sábado, 23 de novembro de 2013
TRAIPU TERRA DA GENTE
O AMIGO ATEVALDO
• Lá onde estudamos, no Colégio Agrícola, tínhamos muitos colegas amigos. As vezes uns brincavam com outros ,e nunca saiu porrada,apesar de algumas passarem do limite .Atevaldo, como era da região perto de Traipu,mas Sergipe,foi fácil ficarmos amigos.Ele conhecia pessoas de Traipu, da mesma forma , eu também conhecia muita gente de lá,a começar do tio dele que era vereador,político de influencia naquele povoado de Escurial, pertencente a Nossa senhora de Lurdes .Sempre conversávamos .Nossa amizade era boa como se fosse conterrâneos. Ele brincalhão, junto com Nenéo Basilio, gostava de aprontar comigo.Já conhecia suas brincadeiras,porque fazia parte do nosso ciclo de amizades.As vezes um de nós,vinha de um serão de estudos, porque no outro dia teria prova,la pela meia noite,com sono e cansado,antes de se deitar,a cama caia com o peso de quem se deitasse, dando um susto danado.Eles,deixavam os pinos ,que seguram uma das cabeceira,na beirada,para quando subisse na cama,ela caísse.Já sabia quem sempre fazia isso,no meu caso, nem desconfiava, era Atevaldo. Ele sempre foi um cara inteligente, estudioso .Nesse dia, estudou mais cedo por isso dormiu primeiro . Lá pela meia noite, eu estava cansado de estudar muito tempo, ,teria duas provas difícies, no outro dia.Vinha descendo , para o dormitório,inocente ,sonolento .Assim que me avistaram , foram ligeiro na pia encher uma lata grande de água.Colocaram na quina superior da porta . A porta um pouco entre aberta,esperando ser empurrada por mim .Iria entrar. Fazia bastante frio,quando empurrei a dita cuja,a lata virou ,despejando a água,me dando o maior banho,.Fiquei como um pinto molhado,ganhando até um apelido.Não prestou,porque logo nas primeiras camas estava deitado Atevaldo,que até roncava.Pensei que era fingimento.Mais um pouco, na frente, era a cama de Nenéo.Naquele momento ,como um louco ,juntei umas cascas de bananas,fiz um bolo só, levantei a coberta e com força esfreguei, na cara de Atevaldo.Deu um pulo,azoretado que quase me derrubou, perguntando, o que aconteceu.De fato, dessa vez estava dormindo de verdade,não tinha culpa.Debaixo da outra coberta Nenéo Basílio ,se desmanchava de rir,mangando de nós dois.”Deixe estar Jacaré a lagoa há de secar”,pensei,um dia lhe pego!Desculpei-me com Atevaldo.Mas como ele já tinha aprontado muitas comigo,não pode revidar, tendo que perdoar a agressão.Depois foi se limpar e dormir.Lhe disse:-isso é para não aprontar mais . Mas aliviado e com raiva de Basilio, fui também dormir,porque não me agüentava mais de sono.Essa é uma das lembrança de Atevaldo! E do Grande Neneu,melhor Saxofonista que conheci.Éramos como irmãos.Relembrando essas coisas sinto como se voltasse o tempo.É como rever uma foto da época.Coisas boas da vida.
Ciro Machado
TRAIPU TERRA DA GENTE
A VIAGEM NA TUPÃ
Descambando pra Dezembro, aproximava-se as férias, e eu contava os dias, afinal quase seis meses sem ir a minha casa,a minha terra.Que saudade!Finalmente o dia esperado. Saio de Aracaju ,pego o ônibus, não me lembro bem de qual era a empresa ,mas acho que era ,Senhor do Bom Fim,uns amarelões que rodavam para a região,com destino a Propriá.Junto com os outros colegas e conterrâneos,que também estávamos apreensivos e ansiosos.Como será que está Traipu,quantas casa novas foram feitas?Será se aumentaram alguma rua.?Quem morreu que a gente não sabe ainda?Isso e muitas coisas martelavam em nossas cabeças. Vadinho de seu Bêlo,era o mais informado, quando recebia uma carta, sabia de todas as novidades,era um jornal completo,quatro a cinco folhas,seus parentes escreviam contando tudo ,até quantos cachorros nasceram na casa do vizinho,Ele repassava para a gente,era o interlocutor de nossa terra.Minhas cartas,não, só falava da saudade e preocupação , da minha mãe ,me dizia que não via a hora que eu chegasse,não queria me deixar preocupado com nada, que tudo estava bem.Depois o tempo passa e vi,que meu pai morria aos poucos.Um dia,três anos depois, recebi a noticia por telegrama,e já não pude nem assistir seu enterro.Minha rainha,coitada asmática, morria de lembranças, perguntava se eu estava sadio,se estava bem alimentado,coisa natural de mãe.Afinal de contas eu só estava com doze anos de idade,e não é mole uma mãe vê seu filho novo assim ,se afastar de casa,por muito tempo.Mas tinha que estudar.O grau maior de escolaridade,da nossa terra era o primário.Chegamos em Propriá,na rua da Frente onde tinha o ponto,uma espécie de rodoviária.As malas grandes de coro,pesadas,tínhamos que carregar para o porto.Logo poucos metros, avistamos a lancha, que para nossa alegria iria subir o rio. Achei aquilo uma sorte, bom mais da conta,ser logo a Tupã.Era uma lancha grande,a maior do trecho, dois pavimentos,o de cima por onde embarcávamos,primeira classe,boa vista para frente e lados,ampla ventilada e segura.Naquele andar,que viajamos,tinha melhor visão,queria curtir tudo,as margens sempre habitadas ,vê as pessoas que apareciam para ver a lancha passar.A buzina rouca da lancha nos avisava que estávamos saindo. A sineta da gabine do comandante, seu Quincas,repassava ao