sábado, 23 de novembro de 2013
TRAIPU TERRA DA GENTE
O SALGADO
Numa das festas de Piranhas arrumei uma namorada, que morava na Fazenda Salgado, acima do Cazuqui,já na divisa de Traipu com Belo Monte , na Beira do rio são Francisco.Eu não conhecia esse lugar.Coincidiu de logo ,depois pouco tempo ter um forró nessa Fazenda,.Foi minha chance de conhecer o sitio,aproveitando a ocasião para visitar , e namorar aquela menina.O meu amigo Helio namorava também uma de lá,a irmã dela.Assim ficava mais fácil, não ia para lá só, já tinha um companheiro de viagem para o dia marcado daquela farra.Recebemos o recado,que o João do Pife e seu conjunto,tocaria naquela localidade.Iríamos montados nos cavalos.Esses nossos eqüinos, alem de bons,eram os nossos transportes prediletos. Soubemos que essa meninas andavam muito em Propriá,viajavam de canoa e passavam muitas vezes em Traipu,alias tinham casa lá onde algumas estudavam.Sempre gostei de passear de cavalos.Já era acostumado.Não me cansava atoa.A distancia de minha casa para essa fazenda deveria dar umas cinco léguas por aí,ou seja uns trinta quilômetros.Pra gente isso era moleza.Procuramos saber todo roteiro,e o que faltasse a gente perguntava pela frente.Sei que íamos pelo Cabaceiro.Desciamos na várzea,passando na ribeira a altura das Melancias do seu Gervsio,seguindo pela frente da fazenda de Zé da Moca,e pela a Cruz das Almas.Pegamos o fundo da Fazenda Gordo,de Tonho Neto, onde uma cerca comprida de labirinto fazia sombra e tapava a visão para o rio.Vencemos esse percurso chegando ao fundo das Queimadas de Berilo Mota e Tonho Lima.Mais na frente entramos nas Terras de Seu Alceo os Patos.A vegetação ai até grande de arvores altas de baraúnas e catingueiras.Chamam mato alto.Dá boas roças,para plantar palma.O fundo pertencia a Aderbal Tavares,terras até planas, aí no fundo dos Patos.Tinha uma porteira tipo cochete que tivemos que abrir.Já era acostumado abrir e fechar, essas porteiras sem descer do cavalo.Era uma cerca que marcava a divisa das terras, de Oioozinho Felix.Terras agora de Seu Rosendo,que depois,ficou sendo sogro desse meu amigo Helio,.Agora o caminho era nas terras de Zé de Gonzaga, justamente Fazenda Saco de Baixo.A gente passa na frente da casa do Zé e de Tonho seu filho.Tem um curral ao lado.Muitas pedras,nesse local.Ai fica mais ou menos na frente de Gararu,do outro lado do rio,em Sergipe.Atravessamos a lagoa, entramos no Saco dos Medeiros,que já foi sede do distrito de Traipu.Foi passagem de Lampião antes de ser assassinado no Angicos ,do outro lado de Piranhas.No Saco tinha uma igrejinha,onde colocaram a imagem de Nossa senhora do Ó,não ficando,ai voltando misteriosamente para a pedra onde foi construída a Matriz de Traipu.Essa fazenda até pouco tempo ainda tinha a Senzala,do tempo da escravidão..Passamos em frente uma antiga Senzala.Muitas cercas de pedras marcam esse tempo.E um pequena lagoa,O alto muito seco as pedras aflorando na superfície.Muitas cactáceas entre xiquexiques, alastrados e mandacarus, e macambiras,até coroas de frade.Passamos por Taz ,agora duma grande lagoa,onde se plantava muito arroz.Estava seca.Chegando perto da casa sede por onde tem um baixio,e a estrada corta-o no meio.Um combro, com algumas pés de mangas, meio comprido chega numa cancela,divisa com Cazuqui.Dá para ver que a mata ciliar é bem estreita,quase não existe.O povo aproveita todo espaço beirando o rio,coisa que causa a erosão e conseqüente assoreamento do rio..Entramos na porteira do Cazuqui.Numa casa de taipa ,perto daí,vejo umas meninas aboiando,são as filhas de João de Pedro,vaqueiro famoso da região.Pegador de gado no mato da caatinga.Mas na frente já subindo,umas dez casinhas e um curral é quase tudo desse lugar,dos irmãos , Antonio e Firmino Medeiros.Passamos pelo fundo num alto para entramos no Riacho Grande,umas casinhas,onde um senhor chamado João,vende uma teimosa,para molharmos a goela.Ai mora também Belé ,que tem uma Chata, canoa