sábado, 23 de novembro de 2013
TRAIPU TERRA DA GENTE
A ENGENHOCA DE ZÉ CARLOS
A noticia corria solta em Traipu entre os meninos ,que Zé Carlos Santa Rita tinha inventado um cata vento que ralava mandioca.Iria colocar de tarde na porta,na calçada de seu Onofre, experimentar,na força do vento.Ele morava na rua da igreja,num bangalô que hoje pertence a dona Ismênia Freitas mãe de Zé Afonso.Lá por ser um ponto mais alto da cidade ventava muito,dava para funcionar bem qualquer aparelho que dependesse da energia eólica.A gente tinha que está lá para ver como funcionava. Alem da curiosidade, não se tinha nada mesmo para fazer em Traipu.Monotonia total a não ser olhar o rio ver as canoas passarem para o sertão.. Aquele menino maior e mais velho que a gente ,cheio de criatividade,exibia seu invento que era incrível.Era filho de,Dr.Eduardo Santa Rita ,Juiz de Direito,também sobrinho do Prefeito Luiz Tavares,criado vendo publicações como revistas ,almanaques, com paisagens e outras coisas das regiões desenvolvidas.Tinha muitos conhecimento de coisas de outros lugares. Talvez viu a imagem dum moinho de farinha de milho,imaginou o funcionamento, no caso uma atafona,que usavam no Rio Grande do Sul, para moer trigo e fazer quirera de milho,movida a roda d água.Ele pensou vou fazer um para ralar mandioca,em miniatura de brinquedo.Nossa região se faz muita farinhadas da raiz de mandioca ,nas casas de farinha tradicionais.Calculou algumas polias e engrenagens , para reduzir a velocidade do cata vento e fazer funcionar o ralador..Pensou meticulosamente como fazia tudo aproveitando a força do vento e fazendo funcionar seu caititu que ralava aquela raiz .Claro que era em pequenas quantidades,aquilo era somente um brinquedo.Aquele rolo cheio de pregos , ele já conhecia nas casas de farinha.Só que lá era movido por uma roda bem grande.Uma roda,movido a feijão mesmo,manual ,onde um cara move um roda de um lado e o outro do outro ajuda com o seguimento da manipula,funcionando através das correias o resto da maquina.Criou suas polias de mulungu e outras madeiras moles, Essas reduziam de verdade a velocidade, transformando em força,no eixo que ficava o tal do caititu,embutido na caixa que ralava a macaxeira.Tudo pronto,o vento forte, a expectativa,a nossa curiosidade.Funcionou bonitinho a tarde toda.A gente ficava olhando aquilo ,Era o cata vento impulsionando a rodaque girava outra,e assim por diante.A gente ficava só admirando a descoberta, daquele cara inteligente. Restava dar-lhe os parabéns. Muito criativo para a época. Eram componentes da engenhoca eólica uma aparelhagem de madeira,feita de caixa de sabão , correias de couro , cordão,alguns pregos, arame,coisas simples.,Deu pra ver que ele tinha seu dom para engenharia. Alias ele, fez aquilo foi para nos mostrar mesmo que conseguia.Queria dividir a vitoria de seu invento com os seus amigos.O tempo passou e seu tio Luiz Tavares,que tinha sido prefeito, apresentou ele como seu candidato a Prefeito de Traipu,para substituí-lo,pois já não podia ser.Foi eleito e era considerado o mais novo prefeito do Brasil.Muito dinâmico,trabalhador,e autônomo.Honesto também.Construiu praças calçou ruas.Montou um serviço de auto falante da prefeitura depois da luz.A praça Gonçalo Tavares foi obra sua.Seu tio achou que iria mandar nele,pensava um menino, ´so faz o que eu disser.Enganou-se.Zé Carlos lhe disse com todas as letras ,contrariando o, suas ordens e seus pedidos,quem manda sou eu,sou prefeito e pronto.Disse a seu Luiz ,vou a Brasilia para conseguir a Luz elétrica para Traipu. Foi na Rural que tinha comprado para a prefeitura, com Zé Neguinho como motorista..A maior qualidade de Zé Carlos era que um seu amigo era mais que tudo,ninguém mesmo mexia com ele.O próprio Zé Neguinho,que antes não tinha valor de nada ficou importante,porque Ze Carlos assim quis.. E conseguiu com pouco dinheiro Todo o serviço foi muito difícil. Os postes foram arrastados, no mato com bois carros de bois,levantando-os com cordas ,tudo manualmente,até que um belo dia ,antes da festa da padroeira,que ameaçava ser no escuro,a luz brilhou nas noites seguintes. Depois de inaugurar ,poder dizer que estava satisfeito,pois cumprira o que almejava e prometera.Estava realizado.Grande prefeito esse nosso bom amigo. Tinha jeito, era dinâmico e sabia angariar verbas para o município. Naquele tempo, quem tinha boa conversa, conseguia as coisas para a cidade. Isso era don dele.O prefeito, quem fosse arigó,não arranjava nada,não saia do canto.. Logo mais ele teve que ir estudar em Maceio. Tinha uma tia casada com um senhor Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado,Zé Bezerra,ficou mais fácil.Também já era conhecido no meio político,convidado ,foi secretario do Estado,do município de Maceió.e um bom Advogado. Arrumou centenas de empregos para traipuenses no Estado.Ainda vive em Maceio.,Cria Canários por paixão, em seu sitio.Aliás o maior criador dessa ave de Alagoas,tudo legalizado dentro dos conformes.Dentro da lei.Grande homem.Tenho orgulho de ser seu amigo.Fico imaginando se ele enveredasse nesse ramo de engenharia mecânica,o que não teria criado.Infelizmente,nem tudo que se imagina acontece.E vocação nem sempre está na frente das prioridades.Tudo depende de oportunidades.Para nós um grande menino inventor,exemplo para nós, meninos daquela época.
