.O vento fracassou.Tivemos que dormir no meio do caminho.Passamos por muitos pescadres em atividade,tanto de tarrafa,de redes e até de linhas de mão.Eles apoitados nos remansos,pacientemente ferrava algum peixe,para sua alegria.Mas na canoa que a gente ia ,tinha tudo,era como ma casa.Encostamos numa de pescaria para compramos um peixe ,cardápio do almoço.Lá pelas dez horas dava para sair,o vento já soprava .Andamos a principio devagar,as vezes os panos ia só dum lado,mas depois que panos estavam cruzados, a velocidade aumentava.Sentia as águas serem cortado a pela proa com a rapidez da canoa.De dentro da tolda,pela janelinha estirava a mão e pegava na água do rio,fazendo um barulho,como se tivesse medindo a carreira.Logo mais adiante se avistava Traipu entre cinzas branca,que se formava devido a distancia.Era a hora de aportar.Finalmente já chega de viajam,Estava bem e feliz sentindo o solo Traipuense nos pés.Sim agora estava no meu paraíso.Me sentia feliz da vida.Tudo estava como antes..Antes pensava que todo lugar era igual aquele ali onde eu vivia,nunca tinha noção de como era os outras cidades.Conheci outro mundo, alem daquele meu .O meu é melhor,valeu a pena. Curtir • • Seguir (desfazer) publicação • 19 de novembro de 2012 às 13:47 Lucinéa Santos, Elmanuel Machado, Júlio C. Houly César e outras 5 pessoascurtiram isso. Júlio C. Houly César Fiz muitas vezes a viagem Traipu - Penedo;não de canoa mas nas lanchas TUPÃ, TUPI E TUPIGY, que acho nem existem mais; Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE EMERGENCIA Peço aos amigos que não se zanguem com as muitas besteiras que escrevo. Sei que a expectativa é uma, mas mesmo assim, acho que alguma coisa desses casos, deixa alguma lição, para ser refletida.Por exemplo quero antes de contar afirmar, que gritar as vezes é a solução para alguns problemas.Tem até um ditado ,quem não fala Deus não ouve.Você sabe porque as igrejas,evangélicas se enchem de gente,hoje?O que não podemos é ser ignorantes, e desbocados com palavra que ofendam, ou de baixo calão. Mas soltar nossa voz pedindo socorro, ou coisa assim, vale a pena. Tudo, porem têm, suas conseqüências negativas. Estudando no Colégio Agrícola, morando no próprio colégio,que funcionava como internato, no município de Aracaju,já passava do primeiro semestre escolar. Éramos perto de seiscentos alunos e umas cento e cinqüenta alunas. Só os dormitórios eram separados. Vivíamos dia e noite naquele colégio fazendo suas refeições as três vezes por dia.O cardápio,não seguia regra de nutricionista.Acho que eles compravam o que melhor lhe conviesse,ou que fosse dentro do orçamento e do agrado,dos diretores.As vezes eles faziam refeições conosco,para nos provar que a comida era boa.No entanto, era deficiente em elementos como cálcio e outros nutrientes. De repente nas pequenas quedas ,que levávamos,havia quebra de algum osso, perna, braços. Nos jogos, quase todos os dias tinha gente de braço quebrado, canela rachada. O colégio, já gastava dinheiro com hospital, mais que o normal, para remendar braço ou perna de aluno. Deduziram que era a alimentação. Foi preciso, muitos fraturar ou quebrar ossos, para que revissem o erro,e tomassem providencias.Estávamos carente de substancias. Introduziram ovos e leite nas refeições. Até mais da conta..Santo remédio,nunca mais ninguém quebrou nem uma Tibia,nenhum osso. Até eu,no vestiário escorreguei ,caindo sobre o braço, quebrando os dois ossos,rasgando o coro ,devido o nervo envergar a mão para trás. Foi a única vez que desmunhequei!.Quando vi aquilo fiquei desesperado. Chamei os colegas, e imediatamente fui conduzido para o Hospital de Cirurgia de Aracaju.A gente tem substancias dentro de nós,liberando anestésicos próprios,porque vendo aquilo tudo o sangue correndo e não sentia dor.Quando o carro passou no portão, do Hospital,um meu colega perguntou como tava se doía.Eu disse que não.Tava tudo bem.Ele então recomendou:ta na hora de gritar.,Abra o berreiro,grita muito, que o socorro é na hora,senão você mofa no corredor.Assim fiz.Chegou no mesmo instante, uma equipe de médicos,me colocando numa maca, em menos de meia hora o braço já estava enfaixado,tirado raio x,caso resolvido , já voltando para o Colégio.Mas como tudo tem suas conseqüência,aquela equipe de carniceiro,dizia, enquanto ajeitava me braço,cabra frouxo,agüente firme deixe de ser mole. Nem desconfiaram que aquilo fosse fingimento. Fui um bom ator. Todos os procedimentos foram sem anestesia e com urgência.Eram estagiários,médicos novatos, que aprendiam, também me fazendo de cobaia.Quem não grita não vende seu peixe! Mas valeu a pena! Ciro Machado O RODEIO Chegaram uns toureiros em Traipu,só com armação do curral, a lona de proteção,e pouca coisa mais.Queriam brincar tourada,coisa que há muito não se via lá e redondezas.Foi armada na rua da ponte.Ainda era no Barro e não tinham as casas de baixo,perto do rio.Todos ficaram apreensivos gostara,queriam assistir.Os fazendeiros cediam alguns rezes,as mais afoitas para aquele evento.Mas o gado de um brincava um dia,no outro seria de outro e assim por diante.Ninguém tinha gado arisco suficiente para mais de uma noite.eles até que davam o recado direitinho quando uma ou outra vaca ,garrote ou boi queria brigar,e partia para cima.Os toureiros tinham coragem,até pulavam montando no pescoço do boi na hora que ele investia contra o toureiro.Bastião Chaves e outros tomavam cervejas dentro da arena,zombando do boi ,que as vezes os faziam correr,ou subir,nas cercas.Os toureiros interferiam,protegendo-os.Vieram também me pedir,umas reses.Cedi algumas ,que apesar de mansas no meu cercado,depois de acuadas entre o curral e a platéia gritando, brigou pra valer.Antes ,na bilheteria estava o dono daquele evento,quando cheguei com meu vaqueiro e meu irmão para entrar.Veja, tinha cedido aqueles animais sem receber nada em troca.Na entrada disse que se tratava de meu vaqueiro o que conduziu o gado e meu irmão.E le com a cara de pau veio cobrar a minha entrada,para eu ver meu gado brincar,dizendo que já tinha colocado dois.Imediatamente,ameacei retirar minhas reses do curral,para que ele desistisse de tentar me cobrar.Tinha feito o mesmo com os outros criadores,que já,não mais cediam seu gado nem mesmo pagando.Ele tinha gostado daquelas minhas garrotas.Me perguntou se eu poderia trazer-las outro dia,para mais outro espetáculo.Ele ficou só na vontade,porque não mais nem cedi gado para sua tourada,nem ninguém,tendo que sair de Traipu,para levar suas tralhas para outra praça,as custas da prefeitura.Disso ficou uma lição que aprendi ligeiro.A ingratidão é o lago onde os insensíveis se afogam. Coisas da vida! Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE VIAJEI NO COMENDADOR Pode até parecer uma besteira, dizer que, viajei no Navio Comendador Peixoto, e sou feliz por isso, mas não é .Talvez seja a lembrança mais importante da minha adolescência ,e de todas as viagens que já fiz em minha vida.Nenhuma pode se comparar com aquela.Nenhuma foi tão especial.Era e foi privilégio de poucos.Não tinha nada de excepcional, mas aquele navio era diferente,a gente gostava de ver .Para nós meninos era fantástico.Parecia que a gente sabia ,que era um coisa para se fazer uma só vez na vida,mas quem fez mais de uma, teve mais sorte.O Navio a gente sabia ,ou melhor sentia, que seus dias estavam contados.O motor a Diesel já tinha chegado, na região,iria substituir,aquele vapor a lenha.As lanchas já começavam andar,Uberlândia,Tupan,Tupi,Tupigy,Iolanda, o rio já começava a ser barrado lá nas Minas Gerais,e Pernambuco,as cheias já dependiam da mão do homem.Ele ,o navio, era agora do governo,da CVSF,Comissão do Vale do São Francisco,com sede em Penedo ,Alagoas,porque o particular industrial, Dalmo Peixoto, não mais agüentou sua manutenção, vendeu ao governo Federal.Já esse, não teve interesse e o abandonou no porto de Penedo.Um dia afundou-se com um furo no casco,naquele porto que parou para sempre.Tinha eu,mais ou menos treze anos,vinha do colégio onde estudava, avistando no porto de Propria,ancorado no cais, aquele colossal Navio,que logo mais sairia para o sertão.Passaria em minha terra.Maior sorte,nunca tinha andado nele.Sempre foi o maior desejo.Acho que tudo que a gente deseja com o coração acontece.Junto com os colegas,subimos pela prancha no primeiro pavimento,por onde nos embarcamos naquela maravilha,navio gaiola.Subimos ao andar de cima por uma escada de ferro,para o lugar onde viajaríamos.Atrás de uma varanda na frente ficava a cabine do piloto,com o comando de todo navio.Essa varanda se estendia em todo seu tamanho,protegida por um alambrado gradeada,e firme por ferros,no teto.Visinho a gabine ficavam dormitórios ,tanto de um lado, quanto do outro.Logo depois uma mesa grande do