sábado, 23 de novembro de 2013
TRAIPU TERRA DA GENTE
O NATAL
DA BELARMINO MINHA RUA
Já faz tempo que não se comemora o Natal de rua em Traipu.Nas ultimas vezes as festividades foram fracas,desanimando os moradores,e se acabando de vez, por falta de incentivo.Mas,chegando próximo ao período natalino me veio essa lembrança gostosa,daquela época que o prefeito Luiz Tavares ,mandava instalar uma gambiarra de lâmpadas aumentando a claridade, ,enfeitando o local, com as bandeirolas multicoloridas,que balançavam e vibravam com o vento ,como se aplaudisse o evento, colocando também o serviço de auto falante da prefeitura para alegrar ainda mais ,aquela noite de natal. Era ,seu Luiz,maior comerciante dali,dono da Loja de Tecidos e Variedades ,Casa Novais,quem bancava e organizava a festinha na frente dessa loja se estendendo até a frente de minha casa. Ele investia e faturava também.Todos os brinquedos sorteados eram de sua loja. Bancava as despesas com fogos,banda de pífanos e algumas brincadeiras.Os pifeiros bebiam as custas de cotas dos moradores e comerciantes dali. A prefeitura nesse tempo não tinha recursos para festas. Houve um tempo mais para trás, que Dona Santina,mulher de Né Vieira pais de Alfredinho e acho que de Panelinha,fazia umas cabacinhas de velas derretida cheias de água,jogada nas pessoas como forma de confraternização,brincadeira antiga., Eram logo cedo vendidas aos meninos para ser atiradas nas pessoas que passavam pela rua.Disso eu mesmo me lembro vagamente,..Acho que eu tinha dois a três anos.Só sei que eles moravam entre a casa de Maneca Epfanio e a de Zé Julio de Houlinha.Recordo disso ,porque andava muito la na casa de minha madrinha Rosa Houly,a Houlinha.Eu e meu irmão, mais velho,éramos pois seus afilhados.Toda festa que se fazia em Traipu era por conta de comerciantes e moradores.A prefeitura entrava com um microfone e a banda de Musica ,quando muito ajudava.Logo de manhazinha o, Ra Ra do ralo de Ana Traira, ralando milho pubo para vender a massa,que morava no vapor velho,em frente ao mercado , era abafado pelo Banda de Zabumba do Benedito Grosso,Finado Aurélio,Zé Gileno,e outros ,rompendo a atmosfera da rua , junto pelos foguetes que rasgava os céus da nossa Traipu.Esses foguetes eram feitos por Antonio Martim,também morador desse logradouro.As vezes eram queimados numa girândola,na beira do rio,pertinho de lá, rompendo a alvorada daquele dia de festa,desse lugar da margem esquerda do Rio São Francisco,cujo eco dos estouros, ressoavam na Serra da Tabanga,dando uma maior amplitude na divulgação . Essa festinha, era motivo de muita alegria para a gente das ruas de baixo e periferia,principalmente os meninos.Todos bem vestidos,e limpos, de cabelos penteados e fixos por brilhantina,já de tarde, desfilavam pela pequena rua,uns para curtir as diversões,outros procurando um lugar de acomodação, uma boa conversa,olhar quem passava,ou tomar uns refrigerantes ou cervejinha.Vizinha a nossa casa ,seu Emidio e Dona .Maria colocava cadeiras para receber seus parentes da Manteiga.Zeze de Jovelina,com sua bodeguinha vendia umas cachacinhas,aqueles pinguços que não fraqueavam os bares.Tinha o Bar de Tonho de Mano e o de Ze de Gundim,também lá.Alguns jogavam sinucas neles,outros saboreavam a loirinha fria da geladeira a querosene.Todos caprichavam para fazer bonito,e satisfazer quem ia ali desfrutar das festividades.Na frente da casa de Nazaré de Eduardo,tinham bancas de doces,bolinhos,roletes de cana e lanches,tapiocas etc.Era pequena aquela aglomeração,mas era bonita animada,e muitos meninos ganhavam presentes,simples mas ganhavam.Armavam,na calçada em frente da loja Novaes, um jogo que era uma aldeiazinha de casinhas tipo chaléde cores diferentes, dentro dum redondo .Essas casinhas marcadas,cujos números eram iguais aos bilhetes vendidos,de acordo com a quantidade de casas.Não sei ao certo mas parece que superava as dez.Fechada aquela venda de bilhetes,vinha a hora da torcida.Essa hora de correr o premio,uma pilha de brinquedos ,de um mesmo preço , esperava que o ganhador escolhesse qualquer um, no meio. Lembro que começava as quatro da tarde com os empregados da