Ciro Machado
TRAIPU TERRA DA GENTE
ALARME FALSO
A agencia dos Correios de Traipu ,apesar de estar localizada na frente da Delegacia de Policia,e em local de difícil acesso, para assaltantes,foi mesmo assim ,no começo do ano ,tomada de surpresa por bandidos armados,que efetuaram um assalto,levando dinheiro dela. Por sorte as pessoas que se encontravam lá não sofreram agressões ou prejuízos.Hoje cheguei, no mercadinho Palmeira do meu irmão ,as três.Ele me entregou uma correspondência,e disse que tinha uma caixa minha, para pegar lá, na agencia do correio.Me dirigir para até aquela repartição.Isso já é costume de todos, porque o Correio está carente de funcionários .A gente que espera receber qualquer reembolso ou encomenda tem que se dirigir até esse correio,senão ela volta,por falta de quem lhe entregue,mesmo tendo endereço correto.Como sempre , ela está fechada por cadeados.Isso depois que a assaltaram.Também o correio agora tem função de banco,com pagamentos e recebimentos de dinheiro,atiçando a cobiça de assaltantes. Ficamos esperando até que um funcionário nos veja , do lado de fora,pela porta de vidro,antes do gradeado, e abra para a gente poder entrar.Tornam fechar a porta , até que nos desocupe ,espere, que volte abrir,para sairmos.Uma peregrinação.Uma verdadeira , penitencia.Um sofrimento sem par. Chegando no portão daquela agencia, antes das quatro horas da tarde , um carro da policia parava no mesmo instante, em frente, do outro lado do meio fio.Desciam quatro policiais,de arma em punho apontando naquela direção,enquanto outro ,o motorista,também de pistola na mão mirava no mesmo rumo, todos prontos para atirar.Vi e ouvi,quando um policial pediu ,que me afastasse,dali,ligeiro.Atordoado porque não esperava jamais ,nem sabia do que se tratava,perguntei,que foi, que tava havendo ,e fui me afastando apressado.Ele simplesmente me disse,é uma ameaça que está ai dentro,se proteja.Aí me toquei,do perigo que corri.Fiquei na esquina de Zé Afonso,escondido pela parede,onde muitos curiosos já observavam e se ocultavam.Imaginei na hora o tiroteio.E esse negocio,de bala perdida!Pouco menos de três minutos o Claudemi ,chefe do correio,saia de dentro, para o portão, dizendo aos policiais, que tudo , estava bem.Ele ,viu pelo vidro da porta aquela ação,mas não sabia o que acontecia fora.Aliás lá dentro, só tinha uma menina sendo atendida, alem dos funcionários.Teria soado um alarme duvidoso,que levou a policia agir daquela maneira.Graças a Deus que foi falso .Eu ,fiquei tranqüilo porque não tenho problemas com policia,mas se fosse um cara com ficha suja, teria se borrado todo.Depois que a policia saiu, entrei na agencia aí me disseram ,que talvez alguém topou por descuido, num alarme qualquer de lá,Mas a lição que tirei dessa ação,vem provar que mesmo com os poucos policiais,atuaram com eficiência, e ao contrario de algumas criticas contra eles,afirmo que esses policiais ,estão de parabéns .Foram ageis.Cumprem seu dever, nos mostrando que estão dispostos a defender o patrimônio publico e o cidadão. Só me resta parabenizá-los. Palmas para a Policia ,que atua em Traipu!... Para a policia, tiro o chapéu!Levanto as mãos!.Afasto as pernas!Subo até a camisa!
Ciro Machado
TRAIPU TERRA DA GENTE
CHEGADA DAS CANOAS
Naquele tempo, as três da tarde de sexta feira, começava aparecer no horizonte de baixo, no São Francisco,antes do Tijuco, onde a vista mal alcançava,aqueles pontinhos brancos vermelhos e amarelos.Eram panos das canoas que surgiam por cima do filete prata daquele corredor de águas correntes, entre morros ,e planícies,ciliares do Rio Velho Chico.Pareciam borboletas voado em direção ao oeste,contra os raios do sol,e a favor da carreira dos ventos,que as impulsionavam.De lá da tamarineira e do monumento da Santa Nossa Senhora do Ó,alguns que esperavam sabiam decifrar qualquer canoa ,mesmo muito longe,só pela cor e pelo tipo de pano.A Candelária de Jason Palmeira,Canoa de Tolda,desgastada pelo uso, tinha nas velas remendos , marcando no amarelo,a sua identidade.Assim eram as outras canoas,todas tinham sua marca que dava para se conhecer de longe,pelos espctadores acostumados com aquele tipo de vista..Distante se identificava uma embarcação pelos panos.Os panos da Joelina eram grandes amarelos bem claros,com a bandeira brasileira enas pontas dos mastros..Os carregadores as vezes diziam,não essa ,é do sertão, de Pão de Açucar,outro dizia,é de Pedrinho de Zé Charuto de Gararu,de Jacinto da Barra do ipanema.Enquanto a discussão continuava, a distância diminuía, ela se aproximava , tirando a dúvida, a realidade ficava, clara.Mas uma chata de panos brancos,cruzados aproximava-se é de Traipu, a de Belé,e vai para o Riacho Grande,boa de pano e muito corredeira.Mais outra chata de Mane Aprigio,a Estrela do Mar,novinha feita por Abelardo Damasceno, do sitio Tibiri,seu cunhado.De repente a Canoa de Tolda de Zé Dandão surgia, a Conquista, depois de reformada virou, Nova Conquista.A São Roque do irmão de Zé Dandão,Zé de Morena,estava no porto cheia de cal,iria vender aquele produto ,vindo de Belo Monte ,depois ia descer o rio ,de porto em porto.Já sumia do poente acima da Tabanga a figura de uma canoa de tolda do Sertão,talvez a ITabajara,alem da chata de Zeze Brauna,do Salgado.Outras já passaram no Buraco de Maria Pereira,bifurcação da Tabanga acima de Traipu.Passava algumas , que nas imediações daquele famoso Buraco,tinha muito medo de virarem,ou se afundarem, na hora de passar o pano,porque um tufo de vento saia para o rio de lá,de vez, desorientando as velas das embarcações,Teve gente que já viu uma canoa de Tolda se afundar lá.Dizem que uma mulher que pizava arroz morreu com a mão de pilão na mão,pensando ser uma bóia.Quando resgataram o corpo,deu trabalho tirar a mão dela da mão do pilão.Mas há registro de mais casos.O povo corria para o porto de cima ,onde encostavam as canoas,com aas mercadorias,vinda de Propriá,principal fornecedor de bens de consumo de nossa cidade.Os Carregadores,entravam na água até o joelho, pegavam colocando, nas suas cabeça, tudo que veio de lá.Esteiras,sacarias,vassourasdoces,bolos,bebidas como a teimosa,de cravo e canela,a branquinha de Arabí Cabral,a famosa poca olho,e tudo mais.Lembro que numa dessas viagens,já chegando em Traipu a canoa de Tonho Bulachão,na passagem do pano para dar o porto.A escota (corda com moitões,que alivia o peso e a força braçal,na hora de puxar o pano,arrastou o filho de Fiinha de Ataíde o Luiz Carlos,laçando-o na água,causando seu afogamento.Fiinha ,que tinha um casal de filhos,Leda e o menino,ficou em tempo de morrer.Ela comprava mercadorias em Propriá para revender,era freguesa daquela canoa.Ainda tentaram pega-lo mas não conseguiram ,devido a marulhada e correnteza ,que dificultou o socorro.Dias depois acharam o corpo do menino boiando longe perto de Propriá. O porto dde Traipu era cheio de canoas nos dias de sábado,da feira semanal.Chegavam canoas da praia,precisamente de Carrapicho ,empilhada de louças,potes panelas e brinquedos de barros para vender na feira de Traipu.Naquele tempo eu sempre comprava uns bois zebus pintado,e cavalos com