refeitório, rodeada de bancos.Ao lado ,os bancos por onde descansávamos.Na parte de trás,ficava a cozinha,os banheiros e outra varanda no fundo.Em cima no teto ficava a chaminé,buzina e barcos de lona branca, salva vidas,seguros por guinchos,prontos para emergêcia.Tinha a cor Branca,com a base Preta.Chaminé, ganchos e demais peças também pretas.Por dentro predominava o creme claro. Minha maior surpresa, que viajava muita gente de Pão de Açucar.Coincidiu,eu conheci parentes meus, que ainda não conhecia,moradores de fazendas em Belo Monte.Eram de Pão de Açucar,.Umas primas,e primos,animando mais, a nossa viajem.O navio bonito e luxuoso ,para os padrões da região,seguro,e por incrível até silencioso.Dava-se pra ver e ouvir as espumas das águas fervendo,entre os lados,devido ao corte das águas pala proa de ferro.Aliás ele era todo de ferro.Se fosse para traz ,observava-se o redemoinho da água, que a poderosa hélice,fazia impulsionando ,aquele tramboio de ferro bruto. .Tanto na frente ou atrás,o conforto,a ventilação, junto com a vista era a melhor possível.As cidades e fazendas iam ficando a medida que o navio avançava.Jundiaí era a primeira delas que avistamos,Casa bonita em forma de Castelo.Colégio cidade com uma igreja bonita de duas torres, próximo ao porto,onde tem um cais com rampa para o rio.A Sementeira indígenas moram,e da para ver eles ate tomando banho de rio.Essa sementeira parece que já foi um Colégio de Freiras,daí vem o nome da cidade.Amparo de São Francisco,e São José, em Sergipe,tem uma adutora para Aracaju,ainda, Borda Mata fazenda antiga,onde lampião andou e tinha proteção,Aningas é de Pedro chaves dono também da Cabo Verde em Propriá,fazendas bonitas,no lado Alagoano,Tibiri,Lagoa Comprida,povoações de poucas casas,e São Brãs simpática cidade com uma bonita Igreja.Morro do Gaio, adutora que abastece Arapiraca e região,em frente doutras fazendas de Sergipe.Escurial,Lagoa Funda,de Miguel Alves, e Barandão povoados sob morros de rochas,no lado sergipano,Bom Jardim,terra de Evanildo,seu Oiô,e muita gente boa,Ouricuri,e Tamburi,terra de Abelardo Damasceno,Croas,da Familia de Eduardo,Lagoa Grande, de Tonho Nunes,Lagoa Funda de Neco,Marcação de Luiz Tavares e Sacão de Julio Machado, antes de Traipu em Alagoas.Depois de Barandão ,se vê baixadas,ante do Tijuco,terra de minha primeira mulher,em cima, dum morrinho,separado da serra da Tabanga por um riachinho e o sitio Oití. Tinha aquelas pessoas, que já vinham de Penedo, por isso ,usavam os camarotes, as viagens, mais longas. Talvez estivessem fazendo excursão. De Penedo a Traipu são quatorze léguas, e de Traipu a Pão de açúcar outras quatorze.Iam muitos fazendeiros ricos para suas terras no sertão ,Erpidio do Araticum,Zuza Tavares da Fazenda São Luiz,Gararu, ,Miguel Machado da Fazenda Prazeres, Getulio Tavares do Saco do Medeiros,Tonho Nunes da fazenda Lagoa Funda,Noé ,da Jacobina era logo conhecido,pelo jeito de falar,um pouco foen, gostava de conversar,contar casos.Outros e outros mais,tinham tempo e curiosidades de nos conhecerem,queriam saber quem éramos,de onde viemos e para onde íamos.O navio parava de frente as cidades,no meio do rio,enquanto as canoas traziam ,e de volta ,levavam passageiros.Poucos lugares , que dava para encostar no porto.Colégio,São Brás,Amparo,sempre teve gente embarcando e descendo.Nos povoados e fazendas,o navio diminuía a marcha e devagarzinho as canoas encostavam,para subir ou descer pessoas.A porta de entrada era embaixo e no meio do navio.Tipo portãozinho de ferro.Gostava de ficar, horas curtindo as fazendas e povoados,todos cheias de gente para ver, a passagem do navio ,que apitava de vez em quando. Parece e dava para ver que até o gado vinha olhar o navio passar,só de curiosidade.Era ele uma preciosidade .Via-se um lugar, la vai aquele apito particular,poderia ter passageiro ali. Por isso que avisava antes, para alguma canoa ter tempo,de o acompanhar.Eu já até sabia,quando diminuía a marcha, ou tinha passageiro para subir , descer ,ou era baixio.Não podia pregar.Já imaginou um navio desses encalhado numa croa!Uma canoa de pescaria,que trazia um passageiro ,quase afundou quando bateu de vez,no casco dele.A marulhada das águas,devido ao vento,dificultou a ação. Avistava, minha querida terra, senti a alegria de chegar,mas confesso,gostaria que a viagem,durasse mais, fosse mais longa.Por fim chegamos de frente a Traipu.O navio parou descendo as ancoras pra desembarcarmos.Ficara de frente ao porto de cima ,no meio do rio,não dava para chegar no porto que era raso demais, para seu casco.Rio cheio,não, ele chegava e atracava na ribanceira.O rio estava com um nível baixo.Tonho bulachão encostou sua chata com um pano aberto outro fechado.Descíamos depois que os outros subiam,diferente quando encostam nos portos.Lá gritava Maria Chicão ,dando boas vindas,com seus bolinhos e cocadas,sempre a primeira a subir.Sabia vender seu peixe(cocadas).Viemos naquela canoa para a terra firme.Mesmo morrendo de saudade de casa,eram quase seis meses sem estar naquele lar.Mas só deixei o porto depois que vi o Navio sumir no horizonte do rio acima,tamanha beleza que eu achava e que não poderia perder.Não sei ao certo, mas parece que foi a última viajem daquele navio.Estava feliz!Quanta saudade! iro Machado FESTA DA PADROEIRA • A alvorada de fogos cortava o silencio da manhã, do primeiro dia de novena, da festa da padroeira Nossa senhora do Ó.A gente se acordava ouvindo a Banda de Musica tocar o dobrado 220, conhecido por todos nós, depois seguido pela Banda de Pife de Girau de Ponciano,que tocava a onça,uma apologia que os instrumentos,principalmente o pife faz imitando os sons dos bichos,gemendo,agoniados, sendo engolido pela onça.Essa bandinha já era freguesa da festa de Traipu. Todos estavam alegres porque chegou finalmente animação na nossa terra.A festa ansiosamente esperada pela cronometragem decrescente ,que a gente fazia dos dias. Já tinha vindo, muitos traipuenses, que moravam fora. Deixavam aquele período para visitar sua terra, porque coincidia com as festas de fim de ano ,as mais importantes,fase de reencontro desses conterrâneos ausentes.Era nessa festa que uns sabiam da vida dos outros, onde estavam habitando,o que faziam,em que trabalhavam,quantos filhos etc.Tinha deles que não falhava,Alfredinho de Ne Vieira,Valdir de Brasilia,Dr.José Rodrigues Lisboa,D.Aiá Chacves, ,Zé de Jason,Dorgival Santana,Tonho de Mano,Zé Geda,Antenor Geda, Pedro de mariinha que vinha do Pará,todos os anos,e tantos outros.Tinha também aqueles que só chegavam nos últimos dias,com Dr.Zé Medeiros,O pessoal todo da família Houly.Deputados ,prefeitos de capitais e cidades vizinhas,Mas sempre marcaram presença prestigiando as comemorações de Nossa Senhora do Ó. Alguns,queriam mostrar que valeu a pena o sacrifico de morar fora,mesmo deixando com saudade esse torrão querido,estavam bem de vida,agora exibiam carros e roupas de marca,a família nova e diferente.Alguns já até falavam de outro jeito ,com sotaque doutra região.A cidade se movimentava,com a chegada cada vez mais de pessoas que não paravam de aparecer ,deles que vinham, pela fama,queriam conhecer a cidade e as festividades,até gostavam,prova que retornavam,noutras festas.Também com um rio desses, com praias lindas, de águas doces e mornas,paz e tranqüilidade,sem transito caótico,como de cidades onde viviam.Parecia que o tempo tinha parado nessa cidade.Seria um paraíso no sertão da caatinga nordestina.O parquinho São Jorge de São Brás,já estava armado nos fundos da praça do Pirulito,ao lado oeste da igreja.Esse suportava gente grande,de peso razoável.Um alto falante tocava musicas apaixonadas.Mais na frente uns brinquedos vindo de Colégio,de Tonho Caboclo,pai de Tonho da Lancha,tinha umas Patinhas para crianças uns cavalinhos , uns carrinhos,coisa de meninos pequenos,mesmo.Do outro lado da igreja estava armado três grupos de Barcos,doutras companhias,inclusive um de Piranhas município de Traipu.Os barcos movidos a braços fortes, puxados por duas cordas cruzadas ente se,faziam subir a tempo de desabar para o outro lado.Na hora do freio,uma alavanca subia uma tabua,no chão ,travando uma quina inferior do bote,fazendo o barulho com uma pancada daquele brinquedo com a trava,amortecendo aos poucos aquela velocidade do vai e vem.Chegou um Curre,que é um carrossel coberto,com beiradas enfeitadas,onde um musico sanfoneiro de oito baixo,tocava um baião, alegrando os casais que passeavam,ou namoravam alegres nas bancas duplas,durante o percurso noturno.As noites eram muito animadas,prometiam sucesso, aquela festa.Tiro alvo de Vigarinho,com espingardas de setas,e outros tipos de jogos, que não atentassem contra os bons costumes.O padre José Batista,não permitia banca de bebidas alcoólicas,bares, ou coisas profanas.As vezes aparecia um joguinho de azar,ou um bingo.Tinha pescaria de brinquedos na areia,jogo da argola,onde ficavam notas em tabuas quase no tamanho das rodas etc.Só se via brincadeiras que não fosse contra ética religiosa.Afinal de contas a festa era religiosa,católica,mas para todos,respeitando as leis e vontades dos organizadores.As bancas de lanches,cocadas,roletes de cana em palitados,pirulitos de mel,nos tabuleiros,bolos e pouca coisa.Naquele tempo não existia batatinha frita pastel,ou sanduíches.As merendas eras rústica e primitivas.A distancia dos centros e dificuldades de transporte,fora a conservação não deixavam certos produtos chegarem ao mercado de Traipu. Regina e Pureza de Maria Chicão vendiam cocadas, bolinhos e pão de ló,Inez de Ariston cocadas e pirulitos de mel,Dona Alzira ,e sua filha Lenair vendiam cocadas baianas, a banca de dona Maria de Ariston vendia pipocas,pirulitos,cocadas,e roletes de cana enfiados em palitos de tabocas.A novena tinha começado,rezada em latim,com musicas cantadas e entoadas no sistema Gregoriano.Muito linda a novena.Suas musicas que o coral cantava,eram puxadas pelo musico saudoso seu Onofre.A homilia e a própria novena era sempre feita por um pároco vizinho,convidado ,auxiliado pelo local ,especialmente para aquele dia, para aquela noite,bancada pelo homenageado.Ou seja noite do funcionário,do pescador ,do agricultor, do solteiro do casado,ou até de uma família,por exemplo a Medeiros.Depois da novena os foguetes subiam nos ares,anunciando outra etapa da festa. Já tive o prazer de ver uma chegança na rua que desse da igreja, a procura do consome, armada bem em frente a casa de seu Pitonho,onde seu Puleu como comandante do navio,que estava enfeitado onde povo da rua do Tamarati,brincava bem vestidos de marinheiro ,cantando as musicas típicas daquele folguedo,com alegria e prazer,e beleza. Outra noite era a vez do pastoril do nosso lugar mesmo, animando a noite de novena. Dava gosto ver a disputa entre o azul e o vermelho. No final das contas a Diana de duas cores interferia no meio, e aquela guerra,ficava no empate.Todos saiam ganhando, em paz. Há ,se as guerras fosse de brincadeira e ninguém morresse!As mocinhas bem vestidas, bem apresentáveis, passearem pelas calçadas das praças,para nossa alegria,e nossa conquista.Simpatizei com uma ,falei para meu amigo Hélio,-dê um recado aquela menina, lhe diga que eu quero namorá-la.Ele foi lá, perguntou se ela queria namorar com ele,na bucha lhe respondeu -,não,então consertou dizendo,não sou eu é o Ciro,ai então ela falou- aceito.Nunca esqueci ,e aprendi a não mandar mais recados.Eu ,se quisesse tinha que falar.A banda de Musica iria tocar uma retreta,na frente da igreja para alegrar os conterrâneos,enquanto não chega a hora do leilão.D. Alzira e sua filha Lenair, ,recolhiam, sua banca de cocadas,e doces ,em sua casa na rua do Sol,pertinho pelo beco de Eronilde de Bela,para assistir e ouvir ,com orgulho,seus filhos Esmerino no Clarinete e Dinho na Trompa, ,tocarem também com os outros. Tire o molde e bote o modo ......O leilão tinha começado,gritava Serafim de Pedrão,com seu jeito peculiar de conquistar os fregueses daquelas guloseimas oferecidas,que tinham sido recolhidas, durante o dia nas casas dos traipuenses,que faziam questão de doarem.Terminado o leilão,vem a vez dos fogos.Todos os dias com noite diferentes,iam melhorando a medida que avançavam para o fim.Lembro que no ultimo dia, o dia mesmo de Nossa Senhora do Ó,que é 18 de Dezembro,depois do leilão e tudo mais, foi a vez de soltar fogos.Nessa noite tinha roda de fogo com a imagem da Santa,Os fogos clareavam um quadro que desia a foto de Nossa Senhora.Tinha Balão,para ser solto, e a guerra do Navio e o Avião.Soltaram o Balão,colorido e até grande, que parecia um sucesso,mas fracassou caindo em cheio numa plantação palmas da Fazenda Paraná.Foi uma destruição só.Um desastre ,um grande prejuízo.Também foi o ultimo que subiu nos ares de nossa terra,durante as festas que seguiram.Chegou a vez do navio contra o avião.Era um espetáculo a parte.Todos queriam ver,mesmo beirando a meia noite ninguém queria perder aquele espetáculo pirotécnico.No outro dia a tarde haveria a procissão conforme anunciado na novena.Seria as quatro horas da tarde.Mas asses fogos representam a guerra,tem até o nome de Bombardeio.Gritavam,toca fogo no avião vai haver o bombardeio.Vai o fogueteiro com um tição aceso e começa.O avião feito de papel de seda azul,levando nas asas ,foguetes,sai por cima dum fio de arame a procura do navio vermelho ,também de papel seda , como o outro , sobre uma carcaça armada de taboca.Esse recebe o impulso e o primeiro tiro do avião,que de ré volta, para sua posição inicial.De repente em chamas sai correndo naquele fio,o navio a procura do avião ,que recebe uma rajada de foguetes e bombas.Só se ouve o estrondo duma seqüência delas pipocando,sob um clarão de fogo, ate que as duas carcaças fumarando sem graça e sem aparência,sobram no ar entre as duas bases,que seguram aquele arame.Isso é o resultado de uma guerra,onde dos dois opostos se destroem.Esse fogos representativos, deixam na nossa consciência ,de que guerra nenhuma vale a pena!Todos Só perdem! TRAIPU TERRA DA GENTE CAVALOS DE MANCAMBIRA Menino fica feliz com pouca coisa, brinquedos simples, feitos com capricho, e com sacrifício, do próprio punho. Assim eram os cavalos de macambira, que brincávamos pelas ruas poeirentas de Traipu,naquela época.Íamos no mato a procura de fecha retas e resistentes,que ficavam no meio da plantas de macambira,uma bromeliácea comum na caatinga traipuense,principalmente em cima dos morros de pedras.O morro do Urubu,onde hoje existe muitas pocilgas era cheia daquela planta.Procurávamos fazer uma cabeça para o cavalo,da parte mais grossa da flecha,com capricho,colocávamos cabresto e saímos em grupo de mais de dez meninos a correr de rua afora,na maior euforia,como se fosse uma cavalgada.E era sim, nós pequenos,brincávamos o dia todo,feliz da vida,parando nossa diversão, depois de bem cansados ,mas realizados. Lembro que um amigo nosso,filho de um rico,chegou com um cavalo de pau comprado na praça,com duas rodinhas ,cuja cabeça tinha até cabelo.Foi brincar conosco,mas ficava diferente.Apesar de ter requinte,pra gente,aquele cavalo parecia ser leproso,o nosso era melhor.Recordando , vejo como os valores,hoje, são diferentes. Não se vê mais os meninos brincando daquele jeito..Hoje, ficam no pé duma televisão assistindo desenhos ou jogando games. A gente corria, fazia exercício, gastava energias, era feliz.As vezes saia pequenas brigas,mas era natural.No outro dia tava tudo bem.Com toda dificuldade existente,com certeza ,melhor ser menino,naquele tempo. TRAIPU TERRA DA GENTE Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE SECA DE SETENTA Abril, nem um pingo de chuva. Haja simpatia, rezas e experiências. Roças queimadas limpas esperando a chuva chegar para começar o plantio. O gado já seco de tanto caminhar a procura do rio, o ano que passou não deu nada, o milho as bonecas não vingaram por falta de chuva,nem capuco tinha nas poucas espigas que se via.Todo feijão plantado, as plantas viraram pó.Via o gado batendo o queixo no chão ,para ver se abocanha alguma folha ou palha seca dalgum capim. Muitos agricultores,olhavam pra cima o sol fino,sem nenhuma nuvem.Eu via o Luiz dos Anjos que olhando pra cima dizia:Deus tenha piedade de nós,mande alguma chuva.Nenhum sinal no céu.O povo já passava fome.A única farinha que aparecia na feira era a tal de fogo pagô,rola voou,pior sem ela, muitos outros nomes que se criava em ironia a qualidade ruim.Houve até ataques nas feiras,às bancas de cereais, aglomerações na porta da prefeitura.Aparecia alguns retirantes, até um tal de” Reis “ vestido numa bata tipo um chambre,cabelos compridos.Era um lunático rezador fazendo procissão para chover,tipo Antonio Conselheiro.Quanto mais rezava mais o sol esquentava. O barro rachado seco e duro ,que nem pedra das barragens ,parecia com os pés rachados do sertanejo, lavrador dessa caatinga calçados nas alpargatas de sola,quando iam pra roça.O único alimento suculento para o gado,só o mandacaru cortado sem os espinhos,colocados nos balaios para as reses mais fracas.O xiquexique preto da cinza, com os espinhos queimado oferecido inteiros ,a macambira também sapecada batida eram jogadas no chão ,para ver se salvava o rebanho.Já tinha vaca na correia,comendo uma palminha com farelo de algodão para não morrer a míngua.Se fazia uma tenda por cima.Mas caiu,não tem mais força de levantar,morre.Era trabalho perdido.Aquilo que se fazia, é por pura caridade ao bicho que sofria,dava dó de a ver mugir pedindo socorro.Doía no coração.Enquanto a gente cortava os espinhos dos mandacarus,para depois oferecer as rosetas a elas,o gado com fome,comia aquele monte de espinhos,juntos num canto do tronco cortado, arriscando furar sua boca,tamanha era a fome.Mas tudo que se dava não bastava.Era pouco,os bichos estavam famintos.Os cavalos dos meus amigos que pastavam la na caatinga,também sofriam,sobre viviam porque eles traziam de suas casas,reforço de milho inchado,que ficava em molho dum dia para outro.Os cavalos pastavam em minhas terras para em troca me ajudarem a arrebanhar os animais até o rio, com mais de dois quilômetros de distancia .Bebiam muito,até demais,mas quando voltavam ,já estavam com sede de novo.Tornavam beber no outro dia.Era uma agonia.Nosso vaqueiro desistiu de trabalhar para nossa fazenda,procurando outro rumo ,outro lugar.Sua remuneração era quarteação.De cada quatro bezerros nascidas ele tinha um.Mas com aquela seca medonha,vaca nenhuma agüentava parir.Também não agüentou aquela agonia.Passou o tempo, sem um pingo d’água vindo do céu,entrou julho e nada,o gado morria seco de fome e sede.O urubu,não comia mais a carcaça,não encontrava mais carne,só couro e osso.Até ele também, estava migrando,passando fome no Sertão. A gente olhava pro infinito, já não avistava mais nenhum urubu.Mas para tudo tem um fim.Uma quentura diferente tomou conta daquele lugar,o tempo mudou,o mundo escureceu,e de repente um temporal desabou,a chuva bateu no chão levantando o aroma da terra molhando.As grotas correram, os açudes encheram.Os bichos pulavam de alegres os cachorros latiam felizes na chuva,os cavalos corriam e relinchando se empinavam.O bezerros saltavam em pulos curtos.Ate os meninos curtiam o banho de chuva que há muito não aparecia.Brincavam pelas biqueiras das casas.O povo já pode plantar .Muitos iam para as roças , plantavam milho, feijão e abobora,não podia mais perder tempo.Poucos dias mais, o verde mudou a cor da paisagem , já ninguém via mais aquela tristeza cinzenta que pairava antes, naqueles ares do sertão.Tudo tinha verde,tinha vida,tudo tinha se transformado.Como pode a natureza se vestir daquele jeito com um tapete verde aveludado,com uma rapidez daquela.Só mesmo coisa de Deus.E foi. Ciro Machado TRAIPU TERRA DAGENTE COISAS DA VIDA CANOA DE PENA Segundo historiador Medeiros Neto, a beira do rio de Traipu tinha muitas gameleiras e tamarineiras. Tamarineiras ,conheci e ainda hoje tem uma no porto de cima e mais duas na Rocheira. Marizeiras,arvore frondosa,mas baixa, ainda conheci uma perto do porto das lanchas onde o povo utilizava com estaleiro de canoa de pesca e tinha uma na porta d água da Lagoa do Padre, chamado P orto da Areia,hoje Av. Beira Rio.Mas tinha por perto muitas Timbaubas árvore grande frondosa,cuja raiz se faz artesanato.Nós meninos, da época ,utilizávamos para fazer canoa de pena,como também da madeira do mulungu,seco.Eram canoinhas compridas onde colocávamos penas de peru,para receberem impulso do vento.Tinha um leme reto de uma madeira fina.De meio dia em diante ,o vento estava forte.Era hora de colocarmos para pegar parelha,apostar corrida.Quando ela era de raiz de Timbaúba,corria demais,e ninguém conseguia recuperar.Sumia no infinito do rio, acima.Geralmente o lugar ideal era nas coroas de areia,frente a Traipu.Essas lembranças.voltam ,porque fazem parte de nossa infância,fazem parte da historia dos menino de Traipu.Acho que as brincadeiras dos meninos não devem ser esquecidas.Talvez esse tipo de brincadeira não existisse em qualquer outro lugar do mundo,fosse coisa particular do baixo São Francisco.Toda infância tem uma historia,que merece ser registrada.Vida boa sei que era.Voltar ao tempo sei que não.Mas lembrar faz bem,e como faz .São coisas de nossa vidas. Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE BANCO DE PROPRIÁ Miltinho,muito amigo dos funcionários do Banco do Brasil de Propriá,gerente e todos de lá,soube que aquele Banco tinha um linha de credito subsidiado,para ajudar agricultores,prejudicados pelas secas do ano 70 .Chegou em Traipu avisando as pessoas que poderiam se beneficiar daquelas verbas.Juntou muitos fazendeiros mutuários que precisavam de ajuda.Nos também necessitávamos construir açudes e comprar gado para repor as cabeças perdidas na seca, alem de outras obras mais, como construção de cercas ,plantio de palma.A Joelina, canoa chata de Tonho Bulachão saiu cheia na quinta feira a noite.Tínhamos que amanhecer o dia no porto de Propriá.Tonho zingando, de rio abaixo,porque pela noite o vento fracassara e os panos quase não enchiam de vento para fazer os bordos,a rota mais ligeira, era reta,pela linha da correnteza. O jeito era zingar na popa,enquanto o vento não ajudava.Afinal são mais de sete léguas de rio abaixo.Mas na volta, a tarde o vento ajuda,e com panos cruzados a gente chega mais rápido.Os passageiros deitados em redes armadas por cima de esteiras onde outros também dormiam,alguns dentro de capote,na popa em prosa com Bulachão.Na tolda de lona improvisava uns contavam lorotas,sob o clarão dum farolete, próprio de canoa,aquelas pequenas placas cujo vidro protegia a luz do vento.Lembro de seu Benedito de Olho d Água,Mane Pedro, da Pedra D água,Julio do Feijão,Zú de Manueis,Luiz de Zezinho da Regalada, e outros mais.Amanhecemos, como esperado naquela cidade.Fomos para um restaurante ,no Café Propriá,onde saboreamos ,na padaria dali um pão com manteiga regado a café com leite.Chegamos na agencia que abria as sete.Miltinho tinha ido no seu Jipe, com Barroca.Já nos esperava no Banco.Era nosso interlocutor ,nossa ponte entre o gerente e os funcionários. Ele gozava dos maiores privilégios. Tudo acertado cada um ,saiu com seu negocio resolvido.Todos alegres e com a grana no bolso podia até exibir o pacote de dinheiro,não existia ladrão,naquela época.Se perdesse algum dinheiro, porque caiu do bolso,mesmo assim , alguém achando,entregava,devolvia.O povo era de bem,podia-se confiar não existia golpes,ou coisa parecida.Havia os bons costumes.Eram pouco anos depois da ditadura,que apesar das mazelas deixou muita gente na linha.Ainda respeitavam ,e todos andavam na linha.Já em poder do empréstimo,alguns do nosso grupo, batiam no bolso,se achavam agora,ricos! Benedito de Olho d Água era muito conversador,gostava de uma prosa,e quase cego,com um óculos de fundo de garrafa.Na hora de sair, daquela agência trombou com a porta de vidro ,caindo para trás.Levantou-se e perguntou ao recepcionista do Banco:quebrou? Porque se quebrou, eu pago, pode botar na minha conta. Por sorte dele,e daquela repartição, o que se quebrou foi a cara dele ,por isso teve que fazer curativo na primeira farmácia, que ficava bem pertinho do Banco e seus óculos,tendo que comprar outro com urgência.São coisas da vida. Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE JOGO DE CASTANHAS Novembro,dezembro é tempo de caju,aparecendo bastante castanhas.Nós aproveitávamos e brincávamos e usávamos como mercadoria de aposta.Depois de ganho um bocado,servia para assar,em tachos improvisados pelos monturos.Coisas de menino .Tinha dois tipos de jogos :os de buracos de paredes por onde desciam as águas da chuva,vinda das calhas, do telhado das casas, as biqueiras dos platibandas.Lembro que quando acertávamos de primeira,o som ecoava em cima como um trombone.Teríamos que acertar naquele buraco.Cada um jogava a sua.Quem acertasse por ultimo era o ganhador.Ou seja o que errasse dava sua vez ao outro até um acertar.Os donos das casas não gostavam ,diziam que se jogasse com força , quebrava.Eram de cerâmica queimada.Mas jogávamos escondidos.Acho que naquele tempo, não existia canos de plástico.Não tinha sido descoberto ainda o PVC.Tinha o outro jogo no chão, no teço,ou seja tinha que acertar uma na outra castanha,como se joga chimbra ou marraite, os nomes comuns em Traipu de bolas de gude.Tinha que tecar uma na outra mesmo de raspão,mas dava bastante discussão por mal interpretação ,se acertou ou não.Quando acertasse ganhava.Sei que sempre dava briga no fim.Quem perdia não se conformava ,terminava brigando,para recuperar o perdido.Um dia fui jogar com Themo de Veterinário.Eram dois irmãos, estranhos que chegaram em Traipu,filho dum vacinador de gado que o povo chamava de veterinário.Tonho e Themo dois briguentos e bagunceiro,maloqueiros perdidos.Mas quando eu tava com meu irmão Ivan,eles me respeitavam. Eu temia o mais novo Themo ,que sempre me chamava para brigar, me desafiava,pra mim era uma ameaça,Ele vivia de peito empinado,parrando que era o tal. Sempre me acovardei, não queria brigar, medir força com o dito.Nesse dia , jogando com ele, por muita insistência da parte dele,ganhei todas as castanhas.Já tava de bolsos cheios. Ganhei o resto, mas, não quis me entregar, essas outras. Ainda por cima me deu um empurrão.Sabia que não apanhava dele,era só receio.Foi a faísca para que eu explodisse.Voei como um leão enfurecido, em cima do cara ,com toda raiva e força que possuía,derrubei-o no chão,coloquei sob meu jugo e esfreguei bosta de cavalo na boca dele.Dizia para desmoralizá-lo:-coma safado,vai coma,até que, ele chorando me pediu por Deus ,que o soltasse. Santo remédio. Passei a ser respeitado por ele e muitos outros da iguala dele, que viram minha façanha, minha força. Os do meu top,do meu tamanho,tinham que me deixar em paz, não me provocarem,porque na verdade nunca fui briguento.Um dia é da caça,mas o outro é mesmo do caçador.Coisas da vida. TERRA DE NOSSA GENTE COISAS DA VIDA TROLÍ Essa palavra para muito traipuenses de hoje é desconhecida. Para os meninos de hoje nem noção do que tenha sido, ou mesmo para alguns adultos. Hoje tem muitos brinquedos modernos, que nem precisa mais se fazer um Trolí ,inventar nenhum brinquedo, se nas lojas já têm prontinhos. Antigamente ou a gente fazia ou não brincava. Naquela época tinha que termos criatividade.Valia a pena inventar , coisas para brincar.Tinha o carro de quatro rodeiras,que era para andar na ladeira da rua grande.Da igreja a rua da ponte.Devia puxar uns cinqüenta quilômetros,os mais ligeiros.Tinha freio ,direção e tudo mais.Também todo dia tinha menino de cara ralada.Cada virada!Contava-se mais de dez carros de quatro rodeiras. Mas vou descrever mais ou menos o tal Troli´.Era mais simples.Um pedaço de ripa de três a quatro palmos,com duas cavas em forma de semi circulo,uma na frente e outra atrás,uma tabuinha pregada servindo de banco,outra mais fina servindo de descanso ,dos pés.Nas duas cavas na parte de baixo ,em semi círculos se colocava dois carretéis de linha,já secos ,ensebados,e seguro por duas correias de couro ou borracha .Os carros de linha secos eram as rodas daqueles brinquedos.Montávamos nas caçadas inclinadas da rua da frente e descíamos se arrastando em altas velocidades,até a última calçada.As curvas eram feitas ou seja a direção obedecia ao equilíbrio ,pendendo para um lado ou outro.O freio eram os pés.Traipu naquele tempo tinha muitas costureiras,como por exemplo,D.Maria José Bruno,D.Mocinha ,D Aniê, D.Jorgina,alem de outras que não lembro.Tinha também diversos alfaiate,Derso,Tonho Lima ,Zé Basílio.Nós fazíamos a encomenda,quando secasse um carro de linha,iríamos buscar,para os trolí...Alguns esquentavam,deixando a mancha do sebo derretido nas calçadas,provocando quedas em pessoas que andavam,por elas.Eram as nossas pistas,principalmente as mais lisas.As donas das calçadas não permitiam a gente andar.Tínhamos que andar escondidos.Quando uma vinha olhar ,a gente já tava lá em baixo.Ficava de cima só observando a hora certa de descer..Se Traipu não tinha Carros ,o povo teria que andar pelas ruas,e deixar as calçadas para nós guris dos trolís.Assim pensávamos.Que tempo.Coisas da vida. TRAIPU TERRA DA GENTE COISAS DA VIDA A MENTIRA Mentir é uma arte enganosa, que se desenvolve praticando.A mentira tem o poder nefasto de destruir as coisas boas.Dificilmente ela se utiliza,de palavras e fatos, para o bem.O cara acostumado a mentir,chega ao cúmulo de só acreditar naquilo que lhe convém.Até cria estratégias,para deixar a verdade escondida.Mas quando esta aparece,ele não aceita e imediatamente inventa uma desculpa,induzindo quem quer que seja a segui-lo no erro.Certa feita numa partida de futebol,o mentiroso,que é aquele que nunca aceita perder,viu seu time rebaixado, tudo claro , aos olhos dos torcedores.Mas ele arrumou um pênalti, bolado na sua cabeça para tentar anular aquela partida.A verdade ainda que tarde,aparece e triunfa.Tem um amigo,de nossa convivência ,mente, porque gosta.Não posso dizer o nome aqui ,mas muita gente sabe de quem falo.Naquele tempo os telefones,muitos poucos,menos de cinqüenta em Traipu,pertenciam a operadora Telasa.O nosso amigo,as três da manhã,chegou na casa do padrinho,para utilizar seu telefone.Queria dar uma noticia triste as suas irmãs, que moravam em Neopólis,Sergipe.Ligou para elas dizendo que o pai deles tinha falecido.Precisavam vim para o enterro.Morreu mais ou menos a meia noite.Seu cunhado atendeu o telefonema. Sabendo da sua fama foi logo, reclamando:-isso é hora de acordar alguém, com uma mentira deslavada dessas,conte outra ?Ele insistiu que era verdade.Mas seu cunhado sem acreditar,pediu que colocasse seu padrinho na linha. Queria confirmar a verdade,caso contrário,ficava difícil já que se tratava dum cara acostumado a mentir. É o resultado de quem mente. Coisas da vida. Ciro Machado Traipu Terra da Gente Coisas da vida Agora bateu uma lembrança grande de minha infância. Fiquei a imaginar o que a gente faz sem medir as conseqüências,quando se trata da natureza.Nós meninos daquela época,pegávamos nossas baladeiras,conhecidas em Traipu,como peteca,talvez porque fizesse o barulho “pé e teça”,quando a bala de barro saia do coro que ao dedos soltavam,passando entre a forquilha do gancho que a outra mão segurava, depois de aprumado no alvo.Nunca fui bom de matar passarinho de peteca.Minha pontaria sempre foi ruim.Só conseguir matar um ,com esse tipo de arma,durante toda minha adolescência.Foi até bom se assim,pelo menos muitos pássaros,se salvaram dos meus tiros.Mas a primeira vez que atirei num passarinho, meu primeiro tiro,acertei de cheio.Foi no corredor, perto da Fazenda Paraná,embaixo duma quixabeira,por trás das casas da rua da ponte.Era um “Querereu”.Que pássaro besta,ficou bem quietinho esperando que atirasse contra ele.Pior que acertei vendo-o cair inerte,já sem vida.Não tive remorsos na hora. Achava normal. Mas hoje,vejo que errei,e me arrependo.Nunca mais vi um “Querereu,em Traipu”.Pelo menos aqui, acho que entrou em extinção.Como sinto , ter contribuído para isso.Uns pássaros tolos,inocentes,parecido com Bem te vi.Não saia do canto,deixava a gente, acertar de cheio.Tinha até um apelido,conhecido por nós, o “Para bala”.Diziam que aparava qualquer tiro de peteca.Mas aquele,não segurou,não resistiu.Sinto muito,por ter dado sumiço num querereu.Tomara que ainda exista outros pássaros dessa espécie,para aliviar minha consciência.Coisas da vida. Ciro Machado Ciro Machado PEQUENOS CASOS DE TRAIPU UM DIA DA CAÇA OUTRO DO CAÇADOR Aos domingos nossa diversão era sair por ai montado nos nosssos cavalos a passeando e fazendo nossas farras,pelos sítios e povoados. Em Traipu,não tinha outra opção a não ser o banho de rio,ou passeio de canoa.Dessa vez fomos a Priaca.Eu,Hélio,Luiz Belota.Miguel,e mais outros,somando de oito a dez parceiros de andadas,passamos no sitio novo,e de La da Fazenda do seu Mané Aprígio,resolvemos nosso destino.Tínhamos amizades por todo canto,e nossa visita aos amigos era o primeiro passo,depois íamos nas bodegas tomar uma e outras,como de praxe.Pagávamos para todos que queriam beber conosco.Depois da farra,saímos alegres,aboiando como de costume sem incomodar ninguém.Sem motivo algum, levamos uma vaia de gritos duns maloqueiros.Paramos mais na frente,pensamos, refletimos,por que aquilo,se tratávamos todos bem,pagávamos para quem quisesse . Resolvemos voltar.Hélio falou,vamos enfrentar esses,valentes.Luiz empinando o Chumbrego seu cavalo,levantou a mão gritou bem alto:qual foram os cornos que mangaram da gente.Isso foi suficiente, para os caras saírem em disparada, correndo de pé pelo mato dos arredores.Os mais velhos que estavam na venda aplaudiam nossa atitude, falando assim;-agora magote de bagunceiro,vocês toparam homens de verdade.Esses caras são acostumados a agirem assim com as pessoas de fora e também daqui. São acostumados a botarem os caras que aparecem e se acovardam, para correr.Agora magote de safados,corram,desses verdadeiros herois.Isso nos dava mais fogo ainda.Na saída aqueles mais velhos aplaudiam ,enquanto os vagabundos,rasgavam o mato,nos peitos, com medo da gente.Só Deus sabe com a gente tava preparado para sair em disparada caso os caras voltassem.Mas acho que eles eram mais covardes que a gente.E triunfando devagar saímos cantando nossos abois ,a passos lentos e como heróis. Ciro Machado TRAIPU DE NOSSA GENTE COISA DA VIDA O INVENTOR DO CARRO A ALCOOL Jovelina ,uma baixinha criada por dois irmãos solteirões,Sinhozinho e Maria Julia,donos do Saco das Pedra,fazenda que naquela época produzia bastante arroz,tinha ótimas condições financeiras,por isso deu educação adequada,formando aquela filha adotiva em professora.Fôra Joveina trabalhar em Mata Limpa,pra lá de Lagoa de Canoa acho que na época era município de Traipu,conhecendo Zezé Guará,e se casando com ele.Foi tempo que lagoa de Canoa passou independente de Traipu,vindo aquele casal morar perto dos parentes,donos do Saco das Pedras.O Zezé não se contentava s com a rotina e sempre estava inventando uma coisa.Um dia chegou em Traipu montado numa carroça puxada por um jumento.Esse veiculo ,era com um eixo, como carro de bois,só que montada em dois aros de pneus de caminhão,aqueles aros bem grossos,raiados por ele de madeira dura.Queria andar em cima de rodas,chega de montar na biscaia seca daquela fazenda.A coitada da bestinha vivia seca, e mal podia com ele,alem do mais ,precisava de um pasto perto para colocá-la,coisa que não encontrava na rua.Foi mais além.Comprou em Arapiraca uma Caminhonete tipo fubica ,mas com uma frente bonita e uma andorinha de aço brilhante bem em cima do capuz dando imponência para aquele veiculo.Era uma verdadeira onça para beber gasolina.De longe quando apontava já gritavam,lá vem a Andorinha.Zezé pensou, ou ter, ou manter o carro.Mas já tinha criado amor aquele veiculo,não podia ficar sem .Estudou dias ate que, aproveitando a falta da venda do combustível em Traipu,(só se vendia gasolina em Arapiraca),bolou uma fórmula,que deu certo.Calculou com os seu botões,quanto deveria colocar de água no álcool que iria por no tanque de gasolina.O álcool puro poderia estourar o motor,pensou.E na medida certa fez o carro funcionar,até sua porta na rua Belarmino,quase vizinha a casa que eu morava.Parando seu veiculo de asas abertas,chamou as pessoas para mostrar o escape soltando água,com pouca fumaça.Rindo ainda dizia,sou foda ou não?Disse: está funcionando só com álcool e água.Continuou usar a mistura até não sei quando.Por coincidência ou não,alguém do IAA,de Alagoas,soube e passou a pesquisar o álcool como combustível.Deu certo e até hoje os carros a Álcool estão ai por todo mundo.Acho que Zezé Guará foi o descobridor do carro a Álcool.Pelo menos ,a minha homenagem é para ele.Grande Guará.Coisas da vida! 14-NO SORRISO DO TEMPO TRAIPU TERRA DA GENTE RETRATO DA SECA Ontem à noite, não pude dormir direito com os gemidos dolorosos de uma vaquinha que morria perto do curral nos fundos de minha casa. Se fosse um animal comum, que eu não conhecesse, já teria motivo suficiente para ficar abalado com pena, quanto mais esse, de minha criação, do meu convívio, que vi nascer, crescer, dia a dia como um ser de casa. Foi demais para mim. O berro tristonho, de dor e angustia que eu ouvia me deixava muito triste sem ação, sem sono. Só desejava ver o fim daquele sofrimento, daquela agonia. Muitos animais de minha criação já morreram distante de casa e de minhas vistas, sem eu ver ouvi sua reclamação, mas esse eu presenciava aquele martírio, me cortava por dentro. Peguei a lanterna, por instinto, cheguei perto como se fosse dar meu adeus. Se esperneando, retorcendo de dor, agoniada gemendo,sem entender o que lhe esperava, resolvi sair, já que não tinha o que fazer. Não tive coragem para outra decisão. Será se alguém tinha coragem de abreviar aquilo? Dar um tiro de misericórdia? Outros casos eu só tomava conhecimento depois do animal, morto. Tinha o prejuízo, sentia pena, mas sem comparação. Essa vaquinha que todos os dias me abaixava aos seus pés para retirada do seu leite, que me serviu de alimento, era muito próxima, e arriou de fraqueza, muito perto, no meu quintal. Dei ração, dei soro, fiz tudo que podia, para salva-la, foi impossível. O bicho fraco, quando arria não tem jeito,perde as forças, definha, com certeza morre. O verão prolongado sem chuvas,a seca tremenda que enfrentamos, arrasou tudo que se tinha nos cercados, para esses bichinhos comerem. Vivem o dia todo batendo o queixo no chão, cavando com o focinho as raízes de alguns capins secos que ainda encontra. Dava um reforço de farelo, mas é pouco. Precisa também de volumosos, e não se tem. Estão desnutridos sem força. A doença pior que existe, é a da fome. Os germes transmissores de moléstias da terra já não fazem mal, morreram com a quentura da terra ou fugiram do sertão. Não choveu. Não deu para fazer silagem, nos prevenir. Não pude armazenar alimentos para a seca. A precipitação correu morro abaixo, não jogou água nos açudes. Secou o resto que tinha. Todo animais aqui, só tomam água, que eu compro. O sofrimento do criador sertanejo é grande. O governo quando chega com alguma ajuda já é no fim. A burocracia impede de salvar o que resta. O sol quente escaldante faz subir do chão uma poeira de vapor fervente, que chega a doer nas vistas. O vento que passa baixo levanta o pó quente do barro vermelho, A evaporação puxa das funduras qualquer umidade que possa enverdecer arvores grande. Ultrapassa o solo ativo, vence o inerte chegando ao subsolo, ou rocha mater. Racha todo o chão. O mato é um conjunto de esqueletos de galhos retorcido e espinhos venenosos. Até a macambira e o mandacaru murcharam. E nós sertanejos, que tentamos ser fortes, aguentarmos o choro calado. No coração a dor latejante, da perda daquelas criaturas que sofrem esqueléticas com fome, fere mais que um punhal na alma. Quando amanheceu o dia, fui lá e vi os olhos fundos daquela vaquinha, abertos e inertes, cheios de lagrimas cristalizados pelo calor, olhando fixos sem vida, para mim. Passou na hora, um filme dentro da minha mente. Lembrei do dia que ela nasceu. Era época chuvosa, muito pasto tudo verde, vira seu primeiro berro, quando cambaleava a procura da mãe,que se ajeitava oferecendo a teta. Ela lambendo os restos do parto, deixava-a limpinha para a primeira mamada. Continuei pensando no seu crescimento aos pés da sua mãe, quando a peava para retirar o leite. E até no dia que ela resolveu virar vaca aceitando o touro, para cobri-la. Nove meses depois assisti seu parto. Vi-lhe feliz lamber sua cria, a fazer o mesmo que a natureza lhe ensinou, igual a o que sua mãe tinha feito. Procurar sua filha, ajeitando-a com a cabeça para que ela acertasse suas tetas. Tirei muito leite, do bom, todos os dias. Era bonita gorda, amorosa, amiga. Mas agora, no final dessa fita, lhe enxergo muito seca. Não tem mais leite, e nem vida. Ela até nome tinha, e me obedecia quando a chamava ele. Eu chamava para dar ração, obedecia cegamente de cabeça baixa. Mas nem tudo que a gente quer acontece, e um dia chega à separação. Não imaginei que isso fosse acontecer assim tão natural e triste. Isso doeu demais, foi de cortar o coração. Na realidade perdi só uma vaca. Porem, só sabe realmente o valor de uma dessas, quem cria assim de pequeno, de novinho, convivendo dia a dia. Repito, não foi qualquer uma. Essa era de casa. Assisti todo seu sofrimento, participando dele também. Que esse caso sirva de lição. Que as pessoas respeitem os animais, tratando-os com carinho. Que a seca seja um caso de passado com o presente da chuva. Que o milagre das águas, pinte e perfume a vegetação do meu sertão, com o colorido das folhas o aroma das flores. Com a brotação das sementes e o viço dos vegetais, trazendo alegria, vida e fartura para tudo e todos! Autor: Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE NO SORRISO DO TEMPO CARNAVAL I Os carros e motos passam correndo, têm pressa arriscam até acidentes,uns bem regulados silenciosos mais a maioria, num barulho infernal, porque querem chegar logo. Certas parelhas de motos parecem que apostam corridas, quem chega primeiro. Muitos até sem capacete desafiando o azar de pegar uma blitz policial, ou num acidente sofrer o pior. Ca de minha porta vêem todos com o mesmo fim, com abelhas num caminho a procura do apiário. Muito difícil um andar devagar, tenho a impressão até que todos estão doidos para participarem da festa que já começou na beira do rio. O portal da cidade enfeitado com mascaras e fitas,da boas vindas aos visitantes. Brinquem em paz. Esta escrito na cara da cidade. É carnaval, o povo de folga, nesses três dias, só de beleza sem ter o que se preocupar. Os carros particulares com as malas abertas já chegam curtindo seus sons particulares com musica de frevo até do brega ao forró,mostrando a todos que estão alegres,e vêm para brincar. Na frente da rua dos eventos uma corrente impede que os carros continuem. Só entram carro de policia guarda municipal e de alguns moradores dali. Curtir essa folga, nada melhor que no Carnaval de Traipu. Tem lugar de tomar banho de rio, de cascata artificial, e até da mangueira do pipa que fica lá em cima perto do palco,para refrescarem os carnavalescos,que pulam debaixo do sol forte com um calor de mais de quarenta graus.A temperatura da minha terra parece ser maior que o das outras,e durante esse período aumenta mais ainda. O rio cheio de banhistas, refrescando nas águas já escuras devido a quantidade deles, parecem mais peixes dentro duma rede , pulando quando puxadas pelo pescador de caceia. Alguns debaixo de barracas de plástico deitados se protegendo do sol escaldante. Muitos de shorts e biquínis passam protetor solar, para amenizar os efeitos dos raios fostes do sol. Alguns dormem com todo barulho, acho que beberam demais. É mesmo na beira do rio que corre um ventinho, mas depois das onze. As bestas lotadas despejam os passageiros no fundo da AABB. São ônibus caminhões, centenas de carros que estacionam perto do Ribeirão. O pátio grande cabe uma grande quantidade de veículos . As bestas e outros transportes, na frente do Bar de Anastácio, pegam também, aqueles que já brincaram e regressam para seus lugares. São geralmente das cidades próximas,como Girau do Ponciano,lagoa da Canoa,Feira Grande,Arapiraca,e todo interior de Traipu.Os que chegam nas lanchas, de cima vêm de Gararu, , Cazuqui, etc., mas os de baixo ,do Bom Jardim, Escuriais, Lagoa - Funda Barandão, e Tijuco. Alguns de Nossa Senhora de Lurdes, também em Sergipe.Outras lanchas atravessam as pessoas para o lado do rio,no pé da Tabanga. As coroas que esperam esses turistas oferecem uma água limpinha de cor verde esmeralda, morna, numa extensão bastante segura, muito raso, e de pouca corrente. Muitas barracas de bebidas e tira gosto, completam o paraíso que está incrustado naquele lado.Dá para se desfrutar da melhor vista que se alcança da cidade.No Porto da areia em Traipu, na beira do rio,a cascata virada para baixo recebe água duma bomba que puxa direto do rio, cuja sangria serve de cachoeira para os banhistas. Na Avenida Beira Rio, hoje praça de eventos Maestro Antonio Basílio, as fileiras de barracas e bares, estão funcionando a todo vapor. Tem barraca de cachorro quente, batatinha, caldo de cana pastel, de cerveja capeta, ambulante vendendo óculos escuros, DVD, e muito mais. O som do palco ecoa por todos os cantos da cidade. A alegria é geral. Tem hora que ele para, dar lugar ao carnaval de rua. Esse segue por todos os lugares na frente da orquestra que puxa da vassourinha as mais modernas ensaiadas para esse fim. Essa orquestra de frevos arrasta uma multidão de pessoas com enfeite ou melados de pós e tinturas, qui sucos, espumas etc. pulando no ritmo dos mesmos. Não existe lugar para tristeza, todos participam. Um Jaraguá solitário percorre os trechos mais tranqüilos, assustando os meninos. Aqui acolá um carro com som puxa uma equipe de rapazinho, recém saídos dos armários, vestidos de mulher, tomando cachaça e rebolando de rua afora. Na beira do rio da para ser ver cada figura, exótica no vestir e no jeito de andar. Tem cada bêbado, do enjoado ao manso. Mulheres, bonitas, feias, magras e gordas, são atenção de todos que por ali circulam. A policia tem trabalho dobrado, mas com jeito, consegue manter a paz. A vigilância Sanitária atenta às barracas de lanche faz sua parte. Um posto de saúde montado está pronto às emergências com uma ambulância, de prontidão. Os bombeiros e salva vidas, em postos na beira do rio. Uma corda sinalizadora mostra aos banhistas até onde se permite ir. Quando na madrugada a banda para de tocar,todos ficam sabendo o motivo. A canseira de tanta festa anuncia que já é quarta-feira. O que se vê muita cara feia de ressaca. São muitos ainda voltando, e bem poucos, ainda com a cara de palhaços, achando ainda pouco, aquilo tudo.Só para o ano tem mais. Esse é o carnaval de minha terra. Lembrando o passado no sorriso do tempo! Por Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE NO SORRISO DO TEMPO CHEIA DO RIO Dezembro mês da festa da padroeira, o rio São Francisco está no seu nível mínimo, mas antes que o ano o termine responde as chuvas que estão caindo no norte de Minas. Um reponte de cheia aparece já no fim beirando o Natal. Tudo normal. Costume isso todos os anos acontecer. O aumento da águas em janeiro é normal, fevereiro até março, quando se normaliza. Mas a cheia não para e continua, ou vem mais forte alagando tudo. Nas ruas que antes só viam carros hoje andam canoas, aportam lanchas. As casas dentro d água, um desafio para os moradores que esperam incansavelmente que elas baixem. A marulhada da tarde bate constante nas paredes das casas. A casa cai, o prejuízo está visível, e inevitável. Mas o povo gosta de morar na beira d rio. A paisagem no tempo normal é bonita, a facilidade do banho de rio e tudo mais. Geralmente os pescadores são beiradeiros. Os primeiros que sofrem. A várzea se emenda com o rio parece até um mar só. Passa matos em forma de ilhas com aguapés, marizeiras , caniços até canaviais. Bananeiras, coqueiros, mangueiras, que ficam nos baixios, alagados desgrudados do chão com a força das correntes encachoeiradas das ribeiras. O vento frio do fim das tardes se mistura com o aroma dos matos fermentados, deixando um azedume no ar na beira do rio. Faz até medo navegar nessa águas, cheias de troncos, que podem carregar lagartos cobras e todo tio de reptes, ou anfíbios em geral. Arriscado também as doenças respiratórias. Essas águas vêm devagar, cada dia sobe alguns centímetros empurrando aos poucos as pessoas para mais longe, um lugar mais alto. Quem insiste em ficar fica molhado, ilhado, desabrigado. E na água suja das cheias que os peixes se acasalam e reproduzem. Vê-se nas pedras das beiradas peixes agulhas subindo as águas que descem ligeiras. Pari vivos e piabas dão para se jogar com as mãos para fora d água porque procuram o encosto das pedras onde bate o sol e fica mais claro. Milhares de filhotes de camarões são presas fáceis, e nas partes rasas das pedras, procuram o lodo delas para se alimentarem. O homem predador pega sem pena, as pintiguirras chamando-as de aratanhas, para vender por um preço irrisório. Mas para diante, meses depois, falta o adulto nos covos, a escassez desse pescado é notório, o preço no comercio fica escandaloso. Junto com as cheias, as lagoas recebem o lodo rico e ficam adubadas com o húmus deixado para o plantio do arroz. Os lameirões nas vazantes, muitos férteis dão sementeiras de primeira qualidade. Entram muitos peixes que crescem nessas lagoas. Depois da destruição vem a fartura. É a compensação desse fenômeno. Sem cheia não tem lavoura de arroz. Apesar de tudo a cheia também é bonita. O rio que parece um mar emendando as várzeas e lagoas nos da essa impressão. Vieram às barragens para produção de energia elétrica, barrando as carreiras da águas, acabando as cheias, deixando o assoreamento aparente pelos lugares. Acabou a navegação com lanchas maiores. Até navios circulavam nesse rio. Também acabaram o viço dos peixes na faze reprodutiva. Sem água barrenta, a própria natureza mostra que haverá escassez de alimentos para os filhotes. O rio não tem mais força para arrastar toda essa areia abaixo. Se uma cheia acontece agora ela transborda tudo, sem fundura no leito para armazenar o liquido que espalha e enche as ruas das cidades ribeirinhas. O preço da prosperidade. Lembrando essa cheia no sorriso do tempo! Por Ciro Machado. TRAIPU TERRA DA GENTE NO SORRISO DO TEMPO BOCA DE FORNO Sou um Catenga. Sou produto originado desse sertão sofredor, um bicho sem graça que passa o tempo esperando oportunidades para abocanhar minhas presas. Rastejo pelas faces seguras. Vivo balançando a cabeça, concordando com tudo que me aparece. Passo o tempo todo nessa caatinga quente seca nos verões puxados, às vezes fico debaixo duma pedrinha pegando sua sombra que faz enquanto alguma aranha suculenta dá bobeira esperando roubar minha comida. De repente, o tempo se formou, as nuvens escuras cobriram o lugar todo, o calor que fazia era prenuncio de trovoada das fortes. Custei subir na arvore maior, não podia ficar em baixo e ser facilmente arrasada pela enxurrada. Os pingos grossos de chuva batiam no chão levantando um cheiro característico da chuva na terra seca. Eram marteladas que doíam na minha costa e no coração. O cheiro da terra molhada, que subia evaporando, era gostoso. Aquele odor de chão respingado, já fazia muito tempo que não sentia. Alguns insetos poderiam subir também e serem fáceis de capturar, enquanto esperava aquele tempo passar. De repente o temporal arrochou. O vento zumbia assoviando ente as brechas dos galhos, os relâmpagos clareavam a escuridão por instantes, seguindo do som estrondoso do trovão. Tremia-me todo de medo, o pescoço tinha ficado duro. Vi de cima alguns bichos correram procurando proteção. De onde estava me sentia seguro, já que não tenho frio, com o sangue que tenho. Tentei balançar a cabeça, eu não consegui, temendo cair com os acoites da ventania. Que agonia eu senti na hora! Agarrado ao galho me firmava ainda mais, parecendo ser de borracha, pois me esticava todo. Cada macaco no seu galho. Não sou primata, mas pelo menos tentei ser um deles no aperreio mesmo tendo que segurar no ramo que escolhi para garantir minha segurança. Continuava chovendo já estava cansado de tanto me firmar naquela posição. Não agüentava mais tanta pressão da chuva no lombo. Os pingos pareciam tiros de canhões. Vou desistir, pensei, mas continuei firmando as garras. De repente um vento forte chicotando o galho me derrubou no chão molhado. Não esperava essa. Aos emboleis eu descia pela correnteza de água que tinha se formado. La se vai de riacho abaixo. Ora estava de cabeça para terra ora para cima, rodopiando que nem pião sem rumo sem direção. Perdi minhas forças, mas tinha esperança. Estava bem vivo. Por sorte me agarrei a um pedaço de pau, embolando junto com ele levando troncos e barrancos. Que sofrimento. Pensei de pedir ajuda, mas a quem, só Deus para uma hora dessas. E La me vem por cima e por baixo de pedras paus, galhos e tudo mais. Cada pancada era uma dor sem igual, gritei sem sucesso. Toda vez que abria a boca engolia mais água. E da escura misturada com terra, e todo tipo de sujeira que tinha na caatinga. Minha maior preocupação era me salvar. Já não olhava pequenos detalhes como o lugar que estava não me lembrava da fome, nem mesmo da dor. Seguia conforme a rumo da água. De repente uma cachoeira, um precipício. Desci com tudo, levei ma queda das grandes, minhas costelas doeram na alma. Parece ate que quebrei uma delas. Finalmente chego num rio caudaloso, procuro me agarra num pau que flutuava perto de mim, precisava descansar um pouco. Depois segui nadando procurando terra firme. A chuva já tinha parado, estava vivo, apesar de todo quebrado. Que isso me sirva de lição, nunca mais vou querer dar uma de macaco. Ser o que não sou. Ficar no lugar dos outros. Bem assim é o que espera os parlamentares, vereadores, deputados, “Catengas” ,aqueles que balançam a cabeça para tudo que lhes apresenta. O Prefeito, o governador o presidente, grita boca de forno e todos sem pestanejar balançam a cabeça e respondem: Boca de forno! POR: Ciro Machado O SITIO DE ZÉ DO CARMO Era conhecido como Sitio de Zé do Carmo um terreno plantado de fruteiras nos arredores de Traipu. Ficava nos fundos do Bar de Zé Palmeira, tendo ao norte a rua do Consome, vereda periférica de poucas casas de taipa, fazendo fundo para o Itamarati, e rua do Abc. Zé do Carmo vendeu a seu Julio de Houlinha, um carteiro dos Correios de Traipu. Casado co Houlinha, por isso que chamavam assim. Era o pai de Daniel, Binha, Sinhô, Gracinha e outros mais. Os Filhos dele e a gente eram como irmãos. Vivíamos de nossa casa para a dele e eles a mesma coisa da dele para a nossa. Brincávamos sempre juntos. A mãe deles Houlinha era minha madrinha e do meu irmão Ivan. Apesar das casas não serem muitos próximas, mas nossa amizade ultrapassava limites, sempre fomos como da mesma família. Seu Julio dono do novo Sitia, chamou a gente para ir conhecer a propriedade. Uma belezura. Muitas bananeiras, coqueiros produzindo bem baixinhos que dava para pegar nos cachos sem subir, pinheiras e dois trapiazeiros que botava muito. Tinha cajueiro, goiabeiras e outras frutas. Seu Julio tirava coco, e depois de descascados abria para a gente tomar água. Tinha canas caianas. Descascávamos para a gente chupar os roletes. Todas às vezes ele levava um facão. Era pertinho dava para toda tarde ir lá. Daniel me chamava, para ver as botijas de trapiá que todas às vezes fazíamos com os frutos inchados. Quase todo dia tinha frutos maduros, quando cavava uma delas. Seu Julio sempre nos avisava cuidado para não exagerar, comendo muitos caroços e entupir. As pinhas grandes e sadias davam gosto de deliciosas. As bananas maçãs, nos cachos às vezes roídas pelos Sabias e chofreus,mas doces de da água na boca.Muitos pássaros, viviam cantando por lá.Nos coqeiros tinha ninhos com pelocos empenado.Muitas rolinhas ,capim lisas e cardo de feijão. Uma fogo pagô, tinha feito um ninho num mandacaru .Era um paraíso. Quando eles iam para o sitio me chamava sempre, achava divertido e sai com satisfação; um bom passeio. Mas um dia seu Julio foi transferido para Arapiraca, seus filhos precisavam estudar num lugar mais adiantado, teve que vender o sitio. Vendeu a Atelvino de Mane Bruni. Comecei a ver aquele sitio com distância, mas tinha lindas recordações. Acho que foi, João Chaves como prefeito, precisando abrir a rua para a sair no Abc e seguir ate a praça da igreja, teve que comprar aquele terreno para Prefeitura. Arrancaram as cercas, tiraram às plantas, os coqueiros que já estavam gigantescos e no final de vida. Era uma vez um bonito sitio. Passou a administração de Artur, Zé Afonso, Miltinho, Artur de novo, Zé Afonso , Marcos Santos ,Valtinho, Marcos Santos,e outros,e ninguém fez nada com aquele terreno em forma de coração, no coração da cidade.Da praça de Diquinha da para se ver no que virou por esses anos nos mandatos desses prefeitos. Um deposito de lixo, esgoto, e locais de amarrar carneiros e cavalos velhos, onde as galinhas soltas ciscam até hoje procurando vermes que afloram no chão úmido do lugar. Passo ali e me recordo do sitio frondoso e aconchegante que era. Torço que nessa gestão a prefeita atual faça alguma obra nesse lugar que considero o coração de Traipu. Quando passo por ali, vem à lembrança daquele sítio, bonito outrora alegre cheio de vida. No entanto a tristeza se apodera de mim por ver que aquele centro desocupado, há muito sem esperanças, desenfeita as belezas de nossa cidade. Relembrando o passado no sorriso do tempo! Por: Ciro Machado TRAIPU TERRA DA GENTE NO SORRISO DO TEMPO SEU BENVINDO- INVENTOR DA JAPONESA No tempo que eu era menino dos seis aos oitos anos, a feirinha de Traipu era uma animação para a gente que ia comprar borracha para petecas. Fazia fila cada um procurando a melhor estirando para estalar a de mais acoite. Ficavam estendidas numa vareta em exposição. O Senhor Bem-vindo não parava com uma faca bem amolada recortando mais. Não dava pra quem queria. Coitado dos passarinhos! Também em Traipu não tinha opção para os guris. A vida da gente era como índio com uma baladeira pelos monturos perto das ruas. Esse seu Bem-vindo , não lembro de onde vinha, mas todo sábado estava La,no mesmo ponto entre o bar de Zé de Gundim e a Loja de Luiz Tavares. Vendia alem das borrachas, Ma casada salgada. As borrachas de petecas das câmaras de ar eram daqueles carros antigos, com bastante látex, bem flexíveis de muito acoite, davam petecas de primeira. Ele já tinha pratica e cortava com uma faca amolada, numa impressionante agilidade, bem certinha de uma largura só. Tinham muita liga, ricochetando chegava dar o tom. Vendia ganhos e couros prontos alem das ligas para amarração. Os Ganchos de velame muitas vezes eram tortos, mas agente ia ao mato e arrumava um melhor. Ele já estava velho e cansado, não enxergando tão bem, às vezes deixando passar um calor de figo, mas o corte era perfeito. O calor de figo na borracha da peteca, era uma doença da borracha, uma ferida,perigosa para a arma. As petecas dele eram as melhores, naquele tempo as câmaras de ar dos carros tinham acoite, não são fofas como as de hoje. Mas o forte de seu Bem-vindo, era fazer alpargatas de borracha de pneu dos Chevrolet de antigamente. Cortava numa classe, de acordo a medida do sujeito que ia comprar. O cara botava o pé em cima da borracha enquanto ele com a ponta da faca riscava a medida certa da prancha, para depois cortar com precisão. Com tiras de couro fazia a parte aérea da sandália. Eram simplesmente duas tiras como as japonesas havaianas. Acho que algum japonês copiou o modelo dele e depois fez a japonesa havaiana. Isso porque, muito antes de aparecer as japonesas, seu Benvindo já fazia essa tipo de sandálias. O freguês estirava o pé calejado e rachado, muitas vezes sujo, enquanto com a ponta fininha da faca riscava o contorno daquela plataforma. Recortava numa perfeição, para testar no solado do pé. Seguia a operação furando as palmilhas com um perfurador próprio. Uma palmilha de sola igual à de pneu era pregada com brochas grandes, depois de perfurada com três furos. Depois tava pronta a alpargata. Todo serviço em plena eFeira livre, em menos de dez minutos. Todas elas a prova de espinho e pedras. O cara enfiava os dedos entre as correias e já saia calçado. Tinha outro modelo fechado, que ele também fazia. Esse já mais caro e mais trabalhoso. Mas o que vendia muito era a imitando japonesa. Aliás, a japonesa é que imita-a. Passou o tempo seu Bem-vindo deixou de vir à feira de Traipu. Acho que tinha morrido. Tempos depois apareciam as japonesas no comercio. Era novidade importada. Virou moda. Mas aqui no meu sertão já conhecia aquilo. Durante a vida toda, o povo do mato usou sem nunca imaginar que a gente da cidade iria usar aquilo. Era próprio da roça, na rua o povo tinha vergonha. Tinha o nome de alpargatas. Ca nos meus pensamentos, essas sandálias de dedo que existem por ai a fora foram copiadas dos modelos das de seu Bem-vindo. Ele merecia um tributo de honra, como o inventor da havaiana. E quem sabe se não foi ele mesmo? Lembrando o passado no sorriso do tempo!

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