loja de seu Luiz, ,Maria de Senhora,Marinete Teixeira,e Miriel de Luiz Brió,os organizadores e tomadores de conta desse jogos.Do meio,no centro daquela aldeiazinha de duma caixa sem fundo ,escondia um mocó do reino, saindo ,na hora que a levantasse,procurando uma das casinhas,para se esconder.Essa que ele entrasse,seria a sorteada,cujo numero era igual ,ao do ganhador.Na calçada da loja em frente a esse,tinha também, uma roleta grande.Toda numerada,de cor verde claro, números pretos.Uma paleta,tipo catraca fazia papel de freio,dando emoção naquele barulho característico ,matando a velocidade daquela roleta,que fora puxada com força.Um quadrado em cima, marcava o numero que a roda ia parar. Era esse o numero do ganhador, se parasse nele era só escolher o presente do sorteio.Acho até que Silvio Santos ,aprendeu fazer seu jogo, com essa roleta.Alguém viu e propagou chegando aos ouvidos dele, criando depois sua roleta , dos sorteios do Baú da Felicidade .Porque as roletas são iguais,com uma pequena diferença ,A de Silvio Santos é maior e elétrica,mas o funcionamento é o mesmo.Até a catraca é do mesmo jeito.Mas uma coisa tenho certeza,a de seu Luiz era anterior a do Silvio Santos.Quando esse apresentador do SBT,ainda era camelô,seu Luiz já tinha sua Roleta da Sorte.Por isso que me veio essa imaginação,ou será que foi ,mera coincidência?Tinha também nessa festinha,pescaria,tiro ao alvo e outros brinquedos.Mas o mais importante daquela festa era a reunião das pessoas,se encontrando,para colocar assuntos na ordem do dia,rever famílias,e a confraternização.Tinha uns conhecidos do interior,que eram” mocorongos” da Ribeira , um deles calçava o sapato esquerdo no pé direito,servindo de gozação dos meninos,que estavam atentos a todos os detalhes.Na nossa casa os parentes e amigos ocupavam todas a s cadeiras,bem assim as dos vizinhos.Essa festinha ia até a Meia Noite quando tinha a missa do Galo,na igreja Matriz.O natal da rua de baixo como diziam era a festa mais fraca da cidade,das religiosas,mas era a mais cheia de felicidade de alegria,de paz, de amor.Seus Luiz com os bolsos cheios de confeito atirava ao ar,em nuvens, só para ver os meninos caírem uns em cima dos outros,num bolo só, para pegar um confeito um chocolate um pirulito,ou mesmo um chiclete.Tinha corrida de saco, e panela de barro e as vezes até pau de sebo.Logo cedo , por umas três horas ,o sol já esfriando.Eram duas panelas de feitiço. Só, que em uma tinha um gato,era surpresa. Geralmente era a primeira a ser quebrada. Havia empurrão,prisão, murro entre os meninos no meio da confusão para apanhar o que tinha dentro do pote quebrado, quando o acertavam derrubando essa vazilha de barro enfeitada,entre uma trave.Será se valia receber um murro para pegar algum brinde que tinham la dentro?Um dia fizeram um tal de caminho do inferno.Lembro que ficava no oitão da loja Novaes,entrada do Papouco.Era um túnel de urtigas,onde no final se colocava uma nota alta de dinheiro.Até o chão tinha folhas dessa planta espalhadas,O menino teria que entrar de calção e sem camisa.Nesse caminho estreito,baixo, teria que ir se arrastando até o dinheiro.Luiz Sibite,Luiz de Miguelzinho, encarou e ganhou a nota.Mas seu corpo ficou todo encalombado.Tiveram que passar um soro caseiro de açúcar e sal.Era uma festa tradicional sem falhar,ano nenhum, até que Seu Luiz acabou sua loja ,os outros comerciantes perdendo o incentivo.Tentaram continuar,mas ela já não tinha mais aquela graça,aquela emoção.Alguns insistiram,Augusto Belota,Joaquim Guimarães,e Tonho Bulachão.mas o evento,não teve sucesso.O Tempo passou com mudança nas tradições,e o que era belo, ficou de repente sem graça,para os mais novos, diante do moderno.A televisão o computador roubaram aquela alegria de outrora que era , o povo nas ruas, nas festas tradicionais.Agora todos encarcerados dentro de suas próprias casas ,concentrados numa tela de luz,passando ilusões, que escraviza e nos deixa reféns.Assim morrem aos poucos as tradições,os costumes a história.Hoje sem festa sem nada,só as lembranças e a saudade restam.Quem nunca viu aquela festa,com certeza não vê mais.E a tal da modernidade!
Ciro Machado
TRAIPU TERRA DA GENTE
REIS DO PAPOUCO e ITAMARATI
Era no dia cinco de janeiro,o dia da festa do Papouco porque dia seis a vez do Itamarati.Sempre foi assim.Festa da entrada de ano era na praça do Ginasio Moreno Brandão,no dia trinta e um para amanhecer o primeiro,que era na praça coronel Neto,antiga ponta da rua.São festas religiosas,que juntavam muita gente.Mais que o Natal da rua de baixo.A mais animada era mesmo a da entrada de ano na praça Ze Palmeira.Acho que por que todo mundo queria assistir a missa de meia noite, da virada do ano,com a esperança de um melhor.No papouco a organização ficava por conta de Maninho Albuquerque,com ajuda do pessoal de Dona Senhora,e outros moradores.Arrecadavam dinheiro entre eles a também com alguns de outras ruas.Compravam foguetes,e o restante do arrecadado era para custear as brincadeiras de panela de feitiço e outras diversões,A qualidade dependia da quantidade de grana arrumada.Queriam fazer melhor que a do dia seguinte,na praça Vicente Bispo,organizada pelos moradores com empenho do povo de Julio de Ariston.Existia essa rivalidade,de muito tempo.Brincadeiras para os meninos acho que as duas se empatavam.Se uma tinha panela de feitiço,a outra também tinha,pau de sebo,corrida de saco,de ovos na colher,pegar confeito,entre os meninos.Nas duas o pife tocava o dia todo.Arrumavam um banco grande para eles descerrarem seu repertório,regado a cachaça bancada por pessoas que apareciam ao redor deles.,Diziam que molhando a goela,ficava mais fácil, som do pife saia melhor.As vezes,nós meninos arrumávamos um limão para chupar na frente dos pifeiros.Ficavam todos com a boca cheia d agua e não conseguiam assoprar.Quando eles viam, vinham tomar aquela banda de limão, a gente corria.Tocavam a onça,alem do baião de Luiz Gonzaga,a Asa branca e outras..Todas essas festas,mudam de lugar mas as diversões são as mesmas.Poucas são as novidades.Bancas dispostas na parte de cima da rua vendendo cocadas,pasteis,roletes decana,pirulitos,.A noite tem o pastoril,disputado onde políticos de lados opostos ,colocando dinheiro,numa cor o noutra afrontando quem dá mais.Com isso as pastorinhas lucram.Mas das festas do Itamarati, do Papuco,Ano da praça Ze palmeira e Ano da ponta da Rua com era conhecidas, são importantes como tradição dessa cidade,No Itamarati,não poderia faltar a figura de Eribaldo,morador dessa rua que não perdia de dançar qualquer musica que os pifeiros tocasse. Tomando uma e outras, arrastando os pés dentro do ritimo do compasso do zabumba,o tempo todo.Era atração.Uma figura, folclórica traipuense. Ela tratava todo mundo,de cumpade. Outro dançarino,dessas festas ,era Cuscus esse,dançava em todo canto..Dava para ver o prazer que sentiam seus moradores.Estava,estampada no rosto de cada um dos deles , Só faltavam dizer ,somos humildes, mas felizes!Dessas festinhas religiosas populares,as lembranças afloram na memória,como sinal de alerta para não deixarmos se acabar, logo que chega a época delas.A do Papouco não existe mais.O Natal dia vinte e quatro de Dezembro,da rua Belarmino também não...Foi assim que cresci,vendo na pura simplicidade dos conterrâneos a alegria de sentirem- se felizes nessas festinha localizadas.Espero que as pessoas vivam de novo aqueles momentos de confraternização e de felicidades.
• Ciro Machado bstinho de lalau pescador
antiga praça do papouco-hoje mercado publico.
Ciro Machado
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