caçoares.As canoas de Traipu vindas na sexta,de Própria, tinham descido, as quintas feiras a noite,onde os canoeiros iam zingando,sem parar, amanhecendo o dia lá naquela Cidade Sergipana.Nas idas e vindas ,os passageiro,Seu Belo,Seu Oscar,Juarez ,que tinha medo do Jaraguá do carnaval, filho desse ultimo,contavam casos e estórias de trancoso,relacionadas com o rio,como a mãe d água ,o nego d água,etc.Era até divertido, a viajem,já acostumados com a vida mansa e sem pressa.Não existia os rádios de pilhas.A musica que ouviam era tocadas nos autofalantes distribuidos comercio de Propria.Eles faziam propagandas das lojas ,mandavam mensagens e tocavam musicas de Orlando Dias,Valdik,Silvinho,Nelson Gonçalves.etc.Ronberto Carlos despontava na mídia, com iee,um ritimo que não se tocava ainda nesses programas ,ao ar livre.Os traipuenses,compravam as mercadorias,e saiam geralmente de onze as doze horas.Chegavam em Traipu antes do anoitecer,quando o vento estava bom,época de verão.No inverno teriam que largar ,muito cedo,se não, só chegavam a noite ,ou no outro dia.Eram esses fregueses,os donos de vendas ,Marilita,Seu Bêlo,Flodoaldo,Mané do Quartinho,Murilo,Seu Oscar,Eronildes de Belinha,Artur de Laura,Atevino Cavalcante,Zé Pindoba,Luiz Pindoba,Vicentão, e muitos outros.Seu Belo trazia bananas ,laranjas,e,cebolas,e outras frutas alem de esteiras, vassouras etc,Marilita Trazia esteiras, bala de banana ,doce de batata,e materiais artesanais.Mane do Quartinho ,esteira chapéus etc,Zé Pindoba,Luiz seu irmão ,Atelvino Cavalcante ,Artur de Laura ,Flodoardo,Murilo,Paizino ,pai de Murilo,Eronilde de Bela traziam cachaça de Arabi Cabal e a teimosa,alei da cajuína.Esse eronide tanto vendia como tomava,e bêbado dizia:-já ouviu falar que sou rico?o cara era só dizer, já.Tomava de graça.Eronides,quebrou.Essas cachaças engarrafadas chegavam em sacos fechados,cheirando muito,quando passava nas cabeças dos carregadores.Tonho Martim,Sinhazinha,Maria Savaiva faziam encomenda e seu Chiquinho trazia.Tonho Martim não era freguês de Bulachão porque chamava ele de Gengibre,teve lepra perdeu os dedos,ficou aleijado,D.maria Saraiva era velhinha,Seu Ferreira de dona Sinhazinha paralitico.Geraldo Bode era canoeiro de Buachão,dava desfalque nas bananas de seu Belo,da popa mesmo onde segurava o leme,jogando as cascas nagua, sem eo dono perceber.Era, canoeiros também,Pintinho de Inez, da de Zé Dandão,Luiz de Osmundinho da de Ranufo ,e das canoas de tolda que desciam para própria.Bom piloto,Peba de Maria Jose também pilotava canoas de tolda.Era preciso saber,tinha arte.Tinha outros,que não lembro.A chegada dessas canoas era uma verdadeira festa ,onde a gente de cá, via como umas corriam mais que outras.para chegarem no porto,passavam o pano e voltavam no borde.Esses bordes de chegada,que todas tinham que fazem,na hora de dar o porto,tinha grande habilidade dos pilotos,pois já desciam.No meio,passavam o pano,baixavam a bolina ,depois vinham numa carreira desenfreada.Já em cima, como um freio,giravam o leme para o outro lado,descendo mais as duas tabuas de bolina que arrastavam no barro levantando a lama do fundo, parando de vez aquela canoa.Restava amarrar os ferros,soltando as ancoras. Um na frente e outro atrás. Dava gosto ser ver todos os detalhes,dos pequenos gestos na condução dessas embarcações.Tinham que ser bons mesmo.Encostavam umas bem próxima das outras,sem ao menos triscar de raspão.Lembranças daqueles momentos inesquecíveis.Na hora de dar o porto,como se chamava,ficávamos atentos,pois é aí, que os bons mostram suas habilidades. Como eram encantadoras essas canoas,quando despontavam ao longe.Dava ate para confundir com aves, comparando-as,com um bando de patos e paturis,planando como tainhas ,as marulhadas espumantes das correntezas do rio.Quantas saudades!Quem viu pode até dizer,tempo bom,o das canoas do São Francisco.
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