intermediaria,e de carga.Descendo para um riacho fundo,passamos com água nos estribos.,Esse pequeno rio, empresta o nome ao lugar.A vegetação daí por diante e de uma caatinga rala espinhenta ,com muitas urtigas ,terra de bode e carneiros pastarem.O gado ai é PE duro miudinho e acostumado a passar fome,parece que só tem ponta.São muitas tarefas de terra , piladas pelos cascos dos bichos,acho que mais de dez mil tarefas.Mas na frente tem outro lugar dos mesmos donos chamado Mocambo.Também do mesmo jeito,sertão brabo.Depois de mais de meia hora de andada, entramos no Salgado o lugar mais esperado.Tem a mesma vegetação,e sem porteiras,parece colônia,tudo aberto.O gado e outros bichos com chocalhos pasta por todo canto sem empecilho.Tem aquele que tocam a quilômetros mas se ouve,PE de boi,tem os chocalhos de bestas,as sinetas dos carneiros e bodes. Esse lugar muito seco, de solo rasos ,também muitas pedras.As terras só melhoram ,depois de quilômetros para o fundo,onde tem mata virgem de catingueiras angicos e braúnas.Mas as catingueiras rasteiras baraúnas pequenas e muitos pereiros de porte baixo.Deparamos com um arruado de mais de vinte casas de taipa,são moradores que vivem do plantio de arroz na lagoa chamada Sacão e da pesca,alem dumas rocinha no baixio.O gado solto num mundo de terras ralas Acredito que era um cercado de quase vinte mil tarefas,dava quase duas légua de fundo.Da para ver bichos com pontas de admirar,e pequenos.O legitimo pé duro.Acho que quando chega a dez arrobas já tem dez anos.Na hora que a gente chegou o forro já tava tocando.Começo da noite,amarramos nossos cavalos numa arvore perto ,depois de tirarmos as selas.La todo mundo era de pessoas das redondezas,portanto não corria perigo de soltarem os cavalos ou levarem nossos arreios.Tivemos que tomar umas doses de aguardente para dar coragem de enfrentar aquela tribo que a gente que não conhecia. Nunca fomos de correr da parada. Seja o que Deus quiser, pensei, homem e para enfrentar os desafios. Chegamos no lugar do forró,que por sinal é a casa do pai da minha namorada.Ainda desconhecido deles,me aproximo,.e falo com a menina. Danço com ela, mas o pai dela , desconfiado vem me perguntar se eu tenho algum ferro.Faca ou arma.Claro que não nunca andei armado.O meu santo é forte,Soube que tinha um cara lá apaixonado por minha namorada.Mas ela não deu valor a ele,só me queria,motivo que fiquei vaidoso,e feliz .Dancei um pouco mas preferir ficar conversando,de vez em quando beijando aquela menina ,que tratou logo de arrumar umas cadeiras para sentarmos,na sua porta. Justamente na frente da casa dela.Amanhecemos o dia no namoro.Não tinha importância.O sono,quando chegasse estaria em casa,ai descontava ,qualquer cansaço. O A festa na base do candeeiro, mas lá fora ,onde fiquei,a noite era de lua clara,dava para curtir a vontade sem problemas.Achei nteressante a mulheres com uns candeeiros amarrados na cabeça andando para aquele lugar.Não sei como não derrubavam,ou não queimavam o cabelo.Assim que chegavam apagavam a tocha daquela lamparina.Tinha um pede ,pede, na dança e coitadas das damas que não dançava com um só.Por isso que preferi ficar sentado namorando.Assim fiquei mais tempo com minha garota.Acho que se alguém foi armado,escondeu a tal, no mato,porque esse meu sogro correu todo mundo,e não permitiu nenhuma exceção.Alias, todos que estavam lá era gente simples,não tinha nenhum fazendeiro metido.Gostei de do comportamento das pessoas.Eram os Baraúnas.Um povo caboclo do sol quente do sertão.Gente boa,simples e amigo,sem maldade,mas desconfiados.. Depois de me conhecerem bem não faltou mais nada,para a gente.Amanhecemos o dia,e só de manhazinha voltamos. Fiz muita amizade com as pessoas desse lugar os avos dessa menina se agradaram da gente e toda vez faziam festa com nossa presença, ofereciam doces, goiabadas e vinhos.alem da boa conversa.Das outras vezes que fui lá,deu receio as viagens. Teve casos de me arrepiar de medo quando passava, na frente, a meia noite, de uma casa abandonada do Saco dos Medeiros.Voltamos e constatamos uns carneiros ressonando,com gemidos penosos.Dava para ter medo,se não fossemos olhar de perto.Outra ocasião foi em Cruz as Almas um bicho fez nossos cavalos saltarem quase nos dando uma queda.Não caímos pro sorte.Dessa vez não quis voltar pra vês,mas acho que era algum lobo ou raposa que assustou os animais.Cheguei quase a noivar com a pequena.O pai dela tinha uma canoa chata e ela era uma boa pilota,de fazer inveja a muitos homens.Eu achava aquilo um barato,vibrava com a coragem dos bordos que fazia.Me contavam façanhas dela como guia no leme da embarcação.Ela andava muito em minha casa.Minha mãe gostava muito dela,não sei porque a gente não deu certo.Acho que não valorizei quem me dava valor., quase todo sábado vinha a Traipu, e a gente se via. O certo é que nunca fui de assumir compromisso com namoro nenhum.Quando ela falava em noivar eu fugia,nunca quis compromisso sério. Tava namorando com ela e mais outras,namoradas.Ela soube ,mas mesmo assim ainda me queria.Deixei-a ,para casar com uma mais experta,mais experiente.Fiz muitas viagens para esse lugar.infelizmente as coisa não acontecem como a gente,planeja ,principalmente coisas do coração.Tive que esquecer todos de lá, pra rumar noutro roteiro.São coisas da vida!
Ciro Machado
TRAIPU TERRA DA GENTE
FESTA DA FONTE
Geralmente quem faz festa na fonte são os sapos pererecas, degustando uns grilos cri cricris, vaga -lumes, pirilampos alem dos anus e bem te vis.Mas no dia do padroeiro da lugar a festa da fonte de Mumbaça,é o povo que vem cedinho de lugares pertos ,e distantes de Alagoas, Sergipe até da Bahia,pagar suas promessas,com o Santo protetor da pobreza,Senhor dos Pobres,desse povoado traipuense.O barulho de pessoas atrás de águas que dizem ser milagrosas.Enchem suas garrafas,tomam alguns goles,lavam os rostos, pés e carregam para casa vasilhas cheias do liquido com propriedades curativas..Muitos saem de lá e vão para igreja na rua principal, onde uma fila de romeiros se espreme ,ficando um atrás do outro,por uma escadaria de madeira para chegar no altar,beijar os pés do santo,e deixar uma fita ou carregar um pedaço de outra da benta.Um cofre de ferro aguarda e recebe ofertas em dinheiro,na passagem.Mas é na fonte que a aglomeração de pessoas está,uns passeando entre bancas de comidas,bebidas e lembranças,se espreme a passos lentos,outros comprando,ou a procura dum lugar para descansar,debaixo de arvores que seguram o fluxo da água naquele lugar.Todos querem curtir uma sombra debaixo desse arvoredo.São oitis,paus ferros,folhas largas e outros mais.Essa festa parece mais uma feira porque vende-se de tudo.Tem muitas bancas de jogos.Bancas de comidas e alimentação,bolos cocadas,até roupas.As mesas de jogos se confundem no meio de outras sem organização.Foi numa delas de João Correia gastou o dinheiro dum boi,mas saiu satisfeito porque perdeu aquele valor num jogo cujo nome era seu sobrenome ,o da correia.Nada mais é um cinturão onde o apostador coloca o dedo na brecha que sai dentro da correia,e o banqueiro mais esperto ,dar uma volta no cinto, para ele ficar fora.Tem bancas de baralhos,bingos, jogos de dados o vinte e um,ou bosó,e tudo mais. Também é lugar bom para arrumar namorada.Muitas moças desfilam sozinhas procurando um par. Só que essa festa ao entardecer dar lugar a outra maior ,nas ruas principais,ficando aí só o lixo deixado por todo o movimento.A festa de Mumbaça tem seu auge a noite.Essa festa da fonte ,acho que começou como ponto de descanso dos viajantes romeiros,que achavam abrigo,e água doce debaixo de arvores centenárias.Tem pessoas de Traipu que só vem para a festa da fonte.Visitam Senhor dos Pobres ,e voltam com o dever cumprido.Por ser pelo dia ,e por isso mais visível,torna-se mais segura,sem registro de confusões.Viva Senhor dos Pobres!
Ciro Machado
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