motorista que podia dar ré,e sair do porto.Mamoel messias ajudava com uma vara .Mais uma advertência naquela alavanca aquele som,como se fosse o morse dos correios, que repetia na sala de maquinas.O ponto morto,outra repetida, agora era a marcha para frente, mais outra e a ultima como se fosse uma prise de um carro.Partimos do porto ,com alegria e feliz .Hora mais esperada era aquela,que o motor acelerava em procura do sertão.Atravessamos o rio,vimos o cais de Colégio,tinha porto a dar naquele lugar,subiria gente a procura de algum lugar do baixo São Francisco,já que ela ia até Piranhas.Subíamos o rio afora,contra a correnteza.A proa da lancha abria as águas em duas ondas,formando marulhadas,chegando a balançar as canoas por onde passava.Atrás,ficava um rastro de espumas que flutuando se desfaziam aos poucos.Mas na frente uma placa dizia que ali tinha uma aldeia de índios.Saímos para o meio do rio,e de frente, lado de Sergipe uma fazenda Colossal,A Jundiaí,com seu pombal em forma de castelo,um cata -vento puxando água,por um cano ,perto duma ingazeira responsável por deixar fria aquela área de remanso.Aquela água ia direto para a caixa de uma casa grande e bonita, que parecia mais uma mansão perdida naquele ermo, antes de uma plantação de eucaliptos e coqueiros.A lancha imponente seguia agora para Amparo a primeira cidade sergipana depois de Propriá.Do outro lado avistamos Tibiri, mas não tinha ninguém no porto e gente para descer.Amparo era onde estava a bomba d água que envia água para Aracaju.Tinha casa de bombas,de tratamento d´águas.Talvez a primeira construída com potencia naquele trecho de rio.Tinha muitas mangueiras frondosas na beira do rio.Uma ponte ligava a estrada passando por cima dum riacho e uma porta d água,para aquele lugar.A lancha ora de um lado,ora pra outro, parando só nos portos,que tinha gente para descer ou embarcar.São Brás,cidadezinha simpática antes de Traipu,em Alagoas tinha gente para subir e descer.Talvez fosse também algum fazendeiro de Olho d Água Grande ou Campo Grande que tinha vindo ao Banco do Brasil de Propriá,resolver seus negócios.De frente ao Morro do Gaio,onde vai água para Arapiraca vira sua proa a procura do outro lado.A Tupã,volta ao lado de Sergipe ,tem Borda Mata,a fazenda que era coito de Lampião.Tinha gente pra subir.Borda Mata tem um sobrado,num arruado de menos de dez casa,um beco com mais outras.Mas na frente uma fazenda Aningas, de Pedro Chaves.Também tem um cata-vento puxando água,e uma casa bonita em cima do morro.Desce mais um cidadão naquele porto.Do outro lado uma Fazenda bonita,a lagoa cumprida de Carvalhinho,parente dos antigos donos da Borda Mata,Antonio Caixeiro,pai do ex governador de Sergipe, Eronildes de Carvalho.Munguengue,o primeiro povoado do município de Traipu,veja que já está mais perto.Mas esse quase ninguém vê as mais de cem casas por estarem escondidas entre as mangueiras.Seu Oiô,se prepara e a lancha encosta,vai descer na sua Fazenda,que é antes desse povoado.Escurial,povoado prospero,terra de Atevaldo um colega de escola,do outro lado,tem uma feira aos domingos muito boa ,para os poucos habitantes da região.Vizinho por uma lagoa tem Lagoa Funda,outro arruado, em cima do morro.Barandão são poucas casas,todas em cima de uma elevação cujo fundo é um precipício para o rio,o Acesso ao rio, é pelo combro,baixio.Me alegro mais ,da proa da Tupã,procuro no horizonte cinza,um sinal de minha terra.Ainda não dá pra ver.Um pouquinho mais, o sol clareia,deixando s uma parte mais branca,ao longe ,imagino vê que parece ser a torre da igreja de Nossa senhora do Ó.Fico apreensivo e não tiro os olhos.Sentado com aquele olhar fixo,vem as minha indagações,como eu serei recebido?Mas se depender de minha mãe, será como um rei, pois não esqueço que da ultima vez,recebi o beijo e o abraço dela, melhor que já ganhei na minha vida.Era aquilo o meu porto seguro.Minha queridinha mãe,falando mais doce que das outra vezes,imaginava o meu céu.Os minutos demoravam demais,mas a visão cada vez era melhor, até que avisto o Tijuco,lugarzinho em Sergipe,que o povo desce na ilha bem distante daquele morro onde o lugar está trepado.A lancha procura o lado de Alagoas, vejo a Fazenda de Antonio Nunes,a Lagoa Grande depois vem, Lagoa Funda ,Marcação,e finalmente Sacão três fazendas muito conhecidas da gente.Traipu já e um pulo.O porto para encostar, é o de cima.A lancha passa pela rocheira onde a gente vibra de felicidade, com alegria e surpreza, a imagem de Nossa Senhora do Ó,parece que está de outra cor.Finalmente o motor fica contando tempo.É essa minha terra querida,pena que de vez em quando tenho que deixá-la,penso.Antes de colocar a prancha para descer.Grita uma mulher aflita, alegrando todos:seu Quincas,Zé Messias,Veinho, e os outros,venham com Deus!Sejam bem vindos.Todos só podem subir depois que os passageiros descerem, é a regra, mas aquela mulher, não, aquela de saia nos cotovelos dos pés, é a rainha do porto.Sobe primeiro que todo mundo,tem toda regalia .É Maria Chicão,com seu tabuleiro de cocadas,na cabeça.E quem ,não gostava de Maria Chicão? Duvido.Tava ali, pra ver!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário